Andréa Ruas Martins - Psicóloga/Psicanalista - CRP 06/231415 - Clínica PsiTech - Psicologia e Tecnologia - Bairro Campo Belo - Cidade São Paulo/SP - Site oficial: clinicapsitech.com.br

Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

domingo, 13 de setembro de 2026

A solidão que a gente constrói

Atendi uma senhora na clínica. Bonita, elegante, muito inteligente, dessas pessoas que entram numa sala trazendo consigo uma vida inteira de realizações. Havia nela uma espécie de segurança que não era exatamente tranquilidade, eram muitos anos aprendendo a não depender de ninguém. Falava de si com lucidez, tinha uma capacidade rara de olhar para a própria história sem fazer dela uma coleção de desculpas, mas também sem pedir absolvição. Era a última sessão do dia, e isso me permitiu permanecer um pouco mais depois que ela foi embora, sentado diante daquela sala já silenciosa, pensando no que havia escutado. Fiquei com a sensação de que, naquela hora, não tinha ouvido apenas uma mulher falar da própria solidão. Tinha ouvido uma vida inteira falar através dela.

Há uma espécie de solidão que não começa quando as pessoas vão embora. Ela começa muito antes, quando aprendemos que é mais seguro não precisar delas. Essa mulher me fez pensar nisso porque falava da própria solidão sem exatamente se queixar dela. Havia quase um reconhecimento. A vida que tinha naquele momento era, em alguma medida, a vida que havia construído. Durante muitos anos, o trabalho ocupara quase tudo, não apenas o tempo, mas também o lugar das relações, dos encontros, da circulação pelo mundo, da sensação de pertencimento. Enquanto havia trabalho, havia gente. Havia compromissos, conversas, viagens, projetos, convites, telefonemas. Havia uma vida social permanentemente acesa. Só quando o trabalho deixou de ocupar aquele lugar foi possível perceber que uma parte importante daquela sociabilidade estava sustentada menos pelos vínculos do que pela função que ela exercia no mundo. Quando a função desapareceu, alguma coisa desapareceu junto. E existe uma experiência particularmente desconcertante na maturidade: descobrir que aquilo que imaginávamos ser nossa vida era, em parte, a estrutura que a ocupava.

Pensei em Freud e naquilo que retorna quando uma solução deixa de funcionar. O sujeito não repete simplesmente porque não aprendeu. Repete porque há alguma coisa que insiste, alguma coisa que não se deixa resolver apenas pela consciência. Há formas de vida que se organizam em torno de uma defesa tão eficiente que deixam de parecer defesa. Tornam-se identidade. A pessoa já não diz “eu faço isso para me proteger”. Ela diz “eu sou assim”. Sou independente. Sou workaholic. Não gosto de depender. Gosto de ficar sozinha. Não tenho tempo para relações superficiais. Gosto de gente, mas não preciso de ninguém. E uma defesa que ganha o nome de personalidade se torna muito mais difícil de interrogar.

Havia, naquela mulher, uma independência que parecia ter começado muito cedo. Falava de uma mãe complicada, de uma infância em que amor e exigência pareciam ter se misturado de maneira pouco pacífica. Não é preciso transformar uma mãe difícil na origem de todos os destinos. A psicanálise não serve para produzir culpados retroativos. Mas sabemos que é nas primeiras relações que o sujeito começa a aprender algo sobre seu próprio valor, sobre o que precisa fazer para ser amado, sobre o que pode esperar do outro e, sobretudo, sobre o lugar que imagina ocupar no desejo de quem dele cuida. Melanie Klein nos ensinou a levar a sério a intensidade dessas primeiras relações, a ambivalência inevitável entre amor e ódio, gratidão e ressentimento, dependência e desejo de independência. A criança não possui ainda recursos para pensar “minha mãe está frustrada com a própria vida” ou “minha mãe carrega uma história que nada tem a ver comigo”. A criança pensa a partir de si. Se o amor não chega como gostaria, pode concluir que há algo nela que precisa ser corrigido.

É aí que uma criança pode começar uma obra silenciosa. Preciso ser melhor. Preciso ser brilhante. Preciso não dar trabalho. Preciso não precisar. Preciso ser tão boa que ninguém consiga me abandonar. Não é necessário que essas frases tenham sido formuladas conscientemente. O inconsciente não trabalha assim. Elas aparecem como modos de existir, escolhas que se repetem, ambições que parecem espontâneas, uma necessidade quase física de competência, reconhecimento, controle. E quando essa criança cresce, pode se tornar uma mulher admiravelmente capaz. O que um dia foi defesa passa a ser talento. O que nasceu de uma falta pode se transformar em realização. E isso torna tudo mais complexo, porque não se trata de dizer que o sucesso foi falso. Ele foi real. As conquistas foram reais. O sofrimento também.

