Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Ouvir não basta, é preciso se escutar

Há algo curioso no sofrimento: ele fala, mesmo quando tentamos silenciá-lo.

Às vezes, ele aparece como cansaço sem nome, como uma inquietação que não cessa, como a sensação de estar vivendo uma vida que não parece exatamente sua. Outras vezes, ele se repete: nas escolhas, nos encontros, nos desencontros, como se algo insistisse em retornar, mesmo quando tudo em você tenta seguir adiante.

É comum chegar à clínica com explicações prontas. “Eu sou ansioso.” “Eu sempre fui assim.” “Isso aconteceu por causa da minha história.” E, de algum modo, tudo isso pode até fazer sentido. Mas a experiência analítica começa justamente quando esse saber vacila, quando aquilo que parecia tão claro já não responde mais.

Porque falar, aqui, não é apenas contar o que aconteceu. É permitir que algo do que nunca pôde ser dito encontre um caminho. É se escutar para além do que você já sabe sobre si.

Na psicanálise, não se trata de corrigir comportamentos, nem de ajustar você a um ideal de funcionamento. Trata-se de sustentar um espaço onde a palavra possa ganhar outro valor, onde até mesmo os lapsos, os silêncios, as repetições e os desvios tenham lugar.

Há uma aposta nisso: a de que o sofrimento não é um erro a ser eliminado, mas um enigma a ser escutado.

E escutar, nesse caso, não significa entender tudo rapidamente. Significa suportar o tempo necessário para que algo se revele, não como uma verdade pronta, mas como um encontro. Um encontro, às vezes desconcertante, com aquilo que em você escapa, insiste, retorna.

Ao longo desse percurso, algo pode se transformar. Não porque alguém te disse o que fazer, mas porque você pôde construir outra relação com aquilo que te atravessa. O que antes aparecia como repetição sem saída pode, pouco a pouco, ganhar novas bordas, novos sentidos, novos destinos.

A clínica é esse lugar raro onde não é preciso ter respostas imediatas. Onde não há exigência de ser coerente o tempo todo. Onde você pode, inclusive, não saber, e, ainda assim, falar.

Porque há coisas que só se tornam possíveis quando encontram escuta.

E, às vezes, é apenas isso que faltava.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Coragem

Sim, eu queria escrever. De maneira livre, sem preocupação com o tema, com onde chegar e o que dizer. Pra expressar mesmo, esse estado de não saber nomear nada, não saber dizer. Esses dias que a gente está com o coração apertado e as palavras não dão conta.

Você monta tudo, se empenha, faz o seu melhor, mas ainda assim nada é suficiente. O mundo é duro demais. Você espera, até. Treina a paciência, tenta contemplar, mas algo lá dentro te boicota, te impede de ver o avanço.

O corpo padece, porque a energia se esvai. Para quem te olha de fora, está tudo inteiro. Mas você - e só você - sabe que está quebrada, despedaçada, com medo. E então vem a pergunta: cadê essa coragem que todos dizem que você tem?

Sei lá.

Às vezes parece até um delírio coletivo. Ou talvez não. Talvez seja só você que já não se reconhece mais ali.

E isso é o que mais confunde: não é que nunca tenha existido. Existiu. Esteve ali por muito tempo. Era quase óbvio, natural. Você era corajosa e ponto. E agora se vê tentando negociar com algo que simplesmente não responde mais. Como se a coragem tivesse ido embora sem avisar. Pode isso?

É implacável. Não tem muito para onde correr. Ou você aceita e segue com a dor, ou se desfalece e abre espaço para o vazio tomar conta. Ir ou voltar? Insistir ou parar? Nem sempre dá para saber.

E talvez o mais duro seja esse ponto: quando você começa a duvidar de você mesma. Do que é seu. Do que você construiu. Do que você acreditava ser um dom, um caminho, um sentido. Você começa a questionar os laços, o lugar que ocupa, o porquê de tudo isso. Você questiona o seu propósito.

