Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Travessia

Estava pensando que há um vazio que não vem da falta de esforço, pelo contrário, vem do excesso dele. Você faz tudo o que deveria ser feito: estuda, se organiza, tenta de novo, ajusta o caminho, revisa escolhas, engole o medo e continua. Ainda assim, zero resultado. A frustração se instala, um silêncio estranho, como se o mundo não respondesse na mesma língua que você está falando. "Se estou fazendo tudo certo, por que nada acontece?” 

Existe uma crueldade nesse processo. Aos poucos, você começa a transformar dedicação em cobrança, esforço em dívida, e espera em punição. O que era projeto vira prova. O que era sonho vira tarefa. E o corpo sente. O sono fica pesado, a mente acelerada, e a sensação de estar “quase lá” perde sua forma. Você não desiste, mas também não chega. E nesse meio-termo, se cansa: perde energia, perde a fé no próprio movimento.

Um fracasso silencioso, que não tem nome, nem evento, nem explicação. Você olha para trás e até vê uma sequência de tentativas consistentes, responsáveis, honestas. E mesmo assim, nada muda. É uma espécie de desencaixe: por fora, você continua sendo alguém que “faz tudo certo”; por dentro, surge a sensação de estar falhando.  

A mente tenta encontrar explicações, é incansável. Talvez não seja o momento certo. Talvez falte algo mesmo. Talvez você não tenha feito o suficiente ... e o ciclo recomeça, ainda mais exigente. Nesse ponto, o “fazer mais” deixa de ser solução e vira uma forma de se machucar.  

Ainda assim, existe algo importante aí: o fato de que você continuou. Continuou mesmo sem garantia. Continuou mesmo quando seria mais fácil desistir. O que não elimina a dor, mas muda a natureza dela. Nem todo silêncio é ausência, às vezes é apenas um tempo que ainda não respondeu.

É um intervalo difícil de nomear, onde o esforço não encontra resultado.  

É um lugar de travessia.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Entre a receita e a escuta: o que ainda separa psiquiatria e psicologia

A parceria entre psiquiatria e psicologia costuma ser citada como ideal no cuidado em saúde mental, mas na prática ela ainda acontece de forma irregular e, muitas vezes, atravessada por ruídos. Entre o que seria um trabalho realmente integrado e o que de fato se observa nos serviços e nos consultórios, existe um intervalo importante: um “gap” que não é só técnico, mas também relacional e institucional.

Em tese, psiquiatras e psicólogos trabalham sobre o mesmo sujeito, mas a partir de vértices diferentes. A psiquiatria tende a se organizar em torno de diagnóstico, risco, sintomas e farmacologia; a psicologia clínica, especialmente em abordagens mais profundas, se debruça sobre a história, o sentido do sofrimento, os padrões relacionais e as repetições psíquicas. Quando essas duas leituras não se comunicam, o paciente pode acabar recebendo intervenções paralelas que não se articulam ou até se contradizem.

Um dos pontos que frequentemente dificulta essa parceria é a distância imposta por alguns profissionais médicos. Em parte, isso pode estar ligado a fatores institucionais: a rotina de atendimento psiquiátrico muitas vezes é acelerada, com pouco espaço para trocas mais longas com outros profissionais. Em parte, há também um componente de proteção profissional, a insegurança de se expor a um campo clínico que não é o seu, especialmente quando a condução do caso pode ser questionada fora do domínio biomédico.

Do outro lado, também existe um problema real: nem todos os psicólogos têm formação consistente para sustentar um diálogo clínico qualificado com a psiquiatria. Isso pode gerar comunicações frágeis, interpretações pouco precisas sobre medicação, ou mesmo uma tendência a deslegitimar o tratamento medicamentoso sem uma base técnica adequada. Esse cenário contribui para que alguns psiquiatras se fechem ainda mais à interlocução.

O resultado disso tudo é um modelo de cuidado fragmentado. O paciente, que deveria ser o centro da rede, acaba circulando entre profissionais que nem sempre compartilham uma compreensão comum do caso. Às vezes, ele se torna o único ponto de continuidade entre discursos diferentes e isso aumenta a sensação de confusão, ambivalência e até de solidão no tratamento.

Quando a parceria funciona, no entanto, o efeito clínico pode ser muito potente. A medicação pode reduzir a intensidade de sintomas que inviabilizam o trabalho psíquico, como ansiedade grave, insônia ou desorganização afetiva, enquanto a psicoterapia ajuda a sustentar o que muda com a medicação, dando sentido, história e elaboração ao sofrimento. Não se trata de uma hierarquia entre os saberes, mas de uma complementaridade real.

Talvez o ponto central não seja apenas “aproximar” psiquiatria e psicologia, mas construir uma ética de colaboração que suporte diferenças sem transformar essas diferenças em competição. Isso exige formação, sim, mas também exige tempo, abertura e uma disposição de sustentar zonas de incerteza clínica sem recorrer imediatamente ao fechamento diagnóstico ou interpretativo.

No fim, o que está em jogo não é a integração como um ideal abstrato, mas a possibilidade de o paciente não precisar carregar sozinho a tarefa de fazer esses dois mundos conversarem.

domingo, 14 de junho de 2026

O que se passa entre a fala e a escuta

Os pacientes chegam trazendo aquilo que, muitas vezes, não conseguiu encontrar lugar em outro espaço. Chegam com histórias que já foram contadas de muitas formas, com tentativas de explicação, com versões que mudaram ao longo do tempo, e também com aquilo que nunca chegou a ser dito. O que aparece na clínica não é apenas o que aconteceu, mas a forma como cada um conseguiu, ou não conseguiu, se relacionar com o que aconteceu.

Eles trazem sofrimento, mas não apenas sofrimento. Trazem também formas de se proteger dele, de contorná-lo, de torná-lo suportável. Trazem repetições que parecem sem sentido à primeira vista, mas que carregam uma lógica própria, mesmo que ainda não conhecida por quem fala. Trazem perguntas que às vezes não são formuladas como perguntas, mas como impasses de vida: por que sempre isso? por que de novo? por que comigo?

Ao mesmo tempo, os pacientes levam algo da clínica. Não necessariamente respostas prontas, nem soluções fechadas, mas deslocamentos. Levam consigo uma outra possibilidade de escuta de si mesmos, uma pausa entre o impulso e a ação, uma fissura na certeza do próprio modo de funcionar. Muitas vezes levam também uma nova forma de se relacionar com a própria história, menos como destino, mais como algo que pode ser lido de outras maneiras.

Mas talvez o mais importante não seja o que eles “levam” em termos de conteúdo. É o que se transforma na posição subjetiva: uma pequena mudança na forma de se colocar diante do próprio desejo, do outro, do sofrimento. Algo que não se impõe de fora, mas que se insinua aos poucos, nas brechas da fala.

E, nesse processo, o analista também não permanece o mesmo.

A cada encontro, algo do que o paciente traz toca, desloca, interroga. Não no sentido de uma identificação direta, mas no sentido de um trabalho silencioso que acontece na escuta. O analista aprende a sustentar o não saber, a não se apressar em concluir, a reconhecer a complexidade do que se repete. Aprende também a lidar com o próprio limite, aquilo que não se interpreta completamente, aquilo que escapa.

Talvez seja isso que a clínica ensina de forma mais insistente: que não há posição neutra de quem escuta. Há sempre um efeito de transformação, mesmo quando nada parece acontecer de imediato.

Os pacientes ensinam, sobretudo, que a fala nunca é só comunicação. Ela é também elaboração, tentativa, repetição, corte, criação. E que escutar alguém é aceitar entrar nesse território instável onde a vida ainda está se escrevendo enquanto é dita.

O modo de vida do analista em início de clínica

Tenho pensado bastante sobre o que muda na vida de alguém quando começa a atender como analista.

Não é só uma mudança de trabalho. É uma mudança na forma de estar no mundo.

Ao aprender a escutar melhor o outro, a gente também muda a forma como escuta fora do consultório. Na terapia, aprendemos a não interromper, a não responder rápido demais, a dar espaço para o que a pessoa está dizendo, inclusive o que não está sendo dito claramente.

Com o tempo, isso pode começar a aparecer na vida comum.

Percebo em mim uma tendência a ficar mais quieta, mais observadora, e até menos espontânea em algumas conversas. Não porque eu queira me afastar das pessoas, mas porque minha atenção foi sendo reorganizada.

A forma de escutar dentro da clínica tem uma função muito específica. Mas quando isso começa a se espalhar para fora, pode surgir uma dúvida: isso me aproxima das pessoas ou me afasta?

Às vezes, esse movimento pode ser bom, mais calma, mais reflexão, menos impulsividade. Mas também pode trazer o risco de a gente ficar mais distante, mais “de fora” das relações, como se estivesse sempre apenas ouvindo, e menos participando.

O ponto importante não é julgar isso como certo ou errado. É perceber o efeito que isso está tendo na vida.

Porque uma coisa é aprender a escutar melhor. Outra coisa é acabar vivendo quase só nesse lugar de escuta, e perder um pouco da troca, da espontaneidade e da vida compartilhada.

