Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Psicologia e Tecnologia - a vida é mesmo surpreendente!

E lá estava eu, toda empolgada e com um sorriso de orelha a orelha no meu primeiro dia de estágio em psicologia. Depois de anos trabalhando com tecnologia, finalmente estava pronta para lidar com os "bugs" da mente humana. Mas confesso que fiquei um pouco perdida quando meu supervisor me pediu para "debugar" um paciente. Pensei em perguntar se precisava baixar um programa específico, mas percebi que não seria a melhor ideia, kkk. Enfim, estou aqui para aprender e colocar em prática tudo o que estudei, ou pelo menos tentar. E quem sabe, um dia eu consigo entender a mente humana tão bem quanto entendo os códigos de programação. 

Por exemplo, em vez de falar em "armazenar dados" estamos falando em "armazenar memórias", e em vez de "processar informações" estamos falando em "processar emoções". E não podemos esquecer das nossas "ferramentas de trabalho", que antes eram teclados e mouse, mas agora são lápis e papel para anotar nossas observações sobre os pacientes. E não podemos esquecer do famoso "reset" do computador, agora podemos usar técnicas de relaxamento e meditação para dar um "reset" em nossa mente. 

E não podemos esquecer dos famosos bits e bytes, agora trocamos isso por insights e empatia, que são os elementos-chave para entender e ajudar nossos pacientes de maneira mais eficaz. 

Afinal, não podemos simplesmente reiniciar ou reinstalar uma pessoa como fazemos com um computador! Mas, assim como na tecnologia, quando conseguimos fazer tudo funcionar em harmonia, os resultados são incríveis. 

1.       Computador: a mente humana pode ser comparada a um computador, pois ambos lidam com informações, pensamentos, memórias e decisões ao longo do dia. 

2.       Software: assim como o software pode ser atualizado, a terapia pode ajudar a pessoa a rever formas de pensar, sentir e lidar com a vida. 

3.       Hardware: assim como um computador precisa de peças para funcionar, o corpo é fundamental para o equilíbrio emocional e mental. 

4.       Programação: não se “programa” uma pessoa, mas é possível compreender e elaborar padrões internos que se repetem e causam sofrimento. 

5.       Internet: a internet pode ser uma fonte de informação e também permitir o encontro entre pessoas e o atendimento psicológico online. 

6.       Rede: assim como uma rede conecta computadores, os vínculos e relações ajudam a sustentar emocionalmente as pessoas. 

7.       Servidor: o psicólogo oferece um espaço de escuta, acolhimento e presença para que a pessoa possa falar de si com segurança. 

8.       Nuvem (Cloud): a mente guarda memórias, experiências e emoções que nem sempre estão acessíveis de forma clara no dia a dia. 

9.       Aplicativo (App): alguns aplicativos podem apoiar o autocuidado e a organização emocional no cotidiano. 

10.   Smartphone: o uso excessivo pode afetar o sono, a atenção e o bem-estar emocional, sendo importante encontrar equilíbrio. 

11.   Tablet: pode ser uma ferramenta de apoio em consultas, ajudando na explicação de conteúdos ou exercícios reflexivos. 

12.   Dispositivo móvel: permite acesso a informações e apoio emocional em diferentes lugares e momentos. 

13.   Sistema operacional: o cérebro organiza funções do corpo e da mente, permitindo que a pessoa lide com a vida diária. 

14.   Banco de dados: a mente guarda lembranças e experiências que influenciam a forma como a pessoa sente, percebe e se relaciona. 

15.   Segurança da informação: no campo emocional, está ligada ao cuidado, sigilo e proteção do que é compartilhado em um espaço de confiança. 

16.   Firewall: pode ser comparado a formas de proteção emocional que ajudam a pessoa a lidar com situações difíceis. 

17.   Antivírus: assim como protege o computador, a terapia pode ajudar a pessoa a elaborar pensamentos e emoções que causam sofrimento. 

18.   Criptografia: algumas experiências internas não são claras de imediato e precisam de tempo, reflexão e elaboração para serem compreendidas. 

19.   Big data: grandes volumes de informações podem ajudar pesquisas a identificar padrões gerais de comportamento humano, mas não explicam cada pessoa em sua singularidade. 

20.   Inteligência artificial (IA): pode ser uma ferramenta de apoio, mas não substitui a escuta humana, a história pessoal e o vínculo terapêutico. 