Nessa jornada, a gente vai perdendo coisas. Pessoas. Certezas. Versões de si. E o valor, que antes parecia tão evidente, começa a se diluir pelo caminho. É preciso um esforço quase silencioso para não se perder junto.

Tudo são travessias.
Longas. Difíceis. Injustas, às vezes.

Mas e daí?

Por que não você? Poderia ser qualquer um. E calhou de ser você.
Então… bem-vinda.

E no meio dessa tormenta interna, ainda assim, surgem pequenos lampejos. Discretos. Quase tímidos. Não chegam como grandes viradas, nem como respostas claras. Mas aparecem. Às vezes como um respiro. Às vezes como um dia um pouco menos pesado.

A coragem não é um estado constante; ela vai e volta, esconde-se nas sombras do medo e da dúvida, para depois nos impulsionar de forma quase silenciosa.

Talvez a coragem não tenha ido embora. Talvez ela só não seja mais aquilo que você achava que era.

Talvez coragem, agora, seja isso:

continuar mesmo sem se reconhecer,

seguir mesmo sem garantia,

sustentar a própria dúvida sem fugir dela.

Não tem nada de grandioso nisso. E justamente por isso, tem tudo.

Esse ciclo de perder e reencontrar forças é o que nos torna humanos, complexos e reais. Não precisamos mais carregar o peso de uma coragem inabalável o tempo todo. Permitir-se sentir vulnerável, aceitando a própria fragilidade, é também coragem.

A gente cresce achando que vai chegar num ponto de firmeza, de certeza, de estabilidade. Mas a vida não se organiza assim. Ela desorganiza, desmonta, refaz e muitas vezes sem pedir permissão.

Porque quando já não dá mais para sustentar a imagem de quem você deveria ser, sobra a possibilidade, ainda que frágil, de encontrar quem você é, ali, naquele resto.

Sem garantias. Sem aplauso. Sem certeza.

Só presença.

E se não houver um “chegar lá” que resolva tudo, mas apenas movimentos, idas, voltas, pausas?

E se o sentido dessa travessia não estiver no destino, mas no próprio ato de caminhar?

A dor, por mais difícil que seja, não é vazia. Ela diz de algo. Ela insiste. Ela aponta. Revela que estamos vivos, que estamos lutando, acreditando em algo maior, mesmo que ainda não saibamos o quê.

E talvez exista algo de muito verdadeiro quando tudo isso cai.

Então, siga.

Mesmo sem saber.

Mesmo sem ter respostas.

Mesmo sem se sentir pronta.

Às vezes, é justamente aí que algo começa.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Por que, mesmo tão conectados, seguimos tão inquietos?

Vivemos em uma época em que tudo parece estar ao alcance de um toque. Informação, comunicação, trabalho, entretenimento, tudo circula com uma velocidade impressionante. Ainda assim, algo não acompanha esse ritmo: a nossa capacidade de elaborar o que vivemos. E é nesse descompasso que a ansiedade encontra terreno fértil.

A sensação de estar sempre atrasado, sempre devendo algo, sempre precisando responder, produzir ou decidir rapidamente se tornou parte do cotidiano. Não se trata apenas de uma sobrecarga externa, mas de um modo de funcionamento que atravessa o sujeito. A exigência não vem só de fora, ela é internalizada, transformando-se em uma cobrança constante, muitas vezes silenciosa, mas insistente.

Do ponto de vista psicanalítico, a ansiedade não é simplesmente um sintoma a ser eliminado. Ela é um sinal. Algo que indica que há um conflito em jogo, algo que não está encontrando lugar na fala, algo que escapa à simbolização. Em outras palavras, a ansiedade fala, ainda que sem palavras.