No começo da prática clínica, isso pode ficar mais forte, porque tudo ainda está muito novo. A gente está se ajustando a esse novo modo de trabalhar e de pensar.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja “isso está certo?”, mas sim: “o que isso está fazendo com a minha forma de viver e de me relacionar?”

Porque, no fim, o trabalho na clínica não é só sobre entender o outro. É também sobre como isso nos transforma e como a gente vai encontrando um jeito de continuar vivendo bem com essas mudanças.

Psicanálise: ensinar ou transmitir?

Tenho pensado com frequência no desejo de ensinar Psicanálise.

Não como um plano de carreira, nem como uma ambição acadêmica. Como desejo mesmo. E, justamente por isso, algo que merece ser interrogado.

A Psicanálise nos ensina que o desejo não se confunde com a vontade. A vontade pode ser explicada, organizada e justificada. O desejo, não. O desejo insiste. Retorna. Faz-se presente mesmo quando não é convocado.

Talvez seja por isso que a ideia de dar aulas continue reaparecendo para mim.

Não porque eu tenha respostas. Talvez justamente pelo contrário.

O que sempre me fascinou na Psicanálise foi sua capacidade de sustentar perguntas. Freud inaugura um campo em que a verdade deixa de ser algo totalmente acessível à consciência. Lacan radicaliza esse movimento ao mostrar que somos habitados por uma falta estrutural, por algo que escapa ao saber sobre nós mesmos.

Ensinar Psicanálise, para mim, não parece estar relacionado à transmissão de certezas. Parece estar relacionado à transmissão de uma experiência de pensamento.

Uma experiência que transforma a maneira como escutamos, como lemos, como falamos e até como nos relacionamos com aquilo que desconhecemos em nós mesmos.

Quando penso em uma sala de aula, não imagino um lugar de respostas prontas. Imagino um espaço onde conceitos possam produzir deslocamentos. Onde um texto de Freud ou um seminário de Lacan deixem de ser apenas conteúdo e passem a operar como questões.

Talvez seja isso que me atraia tanto.

A transmissão em Psicanálise ocupa um lugar singular. Não se transmite apenas conhecimento. Transmite-se uma posição diante do saber.

E essa diferença me parece fundamental.

A Psicanálise nos ensina que o saber nunca é completo, que existe sempre um resto, uma falta, um ponto impossível de ser totalmente capturado. Ainda assim, seguimos falando, estudando, escrevendo e ensinando.

Existe algo de profundamente humano nisso.

Talvez meu desejo de ensinar esteja ligado a essa aposta.

A aposta de que uma ideia, uma leitura ou uma interpretação possam produzir efeitos em alguém.

Não efeitos de convencimento, mas de elaboração.

Não a produção de discípulos, mas a abertura de perguntas.

Penso que ensinar Psicanálise seria, de alguma forma, ocupar um lugar de passagem. Fazer circular autores, conceitos e questões que foram fundamentais na minha própria formação e que continuam produzindo trabalho psíquico em mim.

Talvez seja também uma forma de retribuição.

Afinal, fui atravessada por professores, textos, supervisores e experiências que transformaram minha maneira de compreender o sujeito e a clínica.

Existe algo que desejo transmitir, embora eu ainda não consiga nomear exatamente o quê.

E talvez isso seja um bom sinal.

Porque os reais desejos costumam surgir antes das explicações.

Eles aparecem primeiro como insistência.

Depois como direção.

E somente mais tarde encontram palavras.

Talvez eu esteja justamente nesse momento: tentando colocar em palavras um desejo que já existe há algum tempo e que continua retornando.

Se a Psicanálise me ensinou alguma coisa, foi a não ignorar aquilo que insiste.

E esse desejo insiste.

sábado, 13 de junho de 2026

O umbigo e o abismo

Nunca falamos tanto de nós mesmos, nunca exibimos tanto nossas opiniões, sentimentos e rotinas, e ainda assim parecemos cada vez mais distantes de quem realmente somos.

Há uma crítica recorrente aos nossos tempos: a de que as pessoas só olham para o próprio umbigo. E talvez seja verdade. Basta abrir qualquer rede social, ouvir qualquer discussão pública ou observar as conversas cotidianas. Todos parecem ocupados demais falando de si mesmos, defendendo suas opiniões, expondo suas dores, suas conquistas, suas certezas.

Mas o que me intriga não é o excesso de atenção voltada para si. O que me intriga é que, apesar disso, parece que ninguém se conhece.

Vivemos uma época curiosa. O indivíduo se tornou o centro de tudo. Nossa felicidade é assunto diário. Nossos desejos são tratados como prioridades absolutas. Nossos sentimentos ganharam status de bússola moral. Somos incentivados a olhar para dentro, a expressar quem somos, a construir uma identidade própria. No entanto, quanto mais nos observamos, mais parecemos perdidos.

Talvez porque olhar para o próprio umbigo não seja a mesma coisa que olhar para dentro.

O umbigo é a superfície. É a imagem que construímos de nós mesmos. São os rótulos que adotamos, as narrativas que contamos, as versões que apresentamos ao mundo. É aquilo que conseguimos enxergar sem esforço. O autoconhecimento, porém, habita em outra região. Ele mora nas perguntas que evitamos fazer. Nos medos que escondemos até de nós mesmos. Nas contradições que tentamos justificar. Nas sombras que preferimos manter apagadas.

Conhecer a si mesmo nunca foi um exercício confortável.

É muito mais fácil colecionar opiniões do que investigar suas origens. É mais simples defender uma identidade do que questioná-la. É mais agradável construir uma imagem coerente do que admitir que somos feitos de ambiguidades.

Talvez por isso tantas pessoas passem a vida inteira sem realmente se encontrar. Não porque nunca tenham olhado para si, mas porque olharam apenas para aquilo que era suportável enxergar.

Existe uma diferença enorme entre atenção e profundidade.

Uma pessoa pode pensar em si mesma o dia inteiro e ainda assim desconhecer suas motivações mais íntimas. Pode falar incessantemente sobre seus sentimentos sem compreender a origem deles. Pode repetir discursos sobre autenticidade enquanto vive obedecendo expectativas que jamais escolheu conscientemente.

Às vezes, aquilo que chamamos de identidade é apenas um acúmulo de influências mal examinadas.

Somos filhos das histórias que ouvimos, dos medos que herdamos, das recompensas que recebemos, das rejeições que sofremos. Muito do que acreditamos ser escolha talvez tenha sido apenas condicionamento. Muito do que defendemos como personalidade talvez seja apenas hábito.

Mas parar para investigar isso exige coragem.

Porque existe um momento, no caminho do autoconhecimento, em que deixamos de encontrar respostas e começamos a encontrar perguntas. E perguntas verdadeiras são desconfortáveis. Elas desmontam certezas. Elas enfraquecem personagens. Elas revelam que talvez não sejamos exatamente quem imaginávamos.

Pouca gente deseja esse encontro.

Queremos explicações rápidas. Definições prontas. Queremos caber em alguma descrição simples que nos permita seguir em frente sem grandes conflitos. O problema é que seres humanos não foram feitos para caber em definições simples.

Somos contraditórios.

Amamos e rejeitamos as mesmas coisas. Desejamos liberdade enquanto buscamos aprovação. Queremos ser vistos e, ao mesmo tempo, temos medo de sermos conhecidos. Carregamos virtudes que admiramos e defeitos que tentamos esconder. Somos uma mistura permanente de luz e sombra.

Conhecer-se exige aceitar isso.

Talvez seja por isso que tantas pessoas prefiram permanecer na superfície. Porque o fundo assusta. O fundo exige silêncio. Exige honestidade. Exige abandonar algumas ilusões cuidadosamente construídas ao longo dos anos.

E o mundo moderno não favorece esse mergulho.

Tudo nos empurra para fora. Para a próxima notificação. Para a próxima opinião. Para a próxima distração. Estamos constantemente ocupados administrando a aparência da nossa vida, enquanto a própria vida passa despercebida dentro de nós.

O resultado é estranho.

Passamos décadas falando sobre quem somos sem jamais descobrir quem realmente somos.

Talvez o grande problema não seja o egoísmo. Talvez seja a superficialidade. Talvez não estejamos excessivamente voltados para nós mesmos. Talvez estejamos voltados apenas para a versão mais rasa de nós mesmos.

Porque existe uma diferença entre contemplar o próprio reflexo e explorar a própria alma.

O primeiro exercício alimenta a imagem.

O segundo transforma a pessoa.

E transformação sempre cobra um preço.

Ela exige abandonar certezas confortáveis. Exige reconhecer fragilidades. Exige admitir que somos mais complexos, mais confusos e mais misteriosos do que gostaríamos.

Mas talvez seja justamente aí que começa a liberdade.

No momento em que deixamos de defender uma ideia de quem somos e começamos, finalmente, a nos conhecer.

Olhar para o próprio umbigo é fácil.

Difícil é encarar o abismo que existe logo atrás dele.

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Psicologia e Tecnologia - a vida é mesmo surpreendente!