21.   Aprendizado de máquina: sistemas conseguem reconhecer padrões, mas não alcançam a complexidade da experiência emocional de cada pessoa.

22.   Realidade virtual (VR): pode ser usada como ferramenta de apoio em alguns contextos, permitindo experiências simuladas que ajudam a pessoa a elaborar emoções e medos.

Mas isso não é o caso dos seres humanos. Eu aprendi que os humanos não podem ser rebootados o tempo todo, nem todos podem ser formatados ou restaurados para as configurações padrão de fábrica.

Bem-vindo ao "PsiTech"! Aqui, misturamos os mundos da tecnologia e da psicologia de uma forma única e divertida. Afinal, a vida não precisa ser sempre tão séria, certo?

O cérebro é o hardware, e a mente é o software. Assim como a tecnologia precisa de atualizações e manutenção regular, a mente humana também precisa de cuidados e atenção constante para se manter saudável e funcionando corretamente.

Mas, assim como o código mal escrito pode levar a falhas no sistema, experiências negativas ou traumas podem causar disfunções emocionais e psicológicas. E não se preocupe, não é necessário reformatar o cérebro para corrigir esses problemas. A terapia é como um bom antivírus - ajuda a limpar o "vírus" emocional e permite que a mente funcione melhor.

E o que dizer das emoções? A tecnologia pode ser muito racional, mas as pessoas são movidas pela emoção. Às vezes, como um software desatualizado, as emoções podem ser confusas e causar problemas. Mas não se preocupe, os profissionais de psicologia estão aqui para ajudar a criar uma atualização emocional e resolver esses problemas.

E assim como a tecnologia tem seus backups e armazenamento em nuvem, a mente também pode usar uma ajudinha extra. Amigos, familiares e profissionais de saúde mental podem atuar como backups emocionais, fornecendo apoio e orientação quando necessário.

Então, se você está se sentindo como um programa travado, não se preocupe. Há muitas soluções disponíveis aqui para ajudá-lo a recuperar o controle da sua mente. Lembre-se, você é como um sistema operacional - com atualizações regulares e manutenção adequada, pode funcionar sem problemas por muitos anos.

 

Confissões de uma Escritora com Poucos Seguidores e Muitos Textos Não Lidos

Ah, a vida de um escritor solitário em meio a uma multidão de poucos seguidores! Aqui estou eu, destemidamente mergulhando nas profundezas do desconhecido ciberespaço, publicando textos com uma devoção inabalável e recebendo um retorno tão caloroso quanto um abraço de um boneco de neve. É realmente um caso de amor unilateral entre mim e o vazio silencioso das minhas estatísticas. Talvez eu deva começar a usar hashtags mais dramáticas, como #DesesperoLiterário ou #CadêMeusSeguidoresDeVerdade?

Quando despejo palavras no meu teclado, sinto-me como um pastor pregando no deserto. Eu me pergunto se as letras dançam na tela apenas para meu próprio prazer, como se estivesse assistindo a um show privado de entretenimento exclusivo. Seria eu o artista de um espetáculo solitário, o único espectador na plateia de meu próprio universo literário?

Ah, as redes sociais, esse lugar mágico onde as fotos de gatos se tornam virais e as selfies se multiplicam como em uma ilusão de ótica. Enquanto isso, minhas palavras flutuam no oceano digital como uma garrafa sem destinatário, navegando sem rumo, esperando ser descoberta por um navegador curioso. Será que os algoritmos se confundem ou o problema está mesmo com as minhas mensagens?

Eu me pego sonhando com uma horda de seguidores sedentos, devorando cada vírgula, ponto e exclamação que saem dos meus dedos frenéticos. Seria um exército de fãs esperando ansiosamente por meus próximos escritos, como se eu fosse uma pop star da literatura (mas sem dancinhas nas plataformas).

Mas, ei, talvez eu esteja olhando para tudo errado. Talvez eu seja a escritora mais exclusiva do planeta! Afinal, quantos artistas têm a sorte de ter uma audiência tão seleta? Tenho a honra de ser lida por um grupo tão íntimo de pessoas, tão íntimo que inclui minhas filhas, minha cachorrinha sonolenta e um primo distante que só sabe que eu escrevo, porque minha tia comentou uma vez no almoço de Natal e ele nem sabe que eu sei que ele sabe, kkk).