Na era digital, esse cenário se intensifica. Somos atravessados por uma lógica de desempenho, comparação e exposição contínua. Redes sociais criam vitrines de vidas editadas, recortes cuidadosamente selecionados que, embora saibamos não serem a totalidade, produzem efeitos muito reais. Surge, então, uma sensação difusa de inadequação: nunca é suficiente, nunca é o bastante, nunca se chega lá.

Mas o que é esse “lá”?

Essa é uma pergunta fundamental. Porque, muitas vezes, o sofrimento não está apenas na pressão, mas na falta de um desejo próprio que sustente o sujeito. Quando o referencial passa a ser externo, métricas, curtidas, produtividade, validação, o sujeito se distancia de si mesmo. E quanto mais distante, mais difícil é sustentar escolhas, limites e até mesmo o próprio descanso.

A ansiedade, nesse contexto, pode ser entendida como um excesso. Excesso de estímulos, de demandas, de expectativas. Mas também como um vazio, a falta de um ponto de ancoragem subjetivo. Algo que permita ao sujeito dizer: “isso é meu”, “isso me diz respeito”, “isso eu quero”.

A tecnologia, por si só, não é o problema. Ela amplia possibilidades, conecta, facilita, transforma. O ponto central não está no uso, mas na relação que cada um estabelece com ela. Para alguns, ela se torna uma ferramenta. Para outros, um campo de captura, onde o sujeito se vê constantemente convocado a responder, a aparecer, a performar.

É interessante observar como o tempo também se transforma. Não há mais pausas claras. O trabalho invade o descanso, o descanso é atravessado por notificações, o silêncio é rapidamente preenchido por estímulos. E o que se perde nesse processo é justamente o espaço necessário para que algo do sujeito possa emergir.

Na psicanálise, o silêncio não é ausência. É condição. É no intervalo, na pausa, no não preenchido, que algo pode surgir. Mas, na lógica atual, o vazio é frequentemente vivido como algo insuportável. Precisa ser imediatamente preenchido, anestesiado, evitado.

E é justamente aí que a ansiedade se intensifica.

Porque aquilo que não encontra espaço para ser elaborado retorna de outra forma: no corpo, nos pensamentos acelerados, na dificuldade de descansar, na sensação de estar sempre em alerta. Não se trata de fraqueza, nem de falta de controle. Trata-se de algo que insiste, porque ainda não pôde ser escutado.

A proposta de uma escuta psicanalítica não é oferecer respostas prontas, nem técnicas rápidas para “controlar” a ansiedade. É, antes, criar um espaço onde ela possa ser interrogada. Onde o sujeito possa se aproximar do que o angustia, não para se afundar nisso, mas para começar a dar forma, nome e sentido.

Ao longo desse processo, algo importante acontece: o sujeito deixa de ser apenas alguém que sofre com a ansiedade e passa a se implicar nela. Isso não significa culpa, mas responsabilidade, no sentido de poder se perguntar sobre o lugar que ocupa na própria história.

E essa mudança, ainda que sutil, é profundamente transformadora.

Porque, quando algo começa a fazer sentido, o sofrimento deixa de ser apenas um excesso sem direção e pode se tornar um caminho de elaboração. A ansiedade não desaparece magicamente, mas pode perder sua força paralisante. Ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser também uma via de acesso a algo mais profundo.

Talvez a grande questão do nosso tempo não seja como eliminar a ansiedade, mas como escutá-la em meio a tanto ruído.

Em um mundo que exige respostas rápidas, parar para falar e, mais ainda, para se escutar, pode parecer um luxo. Mas, na verdade, é uma necessidade. Porque, no fim, não se trata apenas de estar conectado com tudo. Mas de, em algum momento, conseguir se reconectar consigo mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Sessão de Análise on-line?