E lá estava eu, toda empolgada e com um sorriso de orelha a orelha no meu primeiro dia de estágio em psicologia. Depois de anos trabalhando com tecnologia, finalmente estava pronta para lidar com os "bugs" da mente humana. Mas confesso que fiquei um pouco perdida quando meu supervisor me pediu para "debugar" um paciente. Pensei em perguntar se precisava baixar um programa específico, mas percebi que não seria a melhor ideia, kkk. Enfim, estou aqui para aprender e colocar em prática tudo o que estudei, ou pelo menos tentar. E quem sabe, um dia eu consigo entender a mente humana tão bem quanto entendo os códigos de programação. 

Por exemplo, em vez de falar em "armazenar dados" estamos falando em "armazenar memórias", e em vez de "processar informações" estamos falando em "processar emoções". E não podemos esquecer das nossas "ferramentas de trabalho", que antes eram teclados e mouse, mas agora são lápis e papel para anotar nossas observações sobre os pacientes. E não podemos esquecer do famoso "reset" do computador, agora podemos usar técnicas de relaxamento e meditação para dar um "reset" em nossa mente. 

E não podemos esquecer dos famosos bits e bytes, agora trocamos isso por insights e empatia, que são os elementos-chave para entender e ajudar nossos pacientes de maneira mais eficaz. 

Afinal, não podemos simplesmente reiniciar ou reinstalar uma pessoa como fazemos com um computador! Mas, assim como na tecnologia, quando conseguimos fazer tudo funcionar em harmonia, os resultados são incríveis. 

1.       Computador: a mente humana pode ser comparada a um computador, pois ambos lidam com informações, pensamentos, memórias e decisões ao longo do dia. 

2.       Software: assim como o software pode ser atualizado, a terapia pode ajudar a pessoa a rever formas de pensar, sentir e lidar com a vida. 

3.       Hardware: assim como um computador precisa de peças para funcionar, o corpo é fundamental para o equilíbrio emocional e mental. 

4.       Programação: não se “programa” uma pessoa, mas é possível compreender e elaborar padrões internos que se repetem e causam sofrimento. 

5.       Internet: a internet pode ser uma fonte de informação e também permitir o encontro entre pessoas e o atendimento psicológico online. 

6.       Rede: assim como uma rede conecta computadores, os vínculos e relações ajudam a sustentar emocionalmente as pessoas. 

7.       Servidor: o psicólogo oferece um espaço de escuta, acolhimento e presença para que a pessoa possa falar de si com segurança. 

8.       Nuvem (Cloud): a mente guarda memórias, experiências e emoções que nem sempre estão acessíveis de forma clara no dia a dia. 

9.       Aplicativo (App): alguns aplicativos podem apoiar o autocuidado e a organização emocional no cotidiano. 

10.   Smartphone: o uso excessivo pode afetar o sono, a atenção e o bem-estar emocional, sendo importante encontrar equilíbrio. 

11.   Tablet: pode ser uma ferramenta de apoio em consultas, ajudando na explicação de conteúdos ou exercícios reflexivos. 

12.   Dispositivo móvel: permite acesso a informações e apoio emocional em diferentes lugares e momentos. 

13.   Sistema operacional: o cérebro organiza funções do corpo e da mente, permitindo que a pessoa lide com a vida diária. 

14.   Banco de dados: a mente guarda lembranças e experiências que influenciam a forma como a pessoa sente, percebe e se relaciona. 

15.   Segurança da informação: no campo emocional, está ligada ao cuidado, sigilo e proteção do que é compartilhado em um espaço de confiança. 

16.   Firewall: pode ser comparado a formas de proteção emocional que ajudam a pessoa a lidar com situações difíceis. 

17.   Antivírus: assim como protege o computador, a terapia pode ajudar a pessoa a elaborar pensamentos e emoções que causam sofrimento. 

18.   Criptografia: algumas experiências internas não são claras de imediato e precisam de tempo, reflexão e elaboração para serem compreendidas. 

19.   Big data: grandes volumes de informações podem ajudar pesquisas a identificar padrões gerais de comportamento humano, mas não explicam cada pessoa em sua singularidade. 

20.   Inteligência artificial (IA): pode ser uma ferramenta de apoio, mas não substitui a escuta humana, a história pessoal e o vínculo terapêutico. 

21.   Aprendizado de máquina: sistemas conseguem reconhecer padrões, mas não alcançam a complexidade da experiência emocional de cada pessoa.

22.   Realidade virtual (VR): pode ser usada como ferramenta de apoio em alguns contextos, permitindo experiências simuladas que ajudam a pessoa a elaborar emoções e medos.

Mas isso não é o caso dos seres humanos. Eu aprendi que os humanos não podem ser rebootados o tempo todo, nem todos podem ser formatados ou restaurados para as configurações padrão de fábrica.

Bem-vindo ao "PsiTech"! Aqui, misturamos os mundos da tecnologia e da psicologia de uma forma única e divertida. Afinal, a vida não precisa ser sempre tão séria, certo?

O cérebro é o hardware, e a mente é o software. Assim como a tecnologia precisa de atualizações e manutenção regular, a mente humana também precisa de cuidados e atenção constante para se manter saudável e funcionando corretamente.

Mas, assim como o código mal escrito pode levar a falhas no sistema, experiências negativas ou traumas podem causar disfunções emocionais e psicológicas. E não se preocupe, não é necessário reformatar o cérebro para corrigir esses problemas. A terapia é como um bom antivírus - ajuda a limpar o "vírus" emocional e permite que a mente funcione melhor.

E o que dizer das emoções? A tecnologia pode ser muito racional, mas as pessoas são movidas pela emoção. Às vezes, como um software desatualizado, as emoções podem ser confusas e causar problemas. Mas não se preocupe, os profissionais de psicologia estão aqui para ajudar a criar uma atualização emocional e resolver esses problemas.

E assim como a tecnologia tem seus backups e armazenamento em nuvem, a mente também pode usar uma ajudinha extra. Amigos, familiares e profissionais de saúde mental podem atuar como backups emocionais, fornecendo apoio e orientação quando necessário.

Então, se você está se sentindo como um programa travado, não se preocupe. Há muitas soluções disponíveis aqui para ajudá-lo a recuperar o controle da sua mente. Lembre-se, você é como um sistema operacional - com atualizações regulares e manutenção adequada, pode funcionar sem problemas por muitos anos.

 

Confissões de uma Escritora com Poucos Seguidores e Muitos Textos Não Lidos

Ah, a vida de um escritor solitário em meio a uma multidão de poucos seguidores! Aqui estou eu, destemidamente mergulhando nas profundezas do desconhecido ciberespaço, publicando textos com uma devoção inabalável e recebendo um retorno tão caloroso quanto um abraço de um boneco de neve. É realmente um caso de amor unilateral entre mim e o vazio silencioso das minhas estatísticas. Talvez eu deva começar a usar hashtags mais dramáticas, como #DesesperoLiterário ou #CadêMeusSeguidoresDeVerdade?

Quando despejo palavras no meu teclado, sinto-me como um pastor pregando no deserto. Eu me pergunto se as letras dançam na tela apenas para meu próprio prazer, como se estivesse assistindo a um show privado de entretenimento exclusivo. Seria eu o artista de um espetáculo solitário, o único espectador na plateia de meu próprio universo literário?

Ah, as redes sociais, esse lugar mágico onde as fotos de gatos se tornam virais e as selfies se multiplicam como em uma ilusão de ótica. Enquanto isso, minhas palavras flutuam no oceano digital como uma garrafa sem destinatário, navegando sem rumo, esperando ser descoberta por um navegador curioso. Será que os algoritmos se confundem ou o problema está mesmo com as minhas mensagens?

Eu me pego sonhando com uma horda de seguidores sedentos, devorando cada vírgula, ponto e exclamação que saem dos meus dedos frenéticos. Seria um exército de fãs esperando ansiosamente por meus próximos escritos, como se eu fosse uma pop star da literatura (mas sem dancinhas nas plataformas).

Mas, ei, talvez eu esteja olhando para tudo errado. Talvez eu seja a escritora mais exclusiva do planeta! Afinal, quantos artistas têm a sorte de ter uma audiência tão seleta? Tenho a honra de ser lida por um grupo tão íntimo de pessoas, tão íntimo que inclui minhas filhas, minha cachorrinha sonolenta e um primo distante que só sabe que eu escrevo, porque minha tia comentou uma vez no almoço de Natal e ele nem sabe que eu sei que ele sabe, kkk).

Então, aqui estou eu, firme e confiante, continuando a escrever com paixão, mesmo sabendo que minhas palavras podem se perder em algum lugar entre a vastidão da internet e o caos das timelines. Eu posso não ter seguidores, mas estou aqui para espalhar inspiração e algumas experiências dolorosas (se você acha que suas experiências são ruins, espere até ler as minhas!). E se um único leitor encontrar conforto, entretenimento ou um breve momento de diversão nas minhas palavras, então minha missão estará cumprida.

E, quem sabe, talvez um dia o mundo descubra a gênia que eu sou e minha legião de seguidores cresça além dos limites da imaginação. E se isso não acontecer, bem, pelo menos posso me gabar de ser a melhor escritora que só eu conheço! Até lá, vou continuar escrevendo para aqueles que me encontrarem, afinal, quem precisa de multidões quando se pode ter alegria em doses homeopáticas? E se você está lendo isso agora, meu caro amigo desconhecido, saiba que você é um dos escolhidos, um dos privilegiados que descobriu essa joia literária. Ou talvez você tenha clicado acidentalmente. De qualquer forma, obrigada por estar aqui, meu caro leitor (ou curioso acidental). Você é demais! 