Winnicott talvez ajudasse a pensar nesse ponto a partir daquilo que chamou de falso self. Não no sentido vulgar de uma pessoa fingida, mas de uma organização psíquica construída para responder adequadamente ao ambiente, muitas vezes tão bem adaptada que o próprio sujeito já não sabe onde termina a adaptação e começa o desejo. Há pessoas que se tornam extremamente boas em ser aquilo que o mundo espera delas. Funcionam. Produzem. Entregam. Correspondem. São admiradas. E, justamente por isso, podem passar muito tempo sem se perguntar o que acontece quando não precisam mais funcionar. Existe uma diferença entre estar vivo e estar funcionando, embora por muitos anos ela possa ser quase imperceptível.

O trabalho oferece uma solução particularmente sofisticada para esse problema. Ele oferece identidade, reconhecimento e, em muitos casos, uma forma socialmente legítima de não olhar para determinadas faltas. Não fui porque estava trabalhando. Não liguei porque estava trabalhando. Não encontrei porque estava cansado. Não tenho tempo porque tenho um projeto. Não preciso de ninguém porque tenho minha vida. Enquanto estamos ocupados, a questão não aparece com tanta força. O trabalho pode funcionar como objeto de investimento, como fonte de narcisismo, como lugar onde o sujeito encontra uma confirmação cotidiana de seu valor. Somos procurados, necessários, admirados. Recebemos alguma coisa do olhar dos outros que nos devolve uma imagem suportável de nós mesmos.

Lacan provavelmente faria uma pergunta mais incômoda: de quem é esse desejo? O que exatamente estamos tentando obter quando buscamos incessantemente reconhecimento? O sujeito deseja ser desejado pelo Outro, mas nunca consegue fechar completamente essa conta. Há sempre um resto, alguma coisa que não se completa. Podemos conquistar mais uma posição, mais um prêmio, mais uma entrevista, mais um projeto, mais uma prova de que somos bons, e ainda assim permanecer a pergunta infantil escondida em algum lugar: agora você me ama? Agora sou suficiente? Agora você não pode me deixar?

Talvez seja isso que algumas trajetórias extraordinárias escondam de mais humano. A pessoa se torna excepcional não apenas porque deseja realizar, mas porque existe algo que precisa ser constantemente confirmado. Ela passa a vida respondendo a uma pergunta que nunca foi formulada inteiramente. E o problema do reconhecimento é que ele é insaciável. Nenhuma quantidade de aplauso responde definitivamente àquilo que o sujeito pergunta ao Outro. O desejo desliza. Quando uma conquista é alcançada, outra precisa ocupar seu lugar. Quando um público se vai, outro precisa aparecer. Quando uma função termina, o vazio que ela recobria pode se tornar subitamente audível.

Foi isso que pensei ao ouvi-la falar do fim do trabalho. Não que o trabalho tivesse sido uma mentira ou uma fuga deliberada. Ele tinha sido também amor, vocação, prazer, realização. Mas podia ter sido uma solução. E quando uma solução desaparece, aquilo que ela mantinha em silêncio pode retornar.

A aposentadoria, uma mudança de carreira, os filhos que saem de casa, o corpo que já não acompanha o ritmo, qualquer ruptura que retire do sujeito o lugar que ocupava no mundo pode produzir uma espécie de revelação. Não porque o passado se torne falso, mas porque o presente deixa de oferecer as mesmas distrações. O telefone toca menos. Os convites diminuem. As pessoas seguem suas próprias vidas. A agenda esvazia. E então aparece uma pergunta que não tem mais como ser adiada: quem sou eu quando ninguém precisa daquilo que sei fazer?

É uma pergunta profunda. Para algumas pessoas, o trabalho não ocupava apenas oito, dez ou doze horas do dia. Ocupava um lugar no campo do Outro. Era através dele que eram vistas, nomeadas, reconhecidas. Era ali que sabiam quem eram. Quando esse lugar desaparece, não se perde apenas uma atividade. Perde-se uma identificação. E o sujeito se vê obrigado a encontrar alguma coisa de si para além dos significantes que durante décadas o representaram.

Lacan dizia que um significante representa o sujeito para outro significante. Gosto de pensar nisso quando observo alguém que passou a vida sendo representado por aquilo que faz. Jornalista. Médica. Empresária. Artista. Professora. Mãe. A profissão, o cargo, o lugar social podem funcionar como nomes que organizam a existência. São importantes, evidentemente. Mas nenhum deles esgota o sujeito. Quando o nome que sustentava a identidade deixa de operar, pode surgir a sensação de que não sabemos mais quem somos. E o que aparece nesse intervalo não é necessariamente uma nova identidade pronta para ocupar o lugar da antiga. Aparece a falta.