A psicanálise on-line ainda provoca resistência, sobretudo entre aqueles que a associam rigidamente ao setting clássico: o divã, o consultório, a presença física. A crítica mais comum é a de que, ao sair desse enquadre tradicional, a prática perderia sua eficácia ou mesmo “trairia” os fundamentos da psicanálise. No entanto, essa leitura tende a confundir forma com estrutura. A psicanálise nunca se sustentou apenas pelo espaço físico, mas, sobretudo, por uma ética, por uma posição do analista e por uma lógica de escuta que opera a partir da linguagem e da transferência.

Do ponto de vista clínico, o que está em jogo não é a presença corporal em si, mas a possibilidade de instauração da transferência, da associação livre e da escuta do inconsciente. E isso se dá, fundamentalmente, pela via da խոսa. A palavra, mesmo mediada por uma tela, continua sendo o material privilegiado da análise. O inconsciente não depende da proximidade física para se manifestar; ele se estrutura como linguagem e, portanto, pode emergir em qualquer dispositivo que sustente essa lógica.

É claro que o atendimento on-line introduz modificações no setting e exige do analista um manejo específico. A tela, o tempo, as possíveis interferências do ambiente do paciente, tudo isso faz parte da cena e precisa ser incluído na escuta, não eliminado. Em vez de serem vistos como obstáculos, esses elementos podem, inclusive, revelar aspectos importantes da posição subjetiva do analisando: como ele se coloca, de onde fala, o que mostra ou esconde do seu espaço, como lida com a presença/ausência do outro.

A ideia de que a psicanálise on-line “foge às regras” parte, muitas vezes, de uma compreensão normativa e pouco viva da própria psicanálise. Freud nunca trabalhou com uma técnica rígida e imutável; ao contrário, foi inventando o dispositivo a partir da clínica. Lacan, por sua vez, radicaliza essa posição ao afirmar que a psicanálise é uma prática que se orienta pelo real, e não por protocolos fixos. O setting não é um ritual a ser preservado a qualquer custo, mas uma construção que deve servir ao trabalho analítico.

Isso não significa que tudo seja possível ou que não haja critérios. A psicanálise on-line exige rigor, ética e responsabilidade. Nem todo caso se adapta da mesma forma, e o analista precisa avaliar, caso a caso, as condições de trabalho. Mas descartá-la de antemão, em nome de uma suposta pureza técnica, pode ser mais uma forma de resistência do que uma defesa consistente da prática.

Em muitos casos, inclusive, o on-line ampliou o acesso à análise, permitindo que pessoas que antes não teriam condições de sustentar um processo analítico pudessem iniciar ou continuar seu tratamento. A questão, portanto, talvez não seja se a psicanálise on-line é “válida” ou “legítima”, mas se ela consegue sustentar o essencial da experiência analítica: um espaço onde o sujeito possa falar, se escutar e produzir deslocamentos em sua relação com o próprio desejo.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Agende sua consulta!

Muitas pessoas chegam até mim dizendo que estão cansadas, mas não é um cansaço físico apenas.

É uma sensação constante de estar devendo, de nunca ser suficiente, mesmo quando fazem tudo o que precisam.

Por fora, a vida segue: trabalho, responsabilidades, rotina.
Por dentro, algo não se acalma.

A mente não para.
O descanso não vem.
E, aos poucos, tudo começa a pesar.

Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso que não encontra lugar no dia a dia.
Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você possa falar e, a partir disso, escutar algo do que está em jogo na sua própria história.

Atendo pessoas que lidam com ansiedade, excesso de cobrança interna, dificuldade de se desligar do trabalho e essa sensação persistente de insuficiência.

Se algo disso te toca, você pode me escrever.
Podemos começar por uma conversa.

sábado, 14 de março de 2026

A cura que não promete cura!

Na tradição médica, a cura costuma ser pensada como a eliminação de um sintoma, o restabelecimento de um funcionamento considerado normal ou o retorno a um estado anterior de equilíbrio. A psicanálise, desde seu nascimento com Sigmund Freud, desloca profundamente essa concepção. O sintoma, para a psicanálise, não é apenas um erro do organismo ou uma disfunção a ser corrigida. Ele é uma formação de compromisso, uma solução singular que o sujeito encontrou para lidar com aquilo que, em sua história, não pôde ser plenamente simbolizado.