Agora, se me der licença, tenho um encontro marcado com uma xícara de café e uma tela em branco. O próximo texto está prestes a começar!

A Rainha do Tempo Livre: Dominando a Ciência do Descanso Não Remunerado

Sou a rainha do tempo livre, a mestra do ócio criativo e a defensora da liberdade não remunerada

Então, bravo! Bravíssimo! Ergo minha caneca para saudar a determinação, a ousadia e a capacidade de encontrar felicidade, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras. Que a minha jornada seja repleta de risadas, descobertas inspiradoras e momentos de pura euforia. Que ela me leve a lugares surpreendentes, permitindo que eu seja a autora da minha própria história e que eu encontre o poder e a inspiração na liberdade.

Ah, que sensação! A sensação de liberdade! É como flutuar em uma nuvem de tranquilidade enquanto todos os outros estão presos em suas rotinas maçantes de trabalho. Sim, eu, a aventureira destemida, tomei a decisão corajosa de pedir demissão antes de conseguir outro emprego. E agora estou aqui, desfrutando as maravilhas de uma vida sem compromissos profissionais (ou, em outras palavras, um período sabático involuntário). E protagonizando a Divina Comédia: ‘Rindo às Custas da Minha Conta Bancária”.

Primeiro, vamos falar sobre a alegria de acordar tarde todas as manhãs. Não há alarmes irritantes ou a pressa desesperada para chegar ao escritório. Posso simplesmente enrolar na cama como uma preguiçosa e acordar naturalmente quando meu corpo decidir. Ah, a doce sensação de ignorar a existência do horário comercial! A desempregada descolada!

E o “uniforme” de trabalho? Adeus, roupas formais e desconfortáveis! Saltos altos, que horror!!! Agora eu posso passar o dia inteiro de pijama ou vestida com minha fantasia de super-herói, se assim desejar. Afinal, quem precisa de roupas elegantes quando se pode usar uma capa e lutar contra o crime imaginário na sala de estar?

E a melhor parte é poder se tornar uma especialista em ócio. Enquanto todos estão presos em suas mesas, eu posso mergulhar em um mar de séries e filmes, perder horas navegando em memes engraçados na internet ou aperfeiçoar minhas habilidades em jogos de vídeo game. O ócio é uma arte, e eu sou uma verdadeira mestra nessa área.

Ah, e vamos falar sobre a emoção de economizar dinheiro! Afinal, sem um salário chegando, é hora de ser criativa com o orçamento. Diga adeus aos jantares caros em restaurantes chiques e olá aos deliciosos banquetes de macarrão instantâneo. Quem precisa de gourmet quando se pode apreciar a simplicidade de um pacote de macarrão e um sachê de tempero?

Claro! Existem desafios na vida de uma desempregada. Como lidar com a pergunta constante dos amigos e familiares sobre "como está a busca por um novo emprego"? Bem, eu simplesmente respondo com uma risada descontraída e digo que estou aproveitando meu tempo para me descobrir e explorar novas oportunidades. Afinal, posso ser uma escritora de sucesso (trabalho para isso, kkk) ou até mesmo a primeira pessoa a viajar de férias para Marte (vai que ninguém queira se voluntariar, kkk).

Então, enquanto o mundo corre em sua rotina agitada, eu estou aqui, aproveitando cada momento da minha vida desempregada. Portanto, caros amigos, não tenham medo das adversidades! Em vez disso, abracem-nas com humor, criatividade e uma pitada de ousadia. Afinal, nunca se sabe quais surpresas incríveis podem estar esperando por nós quando decidimos trilhar um caminho diferente.

Afinal, a vida é muito curta para levarmos tudo tão a sério. Enquanto os outros se preocupam com suas carreiras e trajetórias profissionais, nós, desempregados de coração valente, temos a liberdade de explorar novas paixões, experimentar hobbies malucos e criar o nosso próprio caminho. Podemos ser inventores de ideias mirabolantes ou especialistas em desfrutar de um merecido descanso.

Sempre navegando por territórios desconhecidos e encontrando alegria nas situações mais improváveis. No final das contas, não é sobre o que os outros esperam de você, mas sobre como você escolhe viver sua vida. Então, siga em frente, o mundo está esperando para ver o que você fará em seguida!

O Ministério da Saúde adverte: estar desempregado pode trazer impactos financeiros e emocionais significativos. Embora tenha ressaltado o lado positivo do tempo livre, é importante reconhecer a importância da busca por emprego e estabilidade financeira. Cada situação é única e requer equilíbrio entre a exploração de novas paixões e a responsabilidade de construir um futuro sólido.  

Antes que os haters apareçam... bem, para quem mal tem seguidores, é difícil até conseguir haters, né? Mas, para os haters de plantão: reais, imaginários ou em treinamento, segue: 

COMUNICADO IMPORTANTE: Antes que alguém leve este texto ao pé da letra, vale o aviso: trata-se de uma brincadeira, escrita com humor e ironia para enfrentar um momento difícil. Tenho plena consciência dos meus privilégios e falo, sim, do alto deles. Sei que sou uma herdeira e reconheço que essa realidade não representa a situação da maioria das pessoas em um país que ainda enfrenta enormes desafios para gerar empregos e oferecer oportunidades dignas para todos, deixando uma parcela significativa da população desempregada ou em situação de vulnerabilidade. Também não ignoro que cheguei até aqui depois de 30 anos de trabalho diário, acordando muito cedo, chegando tarde em casa e cumprindo minhas responsabilidades com dedicação. Agora, faltando apenas dois anos para minha aposentadoria (se o INSS e a corrupção deixarem) escolho usar o humor para olhar para esta fase da vida, sem perder de vista a seriedade das dificuldades que tantas pessoas enfrentam todos os dias.

terça-feira, 5 de maio de 2026

O problema não é sermos influenciados ... é quando a influência se apresenta como se fosse desejo próprio.

Entre 1900 e hoje, algo mudou, mas talvez nem tanto.

Victor Tausk, psicanalista contemporâneo de Freud, descreveu pacientes que acreditavam estar sendo controlados por um “aparelho de influenciar”: uma máquina capaz de inserir pensamentos, manipular sensações e comandar o corpo. Na época, isso foi lido como delírio. 

Hoje, cercados por algoritmos, notificações e sistemas que antecipam nossos desejos, a pergunta se desloca: o que exatamente ainda nos pertence?

A psicanálise não diria que estamos “loucos”, mas nos convida a uma torção mais incômoda: o sujeito sempre foi atravessado por forças que não domina. 

A tecnologia não cria isso, ela materializa e intensifica. Entre o desejo e o comando, entre o clique e a captura, talvez o ponto não seja se somos influenciados, mas como consentimos com aquilo que nos determina sem que percebamos.


O problema não é sermos influenciados - é quando a influência se apresenta como se fosse desejo próprio.

Psicanálise: um percurso contínuo, autor por autor, cada um respondendo a limites do anterior.

A psicanálise começa com Sigmund Freud, que descobre algo decisivo: o sujeito é dividido. Existe um inconsciente que escapa à consciência e se manifesta em sonhos, sintomas e atos falhos. O eixo da teoria freudiana é o conflito psíquico, especialmente ligado à sexualidade infantil e ao complexo de Édipo. A clínica consiste em interpretar esse conflito, trazendo à palavra aquilo que foi recalcado.

Mas a obra de Freud deixa problemas em aberto. Um deles é: de onde vêm essas experiências internas tão intensas? É nesse ponto que entra Melanie Klein.

Klein desloca o foco para o início da vida. Para ela, desde muito cedo o bebê já vive relações intensas com objetos (principalmente a mãe), marcadas por amor, ódio, inveja e medo. O que Freud descrevia mais ligado ao Édipo, ela antecipa para fases muito primitivas. O centro deixa de ser apenas o conflito sexual e passa a ser o mundo interno povoado por objetos, que podem ser vividos como bons ou maus. A mente é, desde o início, um campo de relações.

Só que Klein ainda pensa muito em termos de fantasia interna. A pergunta seguinte surge quase naturalmente: e o ambiente real? e o cuidado recebido?

É aí que aparece Donald Winnicott. Ele não nega o mundo interno, mas diz que ele só se desenvolve bem se houver um ambiente suficientemente bom. O bebê não começa como um sujeito integrado, ele precisa de sustentação. Conceitos como holding, mãe suficientemente boa e falso self mostram que o problema psíquico pode surgir não apenas de conflitos internos, mas de falhas no ambiente. A clínica, então, não é só interpretar, mas oferecer condições para que algo do desenvolvimento possa acontecer.

Paralelamente (e, na verdade, antes mesmo de Winnicott), Sándor Ferenczi já estava apontando algo ainda mais incômodo: o trauma é real. Ele critica a tendência de reduzir tudo à fantasia e insiste que muitas vezes houve abuso, violência ou desmentido. O sujeito não apenas fantasiou, ele foi ferido. Além disso, Ferenczi percebe que a postura do analista importa: frieza e neutralidade excessiva podem repetir o trauma. Com ele, a psicanálise começa a assumir que é também uma relação ética, não só um método interpretativo.