Então, aqui estou eu, firme e confiante, continuando a escrever com paixão, mesmo sabendo que minhas palavras podem se perder em algum lugar entre a vastidão da internet e o caos das timelines. Eu posso não ter seguidores, mas estou aqui para espalhar inspiração e algumas experiências dolorosas (se você acha que suas experiências são ruins, espere até ler as minhas!). E se um único leitor encontrar conforto, entretenimento ou um breve momento de diversão nas minhas palavras, então minha missão estará cumprida.

E, quem sabe, talvez um dia o mundo descubra a gênia que eu sou e minha legião de seguidores cresça além dos limites da imaginação. E se isso não acontecer, bem, pelo menos posso me gabar de ser a melhor escritora que só eu conheço! Até lá, vou continuar escrevendo para aqueles que me encontrarem, afinal, quem precisa de multidões quando se pode ter alegria em doses homeopáticas? E se você está lendo isso agora, meu caro amigo desconhecido, saiba que você é um dos escolhidos, um dos privilegiados que descobriu essa joia literária. Ou talvez você tenha clicado acidentalmente. De qualquer forma, obrigada por estar aqui, meu caro leitor (ou curioso acidental). Você é demais! 

Agora, se me der licença, tenho um encontro marcado com uma xícara de café e uma tela em branco. O próximo texto está prestes a começar!

A Rainha do Tempo Livre: Dominando a Ciência do Descanso Não Remunerado

Sou a rainha do tempo livre, a mestra do ócio criativo e a defensora da liberdade não remunerada

Então, bravo! Bravíssimo! Ergo minha caneca para saudar a determinação, a ousadia e a capacidade de encontrar felicidade, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras. Que a minha jornada seja repleta de risadas, descobertas inspiradoras e momentos de pura euforia. Que ela me leve a lugares surpreendentes, permitindo que eu seja a autora da minha própria história e que eu encontre o poder e a inspiração na liberdade.

Ah, que sensação! A sensação de liberdade! É como flutuar em uma nuvem de tranquilidade enquanto todos os outros estão presos em suas rotinas maçantes de trabalho. Sim, eu, a aventureira destemida, tomei a decisão corajosa de pedir demissão antes de conseguir outro emprego. E agora estou aqui, desfrutando as maravilhas de uma vida sem compromissos profissionais (ou, em outras palavras, um período sabático involuntário). E protagonizando a Divina Comédia: ‘Rindo às Custas da Minha Conta Bancária”.

Primeiro, vamos falar sobre a alegria de acordar tarde todas as manhãs. Não há alarmes irritantes ou a pressa desesperada para chegar ao escritório. Posso simplesmente enrolar na cama como um preguiçoso e acordar naturalmente quando meu corpo decidir. Ah, a doce sensação de ignorar a existência do horário comercial! A desempregada descolada!

E o “uniforme” de trabalho? Adeus, roupas formais e desconfortáveis! Saltos altos, que horror!!! Agora eu posso passar o dia inteiro de pijama ou vestida com minha fantasia de super-herói, se assim desejar. Afinal, quem precisa de roupas elegantes quando se pode usar uma capa e lutar contra o crime imaginário na sala de estar?

E a melhor parte é poder se tornar uma especialista em ócio. Enquanto todos estão presos em suas mesas, eu posso mergulhar em um mar de séries e filmes, perder horas navegando em memes engraçados na internet ou aperfeiçoar minhas habilidades em jogos de vídeo game. O ócio é uma arte, e eu sou uma verdadeira mestra nessa área.

Ah, e vamos falar sobre a emoção de economizar dinheiro! Afinal, sem um salário chegando, é hora de ser criativa com o orçamento. Diga adeus aos jantares caros em restaurantes chiques e olá aos deliciosos banquetes de macarrão instantâneo. Quem precisa de gourmet quando se pode apreciar a simplicidade de um pacote de macarrão e um sachê de tempero?

Claro! Existem desafios na vida de uma desempregada. Como lidar com a pergunta constante dos amigos e familiares sobre "como está a busca por um novo emprego"? Bem, eu simplesmente respondo com uma risada descontraída e digo que estou aproveitando meu tempo para me descobrir e explorar novas oportunidades. Afinal, posso ser uma escritora de sucesso (trabalho para isso, kkk) ou até mesmo a primeira pessoa a viajar de férias para Marte (vai que ninguém queira se voluntariar, kkk).