Por isso, falar de cura em psicanálise exige cautela. Não se trata de apagar o sintoma como quem remove um defeito técnico. A experiência analítica mostra que o sintoma é também portador de sentido, ainda que esse sentido não esteja imediatamente disponível à consciência. Ele fala de uma história, de um desejo, de uma posição subjetiva diante do outro e do mundo. Nesse ponto, a psicanálise introduz uma diferença fundamental em relação aos modelos terapêuticos centrados na adaptação ou na normalização.

Para Jacques Lacan, o inconsciente não é apenas um reservatório de conteúdos reprimidos, mas uma estrutura que se manifesta na linguagem. O sujeito fala, e ao falar diz sempre mais do que pretende dizer. Na análise, o trabalho não consiste em fornecer respostas ou soluções prontas, mas em sustentar um espaço onde algo do inconsciente possa emergir na palavra. O que se transforma, portanto, não é apenas o sintoma em si, mas a relação que o sujeito estabelece com ele.

Freud já indicava algo dessa lógica ao falar de uma “transformação da miséria neurótica em infelicidade comum”. Essa formulação, frequentemente mal compreendida, não significa resignação diante do sofrimento, mas um deslocamento da posição subjetiva. A análise não promete uma vida sem conflito. Ela permite, no entanto, que o sujeito deixe de estar completamente capturado por repetições inconscientes que se impõem sem possibilidade de elaboração.

Nesse sentido, a cura analítica não pode ser pensada como um ponto final ou como um estado de completude. A psicanálise parte justamente do reconhecimento de que o sujeito é estruturalmente marcado por uma falta. Não há sujeito pleno, totalmente reconciliado consigo mesmo. O desejo humano se organiza em torno dessa falta constitutiva, e é ela que também sustenta o movimento da vida psíquica.

Talvez seja por isso que a cura, em psicanálise, apareça menos como um resultado técnico e mais como uma experiência subjetiva de deslocamento. Algo muda quando o sujeito pode se escutar de outra maneira. Quando aquilo que antes aparecia apenas como sofrimento opaco começa a ganhar contornos de narrativa, de história, de sentido possível.

Há um momento na análise em que algo da própria vida pode ser retomado não apenas como uma sucessão de acontecimentos, mas como uma trama singular que merece ser dita. Quando o sujeito se autoriza a falar de sua história sem a necessidade de encaixá-la em modelos ideais de vida ou de normalidade, algo se transforma em sua posição diante de si mesmo.

Talvez não exista cura no sentido clássico da palavra. A psicanálise não promete apagar o mal-estar que acompanha a condição humana. Mas quando alguém pode reconhecer que sua história, com suas rupturas, impasses e contradições, é digna de ser escutada e contada, algo fundamental já se deslocou.

Nesse ponto, a cura deixa de ser a eliminação do sofrimento e passa a ser a possibilidade de habitar a própria história de outra maneira. Porque, muitas vezes, o que estava em jogo não era apenas o sintoma, mas a impossibilidade de encontrar um lugar para aquilo que, na própria vida, insistia em permanecer sem palavra.

Minha travessia da tecnologia à psicologia!

Há mudanças na vida que não acontecem de forma abrupta. Elas vão sendo gestadas lentamente, quase em silêncio, até que um dia encontram uma forma concreta de existir. Receber minha inscrição no Conselho Regional de Psicologia marca justamente esse ponto de passagem. Um momento em que um percurso interno se torna também uma realidade profissional.