A partir de Klein, outro desenvolvimento importante ocorre com Wilfred Bion. Ele pega a ideia de relações primitivas e dá um passo novo: pergunta como nasce a capacidade de pensar. Para Bion, o bebê vive experiências emocionais brutas que precisam ser transformadas. Se isso não acontece, a pessoa não consegue pensar, apenas descarrega, atua ou sofre. O analista, então, não é só quem interpreta conteúdos, mas quem ajuda a transformar experiências em algo pensável. A psicanálise vira, em parte, uma teoria sobre o próprio pensamento.

Por fim, há Jacques Lacan, que faz um movimento diferente: em vez de avançar “para frente”, ele propõe um retorno a Freud, mas por outro caminho, a linguagem. Lacan diz que o inconsciente não é só um reservatório de conteúdos, mas funciona como uma linguagem. O sujeito não é apenas alguém com conflitos ou traumas, mas alguém constituído pela fala, pela falta e pelo desejo. Com ele, a clínica se torna mais atenta à estrutura do discurso, aos significantes, aos cortes, menos centrada em desenvolvimento e mais na posição do sujeito na linguagem.


Freud: você é dividido pelo inconsciente

Klein: você vive em guerra com seus objetos internos

Winnicott: você depende de um ambiente que pode falhar

Ferenczi: você pode ter sido ferido de fato pelo outro

Bion: você pode não conseguir pensar o que sente

Lacan: você é efeito da linguagem e da falta


Se você olhar como um movimento contínuo, dá pra ver uma transformação bem clara:

  • Freud descobre o inconsciente e o conflito
  • Klein mostra que esse conflito já está em relações primitivas internas
  • Winnicott traz o peso do ambiente e do cuidado real
  • Ferenczi insiste no trauma vivido e na ética da relação
  • Bion explica como a mente aprende a pensar experiências
  • Lacan reconstrói tudo a partir da linguagem e do desejo

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Hoje faço um lugar pra mim!

Hoje eu decidi fazer um lugar pra mim.

Não, não é sair das redes, vender tudo e ir morar no mato (até porque o Wi-Fi ia fazer falta). Também não é baixar mais um app de produtividade achando que agora eu viro minha melhor versão em 7 dias.

É outra coisa.

Porque, se eu for bem honesta, eu já tô funcionando “bem demais”. Respondo rápido, entrego no prazo, dou conta de mil abas abertas. Sou praticamente um sistema em tempo real.

O problema é: em que momento eu entrei como usuária disso tudo?

Porque tem uma diferença grande entre operar a própria vida… e habitar ela.

E ultimamente, parece que eu tô mais no modo “execução automática” do que em qualquer outra coisa. Tipo quando você aceita todos os cookies sem ler e depois não entende por que tá sendo rastreada por anúncios estranhamente específicos.

Em algum ponto, eu fui me adaptando. Otimizando. Ajustando comportamento. Melhorando performance. Só não sei se isso incluía eu mesma no processo.

E aí vem aquele bug.

Nada trava de verdade, mas também nada roda direito. Um cansaço meio sem explicação. Uma vontade de fechar todas as abas, mas sem saber por onde começar. Um “tem algo errado” que não aparece em nenhum dashboard.

E talvez esteja mesmo. Talvez esteja faltando espaço.

Não espaço no calendário (esse já foi sequestrado faz tempo), mas espaço interno. Um lugar que não seja colonizado por demanda, urgência ou expectativa.

Um lugar onde eu não precise performar o tempo todo.

Só que isso não vem por default. Não tem configuração de fábrica pra isso. Não tem atualização automática que resolve. E, definitivamente, não tem algoritmo que entregue esse lugar pra você, porque, convenhamos, não é exatamente lucrativo.

Então hoje eu fiz uma coisa meio fora do script: parei de rodar no automático.

Não deletei minhas redes, não fiz detox digital, não virei uma pessoa zen. Só suspendi, por um momento, essa lógica de responder a tudo imediatamente.

E aí… silêncio.

Um silêncio meio desconfortável, tipo quando o sistema para de emitir alerta e você percebe que não sabe mais muito bem o que está procurando.

Mas talvez seja justamente aí que começa.

Fazer um lugar pra si, nesse contexto, não é sair do mundo digital, é deixar de ser completamente capturada por ele. É criar um intervalo onde nem tudo precisa ser otimizado, explicado ou resolvido.

A psicanálise trabalha mais ou menos nessa lógica. Não é sobre “corrigir bugs” ou melhorar performance. É sobre escutar o que insiste, o que repete, o que não encaixa, justamente o que nenhum sistema consegue prever totalmente.

É quase como recuperar acesso a uma parte sua que não está em nenhuma nuvem.

Hoje, fazer um lugar pra mim foi isso:

não ter todas as respostas,
não saber exatamente o que fazer com o que eu sinto,
mas, ainda assim, não me substituir por mais uma versão funcional de mim mesma.

Não parece muito.

Mas, num mundo que pede atualização constante, talvez sustentar esse espaço já seja um gesto revolucionário.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Ouvir não basta, é preciso se escutar

Há algo curioso no sofrimento: ele fala, mesmo quando tentamos silenciá-lo.

Às vezes, ele aparece como cansaço sem nome, como uma inquietação que não cessa, como a sensação de estar vivendo uma vida que não parece exatamente sua. Outras vezes, ele se repete: nas escolhas, nos encontros, nos desencontros, como se algo insistisse em retornar, mesmo quando tudo em você tenta seguir adiante.

É comum chegar à clínica com explicações prontas. “Eu sou ansioso.” “Eu sempre fui assim.” “Isso aconteceu por causa da minha história.” E, de algum modo, tudo isso pode até fazer sentido. Mas a experiência analítica começa justamente quando esse saber vacila, quando aquilo que parecia tão claro já não responde mais.

Porque falar, aqui, não é apenas contar o que aconteceu. É permitir que algo do que nunca pôde ser dito encontre um caminho. É se escutar para além do que você já sabe sobre si.

Na psicanálise, não se trata de corrigir comportamentos, nem de ajustar você a um ideal de funcionamento. Trata-se de sustentar um espaço onde a palavra possa ganhar outro valor, onde até mesmo os lapsos, os silêncios, as repetições e os desvios tenham lugar.

Há uma aposta nisso: a de que o sofrimento não é um erro a ser eliminado, mas um enigma a ser escutado.

E escutar, nesse caso, não significa entender tudo rapidamente. Significa suportar o tempo necessário para que algo se revele, não como uma verdade pronta, mas como um encontro. Um encontro, às vezes desconcertante, com aquilo que em você escapa, insiste, retorna.

Ao longo desse percurso, algo pode se transformar. Não porque alguém te disse o que fazer, mas porque você pôde construir outra relação com aquilo que te atravessa. O que antes aparecia como repetição sem saída pode, pouco a pouco, ganhar novas bordas, novos sentidos, novos destinos.

A clínica é esse lugar raro onde não é preciso ter respostas imediatas. Onde não há exigência de ser coerente o tempo todo. Onde você pode, inclusive, não saber, e, ainda assim, falar.

Porque há coisas que só se tornam possíveis quando encontram escuta.

E, às vezes, é apenas isso que faltava.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Coragem

Sim, eu queria escrever. De maneira livre, sem preocupação com o tema, com onde chegar e o que dizer. Pra expressar mesmo, esse estado de não saber nomear nada, não saber dizer. Esses dias que a gente está com o coração apertado e as palavras não dão conta.

Você monta tudo, se empenha, faz o seu melhor, mas ainda assim nada é suficiente. O mundo é duro demais. Você espera, até. Treina a paciência, tenta contemplar, mas algo lá dentro te boicota, te impede de ver o avanço.

O corpo padece, porque a energia se esvai. Para quem te olha de fora, está tudo inteiro. Mas você - e só você - sabe que está quebrada, despedaçada, com medo. E então vem a pergunta: cadê essa coragem que todos dizem que você tem?

Sei lá.

Às vezes parece até um delírio coletivo. Ou talvez não. Talvez seja só você que já não se reconhece mais ali.

E isso é o que mais confunde: não é que nunca tenha existido. Existiu. Esteve ali por muito tempo. Era quase óbvio, natural. Você era corajosa e ponto. E agora se vê tentando negociar com algo que simplesmente não responde mais. Como se a coragem tivesse ido embora sem avisar. Pode isso?

É implacável. Não tem muito para onde correr. Ou você aceita e segue com a dor, ou se desfalece e abre espaço para o vazio tomar conta. Ir ou voltar? Insistir ou parar? Nem sempre dá para saber.

E talvez o mais duro seja esse ponto: quando você começa a duvidar de você mesma. Do que é seu. Do que você construiu. Do que você acreditava ser um dom, um caminho, um sentido. Você começa a questionar os laços, o lugar que ocupa, o porquê de tudo isso. Você questiona o seu propósito.

Nessa jornada, a gente vai perdendo coisas. Pessoas. Certezas. Versões de si. E o valor, que antes parecia tão evidente, começa a se diluir pelo caminho. É preciso um esforço quase silencioso para não se perder junto.

Tudo são travessias.
Longas. Difíceis. Injustas, às vezes.