A falta é difícil de suportar. Por isso inventamos tantas maneiras de preenchê-la. Uma delas é trabalhar. Outra é ser necessário. Outra é ser admirado. Outra é não precisar de ninguém.

A independência, quando se torna uma exigência interna, pode esconder uma dificuldade profunda de depender. E depender, em psicanálise, não é fraqueza. O bebê depende absolutamente do outro. O sujeito humano continua dependendo, embora a vida adulta construa inúmeras formas de negar essa condição. Precisamos de amor, de reconhecimento, de cuidado, de presença. Precisamos de alguém que nos escute quando não temos nada interessante para dizer. Precisamos de relações nas quais nossa utilidade não seja o fundamento do vínculo.

Para alguém que passou a vida inteira construindo valor através daquilo que faz, isso pode ser assustador. Ser útil é relativamente seguro. Ser amado é outra coisa. Ser útil estabelece uma troca. Ser amado introduz uma vulnerabilidade.

E a intimidade é precisamente o lugar onde essa diferença se torna insuportavelmente clara. Há uma diferença entre ter pessoas ao redor e ter alguém diante de quem podemos deixar de desempenhar. Intimidade é o espaço em que a performance pode descansar. Onde não precisamos ser inteligentes, interessantes, fortes, produtivos, generosos, sensatos. Onde podemos aparecer nas partes menos apresentáveis, inclusive naquelas que preferimos esconder. Para quem aprendeu cedo que o amor precisava ser conquistado, simplesmente existir diante de alguém pode ser mais difícil do que realizar qualquer coisa.

Foi aí que a solidão daquela mulher deixou de me parecer apenas uma circunstância e passou a me parecer uma questão psíquica. Existem pessoas que estão sozinhas porque a vida as colocou nessa condição. Existem pessoas que estão sozinhas porque não encontraram quem desejassem. E existem pessoas que, sem saber exatamente como, construíram uma vida em que ninguém consegue chegar muito perto. Não porque não desejem intimidade, mas porque a intimidade exige justamente aquilo que aprenderam a evitar: espera, frustração, dependência, perda de controle, possibilidade de rejeição.

É possível passar a vida desejando profundamente uma relação e, ao mesmo tempo, fazendo tudo para não ficar à mercê dela. A solidão pode ser uma forma de controle. Quando estou sozinho, ninguém me abandona. Quando não preciso, ninguém pode me decepcionar. Quando não espero, ninguém pode frustrar minha expectativa. Quando minha vida está inteiramente ocupada pelo trabalho, não preciso descobrir o que existe quando o trabalho termina.

É uma defesa brilhante. E como toda boa defesa, funciona. Até o momento em que deixa de funcionar.

Foi então que pensei naquilo que plantamos. Não como uma moral simplista, como se cada pessoa recebesse exatamente aquilo que merece, mas como uma constatação: nossas escolhas repetidas vão criando um ambiente psíquico e relacional no qual passamos a viver. Se durante quarenta anos escolhemos o trabalho em detrimento dos encontros, não é surpreendente que, aos setenta, o trabalho seja uma coisa que já não existe e os encontros também não. Se durante décadas recusamos convites porque havia sempre algo mais urgente, chega uma hora em que as pessoas param de convidar. Não por crueldade. Por adaptação. Os outros também aprendem.

E existe uma dor particular em perceber que ninguém nos abandonou de uma vez. Fomos, aos poucos, ficando menos presentes na vida dos outros até que nossa ausência deixou de ser percebida como ausência. Isso é diferente de culpa. Culpa é uma coisa mais pobre. Responsabilidade é mais difícil, porque pressupõe que, mesmo quando não escolhemos as circunstâncias que nos formaram, participamos das formas que nossa vida assume depois delas. Não escolhemos a família que tivemos, o amor que recebemos, as faltas da infância, as humilhações, os abandonos, as condições históricas, as perdas. Mas chega um momento em que podemos perguntar o que fizemos com aquilo que fizeram conosco.

Essa pergunta não absolve os pais nem condena os filhos. Ela apenas desloca o sujeito de uma posição passiva diante da própria história. Freud nos ensinou que somos feitos também daquilo que não sabemos sobre nós mesmos. A repetição é uma maneira de continuar vivendo o que não conseguimos elaborar. A análise começa, em alguma medida, quando aquilo que parecia destino começa a adquirir a possibilidade de ser lido.

