Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Por que nunca estivemos tão conectados e tão inquietos?

Vivemos em uma época em que tudo parece estar ao alcance de um toque. Informação, comunicação, trabalho, entretenimento, tudo circula com uma velocidade impressionante. Ainda assim, algo não acompanha esse ritmo: a nossa capacidade de elaborar o que vivemos. E é nesse descompasso que a ansiedade encontra terreno fértil.

A sensação de estar sempre atrasado, sempre devendo algo, sempre precisando responder, produzir ou decidir rapidamente se tornou parte do cotidiano. Não se trata apenas de uma sobrecarga externa, mas de um modo de funcionamento que atravessa o sujeito. A exigência não vem só de fora, ela é internalizada, transformando-se em uma cobrança constante, muitas vezes silenciosa, mas insistente.

Do ponto de vista psicanalítico, a ansiedade não é simplesmente um sintoma a ser eliminado. Ela é um sinal. Algo que indica que há um conflito em jogo, algo que não está encontrando lugar na fala, algo que escapa à simbolização. Em outras palavras, a ansiedade fala, ainda que sem palavras.

Na era digital, esse cenário se intensifica. Somos atravessados por uma lógica de desempenho, comparação e exposição contínua. Redes sociais criam vitrines de vidas editadas, recortes cuidadosamente selecionados que, embora saibamos não serem a totalidade, produzem efeitos muito reais. Surge, então, uma sensação difusa de inadequação: nunca é suficiente, nunca é o bastante, nunca se chega lá.

Mas o que é esse “lá”?

Essa é uma pergunta fundamental. Porque, muitas vezes, o sofrimento não está apenas na pressão, mas na falta de um desejo próprio que sustente o sujeito. Quando o referencial passa a ser externo, métricas, curtidas, produtividade, validação, o sujeito se distancia de si mesmo. E quanto mais distante, mais difícil é sustentar escolhas, limites e até mesmo o próprio descanso.

A ansiedade, nesse contexto, pode ser entendida como um excesso. Excesso de estímulos, de demandas, de expectativas. Mas também como um vazio, a falta de um ponto de ancoragem subjetivo. Algo que permita ao sujeito dizer: “isso é meu”, “isso me diz respeito”, “isso eu quero”.

A tecnologia, por si só, não é o problema. Ela amplia possibilidades, conecta, facilita, transforma. O ponto central não está no uso, mas na relação que cada um estabelece com ela. Para alguns, ela se torna uma ferramenta. Para outros, um campo de captura, onde o sujeito se vê constantemente convocado a responder, a aparecer, a performar.

É interessante observar como o tempo também se transforma. Não há mais pausas claras. O trabalho invade o descanso, o descanso é atravessado por notificações, o silêncio é rapidamente preenchido por estímulos. E o que se perde nesse processo é justamente o espaço necessário para que algo do sujeito possa emergir.

Na psicanálise, o silêncio não é ausência. É condição. É no intervalo, na pausa, no não preenchido, que algo pode surgir. Mas, na lógica atual, o vazio é frequentemente vivido como algo insuportável. Precisa ser imediatamente preenchido, anestesiado, evitado.

E é justamente aí que a ansiedade se intensifica.

Porque aquilo que não encontra espaço para ser elaborado retorna de outra forma: no corpo, nos pensamentos acelerados, na dificuldade de descansar, na sensação de estar sempre em alerta. Não se trata de fraqueza, nem de falta de controle. Trata-se de algo que insiste, porque ainda não pôde ser escutado.

A proposta de uma escuta psicanalítica não é oferecer respostas prontas, nem técnicas rápidas para “controlar” a ansiedade. É, antes, criar um espaço onde ela possa ser interrogada. Onde o sujeito possa se aproximar do que o angustia, não para se afundar nisso, mas para começar a dar forma, nome e sentido.

Ao longo desse processo, algo importante acontece: o sujeito deixa de ser apenas alguém que sofre com a ansiedade e passa a se implicar nela. Isso não significa culpa, mas responsabilidade, no sentido de poder se perguntar sobre o lugar que ocupa na própria história.

E essa mudança, ainda que sutil, é profundamente transformadora.

Porque, quando algo começa a fazer sentido, o sofrimento deixa de ser apenas um excesso sem direção e pode se tornar um caminho de elaboração. A ansiedade não desaparece magicamente, mas pode perder sua força paralisante. Ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser também uma via de acesso a algo mais profundo.

Talvez a grande questão do nosso tempo não seja como eliminar a ansiedade, mas como escutá-la em meio a tanto ruído.

Em um mundo que exige respostas rápidas, parar para falar e, mais ainda, para se escutar, pode parecer um luxo. Mas, na verdade, é uma necessidade. Porque, no fim, não se trata apenas de estar conectado com tudo. Mas de, em algum momento, conseguir se reconectar consigo mesmo.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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