Então, enquanto o mundo corre em sua rotina agitada, eu estou aqui, aproveitando cada momento da minha vida desempregada. Portanto, caros amigos, não tenham medo das adversidades! Em vez disso, abracem-nas com humor, criatividade e uma pitada de ousadia. Afinal, nunca se sabe quais surpresas incríveis podem estar esperando por nós quando decidimos trilhar um caminho diferente.

Afinal, a vida é muito curta para levarmos tudo tão a sério. Enquanto os outros se preocupam com suas carreiras e trajetórias profissionais, nós, desempregados de coração valente, temos a liberdade de explorar novas paixões, experimentar hobbies malucos e criar o nosso próprio caminho. Podemos ser inventores de ideias mirabolantes ou especialistas em desfrutar de um merecido descanso.

Sempre navegando por territórios desconhecidos e encontrando alegria nas situações mais improváveis. No final das contas, não é sobre o que os outros esperam de você, mas sobre como você escolhe viver sua vida. Então, siga em frente, o mundo está esperando para ver o que você fará em seguida!

O Ministério da Saúde adverte: estar desempregado pode trazer impactos financeiros e emocionais significativos. Embora tenha ressaltado o lado positivo do tempo livre, é importante reconhecer a importância da busca por emprego e estabilidade financeira. Cada situação é única e requer equilíbrio entre a exploração de novas paixões e a responsabilidade de construir um futuro sólido.  

Antes que os haters apareçam... bem, para quem mal tem seguidores, é difícil até conseguir haters, né? Mas, para os haters de plantão: reais, imaginários ou em treinamento, segue: 

COMUNICADO IMPORTANTE: Antes que alguém leve este texto ao pé da letra, vale o aviso: trata-se de uma brincadeira, escrita com humor e ironia para enfrentar um momento difícil. Tenho plena consciência dos meus privilégios e falo, sim, do alto deles. Sei que sou uma herdeira e reconheço que essa realidade não representa a situação da maioria das pessoas em um país que ainda enfrenta enormes desafios para gerar empregos e oferecer oportunidades dignas para todos, deixando uma parcela significativa da população desempregada ou em situação de vulnerabilidade. Também não ignoro que cheguei até aqui depois de 30 anos de trabalho diário, acordando muito cedo, chegando tarde em casa e cumprindo minhas responsabilidades com dedicação. Agora, faltando apenas dois anos para minha aposentadoria (se o INSS e a corrupção deixarem) escolho usar o humor para olhar para esta fase da vida, sem perder de vista a seriedade das dificuldades que tantas pessoas enfrentam todos os dias.

terça-feira, 5 de maio de 2026

O problema não é sermos influenciados ... é quando a influência se apresenta como se fosse desejo próprio.

Entre 1900 e hoje, algo mudou, mas talvez nem tanto.

Victor Tausk, psicanalista contemporâneo de Freud, descreveu pacientes que acreditavam estar sendo controlados por um “aparelho de influenciar”: uma máquina capaz de inserir pensamentos, manipular sensações e comandar o corpo. Na época, isso foi lido como delírio. 

Hoje, cercados por algoritmos, notificações e sistemas que antecipam nossos desejos, a pergunta se desloca: o que exatamente ainda nos pertence?

A psicanálise não diria que estamos “loucos”, mas nos convida a uma torção mais incômoda: o sujeito sempre foi atravessado por forças que não domina. 

A tecnologia não cria isso, ela materializa e intensifica. Entre o desejo e o comando, entre o clique e a captura, talvez o ponto não seja se somos influenciados, mas como consentimos com aquilo que nos determina sem que percebamos.


O problema não é sermos influenciados - é quando a influência se apresenta como se fosse desejo próprio.

Psicanálise: um percurso contínuo, autor por autor, cada um respondendo a limites do anterior.

A psicanálise começa com Sigmund Freud, que descobre algo decisivo: o sujeito é dividido. Existe um inconsciente que escapa à consciência e se manifesta em sonhos, sintomas e atos falhos. O eixo da teoria freudiana é o conflito psíquico, especialmente ligado à sexualidade infantil e ao complexo de Édipo. A clínica consiste em interpretar esse conflito, trazendo à palavra aquilo que foi recalcado.

Mas a obra de Freud deixa problemas em aberto. Um deles é: de onde vêm essas experiências internas tão intensas? É nesse ponto que entra Melanie Klein.