Mas e daí?

Por que não você? Poderia ser qualquer um. E calhou de ser você.
Então… bem-vinda.

E no meio dessa tormenta interna, ainda assim, surgem pequenos lampejos. Discretos. Quase tímidos. Não chegam como grandes viradas, nem como respostas claras. Mas aparecem. Às vezes como um respiro. Às vezes como um dia um pouco menos pesado.

A coragem não é um estado constante; ela vai e volta, esconde-se nas sombras do medo e da dúvida, para depois nos impulsionar de forma quase silenciosa.

Talvez a coragem não tenha ido embora. Talvez ela só não seja mais aquilo que você achava que era.

Talvez coragem, agora, seja isso:

continuar mesmo sem se reconhecer,

seguir mesmo sem garantia,

sustentar a própria dúvida sem fugir dela.

Não tem nada de grandioso nisso. E justamente por isso, tem tudo.

Esse ciclo de perder e reencontrar forças é o que nos torna humanos, complexos e reais. Não precisamos mais carregar o peso de uma coragem inabalável o tempo todo. Permitir-se sentir vulnerável, aceitando a própria fragilidade, é também coragem.

A gente cresce achando que vai chegar num ponto de firmeza, de certeza, de estabilidade. Mas a vida não se organiza assim. Ela desorganiza, desmonta, refaz e muitas vezes sem pedir permissão.

Porque quando já não dá mais para sustentar a imagem de quem você deveria ser, sobra a possibilidade, ainda que frágil, de encontrar quem você é, ali, naquele resto.

Sem garantias. Sem aplauso. Sem certeza.

Só presença.

E se não houver um “chegar lá” que resolva tudo, mas apenas movimentos, idas, voltas, pausas?

E se o sentido dessa travessia não estiver no destino, mas no próprio ato de caminhar?

A dor, por mais difícil que seja, não é vazia. Ela diz de algo. Ela insiste. Ela aponta. Revela que estamos vivos, que estamos lutando, acreditando em algo maior, mesmo que ainda não saibamos o quê.

E talvez exista algo de muito verdadeiro quando tudo isso cai.

Então, siga.

Mesmo sem saber.

Mesmo sem ter respostas.

Mesmo sem se sentir pronta.

Às vezes, é justamente aí que algo começa.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Por que, mesmo tão conectados, seguimos tão inquietos?

Vivemos em uma época em que tudo parece estar ao alcance de um toque. Informação, comunicação, trabalho, entretenimento, tudo circula com uma velocidade impressionante. Ainda assim, algo não acompanha esse ritmo: a nossa capacidade de elaborar o que vivemos. E é nesse descompasso que a ansiedade encontra terreno fértil.

A sensação de estar sempre atrasado, sempre devendo algo, sempre precisando responder, produzir ou decidir rapidamente se tornou parte do cotidiano. Não se trata apenas de uma sobrecarga externa, mas de um modo de funcionamento que atravessa o sujeito. A exigência não vem só de fora, ela é internalizada, transformando-se em uma cobrança constante, muitas vezes silenciosa, mas insistente.

Do ponto de vista psicanalítico, a ansiedade não é simplesmente um sintoma a ser eliminado. Ela é um sinal. Algo que indica que há um conflito em jogo, algo que não está encontrando lugar na fala, algo que escapa à simbolização. Em outras palavras, a ansiedade fala, ainda que sem palavras.

Na era digital, esse cenário se intensifica. Somos atravessados por uma lógica de desempenho, comparação e exposição contínua. Redes sociais criam vitrines de vidas editadas, recortes cuidadosamente selecionados que, embora saibamos não serem a totalidade, produzem efeitos muito reais. Surge, então, uma sensação difusa de inadequação: nunca é suficiente, nunca é o bastante, nunca se chega lá.

Mas o que é esse “lá”?

Essa é uma pergunta fundamental. Porque, muitas vezes, o sofrimento não está apenas na pressão, mas na falta de um desejo próprio que sustente o sujeito. Quando o referencial passa a ser externo, métricas, curtidas, produtividade, validação, o sujeito se distancia de si mesmo. E quanto mais distante, mais difícil é sustentar escolhas, limites e até mesmo o próprio descanso.

A ansiedade, nesse contexto, pode ser entendida como um excesso. Excesso de estímulos, de demandas, de expectativas. Mas também como um vazio, a falta de um ponto de ancoragem subjetivo. Algo que permita ao sujeito dizer: “isso é meu”, “isso me diz respeito”, “isso eu quero”.

A tecnologia, por si só, não é o problema. Ela amplia possibilidades, conecta, facilita, transforma. O ponto central não está no uso, mas na relação que cada um estabelece com ela. Para alguns, ela se torna uma ferramenta. Para outros, um campo de captura, onde o sujeito se vê constantemente convocado a responder, a aparecer, a performar.

É interessante observar como o tempo também se transforma. Não há mais pausas claras. O trabalho invade o descanso, o descanso é atravessado por notificações, o silêncio é rapidamente preenchido por estímulos. E o que se perde nesse processo é justamente o espaço necessário para que algo do sujeito possa emergir.

Na psicanálise, o silêncio não é ausência. É condição. É no intervalo, na pausa, no não preenchido, que algo pode surgir. Mas, na lógica atual, o vazio é frequentemente vivido como algo insuportável. Precisa ser imediatamente preenchido, anestesiado, evitado.

E é justamente aí que a ansiedade se intensifica.

Porque aquilo que não encontra espaço para ser elaborado retorna de outra forma: no corpo, nos pensamentos acelerados, na dificuldade de descansar, na sensação de estar sempre em alerta. Não se trata de fraqueza, nem de falta de controle. Trata-se de algo que insiste, porque ainda não pôde ser escutado.

A proposta de uma escuta psicanalítica não é oferecer respostas prontas, nem técnicas rápidas para “controlar” a ansiedade. É, antes, criar um espaço onde ela possa ser interrogada. Onde o sujeito possa se aproximar do que o angustia, não para se afundar nisso, mas para começar a dar forma, nome e sentido.

Ao longo desse processo, algo importante acontece: o sujeito deixa de ser apenas alguém que sofre com a ansiedade e passa a se implicar nela. Isso não significa culpa, mas responsabilidade, no sentido de poder se perguntar sobre o lugar que ocupa na própria história.

E essa mudança, ainda que sutil, é profundamente transformadora.

Porque, quando algo começa a fazer sentido, o sofrimento deixa de ser apenas um excesso sem direção e pode se tornar um caminho de elaboração. A ansiedade não desaparece magicamente, mas pode perder sua força paralisante. Ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser também uma via de acesso a algo mais profundo.

Talvez a grande questão do nosso tempo não seja como eliminar a ansiedade, mas como escutá-la em meio a tanto ruído.

Em um mundo que exige respostas rápidas, parar para falar e, mais ainda, para se escutar, pode parecer um luxo. Mas, na verdade, é uma necessidade. Porque, no fim, não se trata apenas de estar conectado com tudo. Mas de, em algum momento, conseguir se reconectar consigo mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Sessão de Análise on-line?

A psicanálise on-line ainda provoca resistência, sobretudo entre aqueles que a associam rigidamente ao setting clássico: o divã, o consultório, a presença física. A crítica mais comum é a de que, ao sair desse enquadre tradicional, a prática perderia sua eficácia ou mesmo “trairia” os fundamentos da psicanálise. No entanto, essa leitura tende a confundir forma com estrutura. A psicanálise nunca se sustentou apenas pelo espaço físico, mas, sobretudo, por uma ética, por uma posição do analista e por uma lógica de escuta que opera a partir da linguagem e da transferência.

Do ponto de vista clínico, o que está em jogo não é a presença corporal em si, mas a possibilidade de instauração da transferência, da associação livre e da escuta do inconsciente. E isso se dá, fundamentalmente, pela via da խոսa. A palavra, mesmo mediada por uma tela, continua sendo o material privilegiado da análise. O inconsciente não depende da proximidade física para se manifestar; ele se estrutura como linguagem e, portanto, pode emergir em qualquer dispositivo que sustente essa lógica.

É claro que o atendimento on-line introduz modificações no setting e exige do analista um manejo específico. A tela, o tempo, as possíveis interferências do ambiente do paciente, tudo isso faz parte da cena e precisa ser incluído na escuta, não eliminado. Em vez de serem vistos como obstáculos, esses elementos podem, inclusive, revelar aspectos importantes da posição subjetiva do analisando: como ele se coloca, de onde fala, o que mostra ou esconde do seu espaço, como lida com a presença/ausência do outro.

A ideia de que a psicanálise on-line “foge às regras” parte, muitas vezes, de uma compreensão normativa e pouco viva da própria psicanálise. Freud nunca trabalhou com uma técnica rígida e imutável; ao contrário, foi inventando o dispositivo a partir da clínica. Lacan, por sua vez, radicaliza essa posição ao afirmar que a psicanálise é uma prática que se orienta pelo real, e não por protocolos fixos. O setting não é um ritual a ser preservado a qualquer custo, mas uma construção que deve servir ao trabalho analítico.