Durante muitos anos, minha vida esteve ligada à tecnologia. Atuei como Analista de Sistemas em empresas de diferentes setores, participando de projetos, lidando com estruturas complexas, processos, dados, prazos e soluções técnicas. O trabalho exigia raciocínio lógico, organização e a capacidade de compreender sistemas que, embora invisíveis para muitos, sustentam grande parte do funcionamento das organizações contemporâneas. Havia algo fascinante na ideia de mapear um problema, compreender sua estrutura e construir caminhos para que ele funcionasse melhor.

A tecnologia trabalha com arquiteturas. Sistemas são compostos por partes que se conectam, trocam informações e produzem resultados. Uma pequena alteração em um ponto pode gerar efeitos em toda a estrutura. Com o tempo, percebi que algo semelhante também acontecia no campo humano, ainda que de forma muito mais complexa e imprevisível. As pessoas também são atravessadas por histórias, relações, conflitos, desejos e experiências que se entrelaçam como uma espécie de rede invisível.

Foi dessa percepção que nasceu, pouco a pouco, meu interesse pela psicologia. Se no universo da tecnologia buscamos compreender a lógica dos sistemas, na psicologia buscamos escutar algo da lógica singular de cada sujeito. Enquanto o sistema tecnológico busca estabilidade e previsibilidade, a vida psíquica é marcada justamente pelo que escapa, pelo que não se encaixa perfeitamente, pelo que insiste em se repetir sem uma explicação imediata.

A passagem da tecnologia para a psicologia não foi uma ruptura, mas uma travessia. Um deslocamento de olhar. Antes eu trabalhava com sistemas construídos para funcionar de forma eficiente. Agora me dedico a escutar sujeitos que muitas vezes chegam justamente quando algo deixou de funcionar como antes em suas vidas. No lugar de códigos e arquiteturas digitais, encontro histórias, afetos, impasses e perguntas que não possuem respostas prontas.

Se na tecnologia o objetivo costuma ser corrigir falhas e otimizar processos, na clínica psicológica o trabalho é de outra ordem. Não se trata de consertar pessoas, mas de criar um espaço onde algo de sua própria experiência possa ser escutado e elaborado. O sofrimento humano raramente se apresenta como um erro técnico que precisa ser eliminado. Ele carrega sentidos, histórias e marcas que fazem parte da trajetória de cada sujeito.

A experiência anterior no campo tecnológico também me permite olhar com atenção para o mundo em que vivemos hoje. A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ocupar um lugar central na forma como nos relacionamos, trabalhamos, pensamos e nos percebemos. Redes sociais, conectividade permanente, inteligência artificial e transformações digitais produzem impactos profundos na subjetividade contemporânea. Compreender essa intersecção entre psicologia e tecnologia tornou-se parte importante do meu percurso.

Receber a inscrição profissional como psicóloga não significa abandonar o caminho anterior, mas reconhecer que ele também faz parte da construção do que sou hoje. Cada experiência vivida, cada projeto desenvolvido e cada encontro ao longo dos anos compõem a história que me trouxe até aqui.

Agora se abre uma nova etapa. Uma etapa marcada pela escuta clínica, pelo encontro com diferentes histórias e pela possibilidade de acompanhar pessoas em seus processos de reflexão e transformação. A clínica não é um lugar de certezas absolutas, mas um espaço onde perguntas podem ser sustentadas e elaboradas com cuidado.

Talvez seja justamente isso que une, de forma inesperada, esses dois mundos que marcaram minha trajetória. Tanto na tecnologia quanto na psicologia existe um interesse profundo em compreender estruturas, conexões e processos. A diferença é que, na clínica, o que está em jogo não é apenas o funcionamento de um sistema, mas a singularidade de uma vida.

Hoje, ao iniciar oficialmente minha atuação como psicóloga, tenho a sensação de que essa mudança não representa apenas um novo título profissional. Ela simboliza um movimento mais amplo de escuta, curiosidade e abertura para a complexidade da experiência humana. Um caminho que começou há muito tempo e que agora encontra sua forma de se concretizar.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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