Klein desloca o foco para o início da vida. Para ela, desde muito cedo o bebê já vive relações intensas com objetos (principalmente a mãe), marcadas por amor, ódio, inveja e medo. O que Freud descrevia mais ligado ao Édipo, ela antecipa para fases muito primitivas. O centro deixa de ser apenas o conflito sexual e passa a ser o mundo interno povoado por objetos, que podem ser vividos como bons ou maus. A mente é, desde o início, um campo de relações.

Só que Klein ainda pensa muito em termos de fantasia interna. A pergunta seguinte surge quase naturalmente: e o ambiente real? e o cuidado recebido?

É aí que aparece Donald Winnicott. Ele não nega o mundo interno, mas diz que ele só se desenvolve bem se houver um ambiente suficientemente bom. O bebê não começa como um sujeito integrado, ele precisa de sustentação. Conceitos como holding, mãe suficientemente boa e falso self mostram que o problema psíquico pode surgir não apenas de conflitos internos, mas de falhas no ambiente. A clínica, então, não é só interpretar, mas oferecer condições para que algo do desenvolvimento possa acontecer.

Paralelamente (e, na verdade, antes mesmo de Winnicott), Sándor Ferenczi já estava apontando algo ainda mais incômodo: o trauma é real. Ele critica a tendência de reduzir tudo à fantasia e insiste que muitas vezes houve abuso, violência ou desmentido. O sujeito não apenas fantasiou, ele foi ferido. Além disso, Ferenczi percebe que a postura do analista importa: frieza e neutralidade excessiva podem repetir o trauma. Com ele, a psicanálise começa a assumir que é também uma relação ética, não só um método interpretativo.

A partir de Klein, outro desenvolvimento importante ocorre com Wilfred Bion. Ele pega a ideia de relações primitivas e dá um passo novo: pergunta como nasce a capacidade de pensar. Para Bion, o bebê vive experiências emocionais brutas que precisam ser transformadas. Se isso não acontece, a pessoa não consegue pensar, apenas descarrega, atua ou sofre. O analista, então, não é só quem interpreta conteúdos, mas quem ajuda a transformar experiências em algo pensável. A psicanálise vira, em parte, uma teoria sobre o próprio pensamento.

Por fim, há Jacques Lacan, que faz um movimento diferente: em vez de avançar “para frente”, ele propõe um retorno a Freud, mas por outro caminho, a linguagem. Lacan diz que o inconsciente não é só um reservatório de conteúdos, mas funciona como uma linguagem. O sujeito não é apenas alguém com conflitos ou traumas, mas alguém constituído pela fala, pela falta e pelo desejo. Com ele, a clínica se torna mais atenta à estrutura do discurso, aos significantes, aos cortes, menos centrada em desenvolvimento e mais na posição do sujeito na linguagem.


Freud: você é dividido pelo inconsciente

Klein: você vive em guerra com seus objetos internos

Winnicott: você depende de um ambiente que pode falhar

Ferenczi: você pode ter sido ferido de fato pelo outro

Bion: você pode não conseguir pensar o que sente

Lacan: você é efeito da linguagem e da falta


Se você olhar como um movimento contínuo, dá pra ver uma transformação bem clara:

  • Freud descobre o inconsciente e o conflito
  • Klein mostra que esse conflito já está em relações primitivas internas
  • Winnicott traz o peso do ambiente e do cuidado real
  • Ferenczi insiste no trauma vivido e na ética da relação
  • Bion explica como a mente aprende a pensar experiências
  • Lacan reconstrói tudo a partir da linguagem e do desejo

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Hoje faço um lugar pra mim!

Hoje eu decidi fazer um lugar pra mim.

Não, não é sair das redes, vender tudo e ir morar no mato (até porque o Wi-Fi ia fazer falta). Também não é baixar mais um app de produtividade achando que agora eu viro minha melhor versão em 7 dias.

É outra coisa.

Porque, se eu for bem honesta, eu já tô funcionando “bem demais”. Respondo rápido, entrego no prazo, dou conta de mil abas abertas. Sou praticamente um sistema em tempo real.

O problema é: em que momento eu entrei como usuária disso tudo?

Porque tem uma diferença grande entre operar a própria vida… e habitar ela.

E ultimamente, parece que eu tô mais no modo “execução automática” do que em qualquer outra coisa. Tipo quando você aceita todos os cookies sem ler e depois não entende por que tá sendo rastreada por anúncios estranhamente específicos.

Em algum ponto, eu fui me adaptando. Otimizando. Ajustando comportamento. Melhorando performance. Só não sei se isso incluía eu mesma no processo.