Isso não significa que tudo seja possível ou que não haja critérios. A psicanálise on-line exige rigor, ética e responsabilidade. Nem todo caso se adapta da mesma forma, e o analista precisa avaliar, caso a caso, as condições de trabalho. Mas descartá-la de antemão, em nome de uma suposta pureza técnica, pode ser mais uma forma de resistência do que uma defesa consistente da prática.

Em muitos casos, inclusive, o on-line ampliou o acesso à análise, permitindo que pessoas que antes não teriam condições de sustentar um processo analítico pudessem iniciar ou continuar seu tratamento. A questão, portanto, talvez não seja se a psicanálise on-line é “válida” ou “legítima”, mas se ela consegue sustentar o essencial da experiência analítica: um espaço onde o sujeito possa falar, se escutar e produzir deslocamentos em sua relação com o próprio desejo.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Agende sua consulta!

Muitas pessoas chegam até mim dizendo que estão cansadas, mas não é um cansaço físico apenas.

É uma sensação constante de estar devendo, de nunca ser suficiente, mesmo quando fazem tudo o que precisam.

Por fora, a vida segue: trabalho, responsabilidades, rotina.
Por dentro, algo não se acalma.

A mente não para.
O descanso não vem.
E, aos poucos, tudo começa a pesar.

Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso que não encontra lugar no dia a dia.
Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você possa falar e, a partir disso, escutar algo do que está em jogo na sua própria história.

Atendo pessoas que lidam com ansiedade, excesso de cobrança interna, dificuldade de se desligar do trabalho e essa sensação persistente de insuficiência.

Se algo disso te toca, você pode me escrever.
Podemos começar por uma conversa.

sábado, 14 de março de 2026

A cura que não promete cura!

Na tradição médica, a cura costuma ser pensada como a eliminação de um sintoma, o restabelecimento de um funcionamento considerado normal ou o retorno a um estado anterior de equilíbrio. A psicanálise, desde seu nascimento com Sigmund Freud, desloca profundamente essa concepção. O sintoma, para a psicanálise, não é apenas um erro do organismo ou uma disfunção a ser corrigida. Ele é uma formação de compromisso, uma solução singular que o sujeito encontrou para lidar com aquilo que, em sua história, não pôde ser plenamente simbolizado.

Por isso, falar de cura em psicanálise exige cautela. Não se trata de apagar o sintoma como quem remove um defeito técnico. A experiência analítica mostra que o sintoma é também portador de sentido, ainda que esse sentido não esteja imediatamente disponível à consciência. Ele fala de uma história, de um desejo, de uma posição subjetiva diante do outro e do mundo. Nesse ponto, a psicanálise introduz uma diferença fundamental em relação aos modelos terapêuticos centrados na adaptação ou na normalização.

Para Jacques Lacan, o inconsciente não é apenas um reservatório de conteúdos reprimidos, mas uma estrutura que se manifesta na linguagem. O sujeito fala, e ao falar diz sempre mais do que pretende dizer. Na análise, o trabalho não consiste em fornecer respostas ou soluções prontas, mas em sustentar um espaço onde algo do inconsciente possa emergir na palavra. O que se transforma, portanto, não é apenas o sintoma em si, mas a relação que o sujeito estabelece com ele.

Freud já indicava algo dessa lógica ao falar de uma “transformação da miséria neurótica em infelicidade comum”. Essa formulação, frequentemente mal compreendida, não significa resignação diante do sofrimento, mas um deslocamento da posição subjetiva. A análise não promete uma vida sem conflito. Ela permite, no entanto, que o sujeito deixe de estar completamente capturado por repetições inconscientes que se impõem sem possibilidade de elaboração.

Nesse sentido, a cura analítica não pode ser pensada como um ponto final ou como um estado de completude. A psicanálise parte justamente do reconhecimento de que o sujeito é estruturalmente marcado por uma falta. Não há sujeito pleno, totalmente reconciliado consigo mesmo. O desejo humano se organiza em torno dessa falta constitutiva, e é ela que também sustenta o movimento da vida psíquica.

Talvez seja por isso que a cura, em psicanálise, apareça menos como um resultado técnico e mais como uma experiência subjetiva de deslocamento. Algo muda quando o sujeito pode se escutar de outra maneira. Quando aquilo que antes aparecia apenas como sofrimento opaco começa a ganhar contornos de narrativa, de história, de sentido possível.

Há um momento na análise em que algo da própria vida pode ser retomado não apenas como uma sucessão de acontecimentos, mas como uma trama singular que merece ser dita. Quando o sujeito se autoriza a falar de sua história sem a necessidade de encaixá-la em modelos ideais de vida ou de normalidade, algo se transforma em sua posição diante de si mesmo.

Talvez não exista cura no sentido clássico da palavra. A psicanálise não promete apagar o mal-estar que acompanha a condição humana. Mas quando alguém pode reconhecer que sua história, com suas rupturas, impasses e contradições, é digna de ser escutada e contada, algo fundamental já se deslocou.

Nesse ponto, a cura deixa de ser a eliminação do sofrimento e passa a ser a possibilidade de habitar a própria história de outra maneira. Porque, muitas vezes, o que estava em jogo não era apenas o sintoma, mas a impossibilidade de encontrar um lugar para aquilo que, na própria vida, insistia em permanecer sem palavra.

Minha travessia da tecnologia à psicologia!

Há mudanças na vida que não acontecem de forma abrupta. Elas vão sendo gestadas lentamente, quase em silêncio, até que um dia encontram uma forma concreta de existir. Receber minha inscrição no Conselho Regional de Psicologia marca justamente esse ponto de passagem. Um momento em que um percurso interno se torna também uma realidade profissional.

Durante muitos anos, minha vida esteve ligada à tecnologia. Atuei como Analista de Sistemas em empresas de diferentes setores, participando de projetos, lidando com estruturas complexas, processos, dados, prazos e soluções técnicas. O trabalho exigia raciocínio lógico, organização e a capacidade de compreender sistemas que, embora invisíveis para muitos, sustentam grande parte do funcionamento das organizações contemporâneas. Havia algo fascinante na ideia de mapear um problema, compreender sua estrutura e construir caminhos para que ele funcionasse melhor.

A tecnologia trabalha com arquiteturas. Sistemas são compostos por partes que se conectam, trocam informações e produzem resultados. Uma pequena alteração em um ponto pode gerar efeitos em toda a estrutura. Com o tempo, percebi que algo semelhante também acontecia no campo humano, ainda que de forma muito mais complexa e imprevisível. As pessoas também são atravessadas por histórias, relações, conflitos, desejos e experiências que se entrelaçam como uma espécie de rede invisível.

Foi dessa percepção que nasceu, pouco a pouco, meu interesse pela psicologia. Se no universo da tecnologia buscamos compreender a lógica dos sistemas, na psicologia buscamos escutar algo da lógica singular de cada sujeito. Enquanto o sistema tecnológico busca estabilidade e previsibilidade, a vida psíquica é marcada justamente pelo que escapa, pelo que não se encaixa perfeitamente, pelo que insiste em se repetir sem uma explicação imediata.

A passagem da tecnologia para a psicologia não foi uma ruptura, mas uma travessia. Um deslocamento de olhar. Antes eu trabalhava com sistemas construídos para funcionar de forma eficiente. Agora me dedico a escutar sujeitos que muitas vezes chegam justamente quando algo deixou de funcionar como antes em suas vidas. No lugar de códigos e arquiteturas digitais, encontro histórias, afetos, impasses e perguntas que não possuem respostas prontas.

Se na tecnologia o objetivo costuma ser corrigir falhas e otimizar processos, na clínica psicológica o trabalho é de outra ordem. Não se trata de consertar pessoas, mas de criar um espaço onde algo de sua própria experiência possa ser escutado e elaborado. O sofrimento humano raramente se apresenta como um erro técnico que precisa ser eliminado. Ele carrega sentidos, histórias e marcas que fazem parte da trajetória de cada sujeito.

A experiência anterior no campo tecnológico também me permite olhar com atenção para o mundo em que vivemos hoje. A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ocupar um lugar central na forma como nos relacionamos, trabalhamos, pensamos e nos percebemos. Redes sociais, conectividade permanente, inteligência artificial e transformações digitais produzem impactos profundos na subjetividade contemporânea. Compreender essa intersecção entre psicologia e tecnologia tornou-se parte importante do meu percurso.

Receber a inscrição profissional como psicóloga não significa abandonar o caminho anterior, mas reconhecer que ele também faz parte da construção do que sou hoje. Cada experiência vivida, cada projeto desenvolvido e cada encontro ao longo dos anos compõem a história que me trouxe até aqui.

Agora se abre uma nova etapa. Uma etapa marcada pela escuta clínica, pelo encontro com diferentes histórias e pela possibilidade de acompanhar pessoas em seus processos de reflexão e transformação. A clínica não é um lugar de certezas absolutas, mas um espaço onde perguntas podem ser sustentadas e elaboradas com cuidado.

Talvez seja justamente isso que une, de forma inesperada, esses dois mundos que marcaram minha trajetória. Tanto na tecnologia quanto na psicologia existe um interesse profundo em compreender estruturas, conexões e processos. A diferença é que, na clínica, o que está em jogo não é apenas o funcionamento de um sistema, mas a singularidade de uma vida.