E aí vem aquele bug.

Nada trava de verdade, mas também nada roda direito. Um cansaço meio sem explicação. Uma vontade de fechar todas as abas, mas sem saber por onde começar. Um “tem algo errado” que não aparece em nenhum dashboard.

E talvez esteja mesmo. Talvez esteja faltando espaço.

Não espaço no calendário (esse já foi sequestrado faz tempo), mas espaço interno. Um lugar que não seja colonizado por demanda, urgência ou expectativa.

Um lugar onde eu não precise performar o tempo todo.

Só que isso não vem por default. Não tem configuração de fábrica pra isso. Não tem atualização automática que resolve. E, definitivamente, não tem algoritmo que entregue esse lugar pra você, porque, convenhamos, não é exatamente lucrativo.

Então hoje eu fiz uma coisa meio fora do script: parei de rodar no automático.

Não deletei minhas redes, não fiz detox digital, não virei uma pessoa zen. Só suspendi, por um momento, essa lógica de responder a tudo imediatamente.

E aí… silêncio.

Um silêncio meio desconfortável, tipo quando o sistema para de emitir alerta e você percebe que não sabe mais muito bem o que está procurando.

Mas talvez seja justamente aí que começa.

Fazer um lugar pra si, nesse contexto, não é sair do mundo digital, é deixar de ser completamente capturada por ele. É criar um intervalo onde nem tudo precisa ser otimizado, explicado ou resolvido.

A psicanálise trabalha mais ou menos nessa lógica. Não é sobre “corrigir bugs” ou melhorar performance. É sobre escutar o que insiste, o que repete, o que não encaixa, justamente o que nenhum sistema consegue prever totalmente.

É quase como recuperar acesso a uma parte sua que não está em nenhuma nuvem.

Hoje, fazer um lugar pra mim foi isso:

não ter todas as respostas,
não saber exatamente o que fazer com o que eu sinto,
mas, ainda assim, não me substituir por mais uma versão funcional de mim mesma.

Não parece muito.

Mas, num mundo que pede atualização constante, talvez sustentar esse espaço já seja um gesto revolucionário.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Ouvir não basta, é preciso se escutar

Há algo curioso no sofrimento: ele fala, mesmo quando tentamos silenciá-lo.

Às vezes, ele aparece como cansaço sem nome, como uma inquietação que não cessa, como a sensação de estar vivendo uma vida que não parece exatamente sua. Outras vezes, ele se repete: nas escolhas, nos encontros, nos desencontros, como se algo insistisse em retornar, mesmo quando tudo em você tenta seguir adiante.

É comum chegar à clínica com explicações prontas. “Eu sou ansioso.” “Eu sempre fui assim.” “Isso aconteceu por causa da minha história.” E, de algum modo, tudo isso pode até fazer sentido. Mas a experiência analítica começa justamente quando esse saber vacila, quando aquilo que parecia tão claro já não responde mais.

Porque falar, aqui, não é apenas contar o que aconteceu. É permitir que algo do que nunca pôde ser dito encontre um caminho. É se escutar para além do que você já sabe sobre si.

Na psicanálise, não se trata de corrigir comportamentos, nem de ajustar você a um ideal de funcionamento. Trata-se de sustentar um espaço onde a palavra possa ganhar outro valor, onde até mesmo os lapsos, os silêncios, as repetições e os desvios tenham lugar.

Há uma aposta nisso: a de que o sofrimento não é um erro a ser eliminado, mas um enigma a ser escutado.

E escutar, nesse caso, não significa entender tudo rapidamente. Significa suportar o tempo necessário para que algo se revele, não como uma verdade pronta, mas como um encontro. Um encontro, às vezes desconcertante, com aquilo que em você escapa, insiste, retorna.

Ao longo desse percurso, algo pode se transformar. Não porque alguém te disse o que fazer, mas porque você pôde construir outra relação com aquilo que te atravessa. O que antes aparecia como repetição sem saída pode, pouco a pouco, ganhar novas bordas, novos sentidos, novos destinos.

A clínica é esse lugar raro onde não é preciso ter respostas imediatas. Onde não há exigência de ser coerente o tempo todo. Onde você pode, inclusive, não saber, e, ainda assim, falar.

Porque há coisas que só se tornam possíveis quando encontram escuta.

E, às vezes, é apenas isso que faltava.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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