Hoje, ao iniciar oficialmente minha atuação como psicóloga, tenho a sensação de que essa mudança não representa apenas um novo título profissional. Ela simboliza um movimento mais amplo de escuta, curiosidade e abertura para a complexidade da experiência humana. Um caminho que começou há muito tempo e que agora encontra sua forma de se concretizar.

A vida adulta está longe de ser um tempo de respostas prontas.

A vida adulta costuma ser vista como o momento em que tudo deveria estar resolvido. Espera-se que o adulto saiba o que quer, tenha clareza sobre suas escolhas, controle suas emoções e consiga lidar com as responsabilidades da vida cotidiana.

Mas a experiência mostra que a vida adulta está longe de ser um tempo de respostas prontas.

É justamente nesse período que muitas pessoas se veem atravessadas por diferentes exigências: trabalho, relações afetivas, família, responsabilidades financeiras, expectativas sociais e projetos de vida. Ao mesmo tempo em que se constrói uma trajetória, surgem também dúvidas, conflitos e momentos de impasse.

Muitas pessoas chegam à vida adulta com a sensação de que precisam dar conta de tudo. Ser produtivo, bem-sucedido, emocionalmente estável, presente nas relações e capaz de responder rapidamente às demandas do mundo. Porém, por trás dessa expectativa de controle, frequentemente existem cansaço, ansiedade, insegurança e a sensação de que algo não está exatamente no lugar.

Nem sempre é fácil falar sobre isso.

Na rotina acelerada da vida adulta, muitas vezes os espaços de escuta vão se tornando cada vez mais raros. Conversas acabam sendo rápidas, superficiais ou atravessadas pelas urgências do cotidiano. Com o tempo, sentimentos importantes podem acabar sendo silenciados ou adiados indefinidamente.

A psicologia pode oferecer um espaço diferente.

Um espaço onde o sujeito pode falar sobre sua própria experiência sem precisar corresponder a expectativas externas. Um lugar onde questões relacionadas ao trabalho, às relações afetivas, à família, à identidade, ao desejo e às escolhas de vida podem ser pensadas com mais profundidade.

Na clínica psicológica, não se trata apenas de resolver problemas imediatos, mas de compreender como cada pessoa se relaciona com sua própria história, com seus conflitos e com as decisões que atravessam seu caminho.

Vivemos também em uma época marcada por transformações rápidas, especialmente no mundo do trabalho e da tecnologia. A conectividade constante, as novas formas de organização profissional, o trabalho remoto, as redes sociais e o fluxo contínuo de informações criam um cenário em que as fronteiras entre vida pessoal e profissional muitas vezes se tornam difusas.

Esse contexto pode gerar novas possibilidades, mas também novas formas de pressão e exigência subjetiva. Muitas pessoas sentem dificuldade em se desconectar, em encontrar tempo para si mesmas ou em compreender o impacto dessas transformações na própria vida emocional.

Pensar sobre essas experiências também faz parte do trabalho psicológico.

A análise e a psicoterapia não oferecem respostas prontas nem modelos de vida a seguir. Elas criam um espaço onde o sujeito pode escutar algo de si mesmo, compreender melhor sua posição diante da própria história e, a partir daí, encontrar caminhos mais próprios para viver.

A vida adulta não precisa ser apenas um lugar de obrigações e respostas automáticas. Ela também pode ser um momento de reflexão, elaboração e transformação.

Porque, mesmo quando tudo parece estar funcionando por fora, muitas vezes ainda existem perguntas importantes esperando para serem escutadas.

A infância é um período intenso de desenvolvimento emocional.

A infância costuma ser lembrada como um tempo de leveza, brincadeiras e descobertas. E, de fato, é uma fase cheia de imaginação, curiosidade e aprendizado. É quando o mundo começa a ganhar forma: as primeiras amizades, as experiências na escola, as perguntas sobre tudo o que existe ao redor.

Mas a infância também é um período intenso de desenvolvimento emocional.

As crianças estão aprendendo a lidar com sentimentos, frustrações, medos, perdas e mudanças. Muitas vezes ainda não possuem palavras suficientes para explicar o que estão sentindo. Por isso, aquilo que acontece dentro delas aparece de outras maneiras: no comportamento, nas brincadeiras, nos desenhos, no corpo ou nas relações com os outros.

Uma criança pode ficar mais quieta, mais irritada, apresentar dificuldades na escola, medo de separação, dificuldades para dormir ou mudanças repentinas de comportamento. Nem sempre esses sinais significam apenas uma fase passageira. Muitas vezes são formas de expressar algo que ainda não conseguiu ser dito em palavras.

Na psicologia, a infância é compreendida como um momento fundamental na constituição da subjetividade. É nesse período que a criança começa a construir sua forma de se relacionar com o mundo, com os outros e consigo mesma. As experiências vividas nessa fase ajudam a formar a base emocional que acompanhará o sujeito ao longo da vida.

Por isso, quando uma criança encontra um espaço de escuta, algo importante pode acontecer.

Na clínica psicológica infantil, a criança não precisa “explicar” tudo o que sente da maneira como um adulto faria. O brincar, os jogos, os desenhos e as histórias também fazem parte da linguagem da criança. Através dessas formas de expressão, ela pode mostrar seus medos, seus conflitos, suas fantasias e suas perguntas sobre o mundo.

O atendimento psicológico infantil é, antes de tudo, um espaço de cuidado e compreensão da experiência da criança.

Hoje, as crianças também crescem em um mundo profundamente atravessado pela tecnologia. Tablets, celulares, jogos digitais, vídeos e redes sociais fazem parte do cotidiano de muitas famílias. Esse universo pode trazer aprendizado, criatividade e novas formas de interação, mas também levanta questões importantes sobre atenção, limites, relações e desenvolvimento emocional.

Pensar sobre como a infância se constrói nesse cenário contemporâneo também faz parte do trabalho psicológico.

Crescer é um processo complexo, cheio de descobertas e desafios. Quando uma criança encontra um espaço onde pode ser escutada e compreendida, ela ganha a possibilidade de elaborar seus sentimentos, desenvolver recursos emocionais e fortalecer sua forma própria de estar no mundo.

Porque, mesmo quando ainda não encontra as palavras, toda criança tem algo a dizer sobre aquilo que vive e sente.

O envelhecimento é uma etapa importante da vida!

O envelhecimento é uma etapa importante da vida e, muitas vezes, também uma das menos faladas quando se trata de emoções, desejos e subjetividade.

Existe uma ideia comum de que, ao chegar à velhice, a pessoa já viveu tudo o que precisava viver. Como se as grandes transformações já tivessem ficado para trás. Como se as perguntas sobre a vida, sobre o sentido das coisas ou sobre si mesmo deixassem de existir.

Mas a experiência mostra que não é assim.

Envelhecer também traz mudanças profundas. Mudanças no corpo, no ritmo da vida, nas relações, nas atividades do cotidiano. Muitas vezes chegam também transformações importantes na família, aposentadoria, mudanças na rotina, perdas, despedidas ou a necessidade de reinventar o próprio lugar no mundo.

Algumas dessas mudanças podem ser vividas com tranquilidade. Outras, porém, despertam sentimentos difíceis de nomear: solidão, sensação de vazio, saudade, medo do futuro ou a impressão de que a vida perdeu parte do seu movimento.

Em muitos casos, o sofrimento nessa fase da vida acaba sendo silenciado. Existe uma expectativa social de que a pessoa mais velha deve ser sempre forte, compreensiva, resignada. Muitas vezes ela se torna aquela que escuta todos, que cuida dos outros, que sustenta a família emocionalmente. No entanto, nem sempre existe um espaço onde ela própria possa falar sobre o que sente.

A psicologia pode ser justamente esse espaço.

Um lugar de escuta onde a história de vida pode ser contada, lembrada e também ressignificada. Um espaço onde é possível falar sobre perdas, transformações, dúvidas e desejos, sem julgamento e sem a expectativa de que certas questões já deveriam estar resolvidas.

A velhice não é apenas um tempo de perdas. Ela também pode ser um momento de elaboração, de reflexão e de construção de novos sentidos para a própria história. Muitas pessoas encontram nesse período uma oportunidade de olhar para a própria trajetória com mais profundidade, de compreender experiências passadas e de se reposicionar diante da vida.

Hoje, vivemos também em um mundo que muda rapidamente, especialmente por causa da tecnologia. Novas formas de comunicação, redes sociais, aplicativos, inteligência artificial e transformações digitais fazem parte do cotidiano. Para muitas pessoas mais velhas, isso pode despertar curiosidade, interesse e aprendizado; para outras, pode gerar estranhamento ou sensação de distância em relação às novas gerações.

Pensar sobre essas mudanças também faz parte da experiência de viver no mundo contemporâneo.

A psicologia não é apenas um recurso para momentos de crise. Ela pode ser um espaço de reflexão, de cuidado consigo mesmo e de valorização da própria história.

Cada vida carrega experiências únicas, atravessadas por escolhas, encontros, perdas e transformações. Poder falar sobre essa trajetória, dar novos sentidos ao que foi vivido e continuar elaborando a própria história é algo que não tem idade.

Porque, em qualquer momento da vida, ainda há muito a ser dito, pensado e compreendido sobre si mesmo.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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