Para mim, envelhecer é chegar a esse lugar, a um balanço sem contabilidade em que começamos a enxergar não apenas o que conquistamos, mas também aquilo que sacrificamos para conquistar. Para quem construiu a própria identidade em torno do trabalho, as perguntas são especialmente duras: quem sou eu quando não estou trabalhando? Quem sou eu quando ninguém precisa daquilo que sei fazer? Quem sou eu quando não tenho mais uma função que organize meu tempo, minha autoestima e meus encontros? E, quem consegue ficar comigo quando não tenho nada para oferecer?

Essa última pergunta toca num lugar muito primitivo. Ser amado não é a mesma coisa que ser útil. Ser procurado não é a mesma coisa que ser querido. Ser admirado não é a mesma coisa que ser conhecido. E a maior dificuldade está em suportar ser conhecido sem poder controlar completamente a imagem que o outro faz de nós.

Há uma fantasia narcísica de que, se formos suficientemente bons, poderemos finalmente garantir o amor do outro. Mas o desejo do outro não se deixa domesticar. O Outro nunca nos devolve exatamente a resposta que esperamos. Podemos passar a vida tentando preencher essa falta e, ainda assim, permanecer faltantes. Lacan torna isso claro: não há objeto capaz de completar definitivamente o sujeito. A busca por reconhecimento pode ser interminável justamente porque o que está sendo buscado não é um prêmio, nem um cargo, nem um elogio. É uma garantia impossível de que somos, finalmente, suficientes.

E então a vida pode ficar muito cheia de conquistas e muito pobre de descanso.

A mesma mulher que se tornou absolutamente independente pode ter passado a vida inteira desejando ser cuidada. A mesma pessoa que diz gostar de estar sozinha pode sentir falta de companhia. A mesma que fez do trabalho uma escolha pode descobrir, quando ele termina, que também havia ali uma fuga. Nada disso torna falsa a independência, nem invalida as conquistas. Apenas mostra que somos feitos de motivos que não conhecemos inteiramente.

Foi pensando nela que me dei conta de que a solidão da maturidade pode ter alguma coisa de revelação. Ela retira os ruídos. Tira o trabalho, os compromissos, a urgência, as pessoas que circulavam porque havia uma função a cumprir. E deixa uma pergunta, que não está ligada a quantidade de amigos ou frequência de encontros, mas sobre nossa capacidade de vínculo: conseguimos deixar alguém entrar? Conseguimos precisar? Conseguimos sustentar uma relação quando ela deixa de ser conveniente? Conseguimos oferecer presença quando não há nada a ganhar com ela?

Não há necessidade de patologizar quem escolhe uma vida mais solitária. Existem pessoas que encontram no silêncio uma liberdade legítima, uma forma de recolhimento, uma intimidade consigo mesmas que não precisa ser corrigida. O problema começa quando a solidão deixa de ser escolha e passa a ser apenas o resultado natural de uma vida que nunca encontrou tempo para cultivar aquilo que não era urgente.

Relações precisam de tempo improdutivo. É difícil de aceitar nisso numa cultura que transformou até o descanso em produtividade. Relações exigem repetição, disponibilidade, inconveniências, presença sem finalidade. Não se constrói intimidade apenas nas brechas da agenda. Não se ama alguém somente quando sobra tempo. E passamos décadas acreditando que, quando tivéssemos finalmente tempo, viveríamos. Só que o tempo chegou e algumas pessoas já não estavam mais lá.

Existe nisso uma dimensão trágica, mas também uma possibilidade de elaboração. Enquanto houver desejo de encontro, alguma coisa permanece aberta. A psicanálise não promete uma vida sem falta. Promete, quando muito, a possibilidade de não ser inteiramente governado pela falta. Podemos reconhecer nossas repetições. Podemos descobrir as defesas que um dia nos salvaram e que hoje organizam nosso sofrimento. Podemos perceber que aquilo que chamávamos de força continha medo; que aquilo que chamávamos de independência escondia dificuldade de depender; que aquilo que chamávamos de dedicação era uma maneira de não ficar diante de nós mesmos.

E ainda é possível plantar.

Não para recuperar o tempo perdido, porque o tempo perdido não se recupera. Nem para fabricar, na velhice, uma vida social que pareça uma reparação daquilo que não foi vivido. Mas para fazer uma coisa mais simples: aprender a estar com alguém sem precisar ser alguma coisa para essa pessoa. Aprender a ficar. A telefonar. A aceitar um convite. A deixar que alguém cuide. A dizer que sentiu falta. A assumir que precisa.

É um movimento mais radical de uma vida construída sobre a independência: descobrir que precisar do outro não nos torna menos inteiros.

Quando ela saiu da sala, fiquei alguns minutos olhando para a poltrona vazia. Pensei que a análise tem algo de curioso. Uma pessoa entra, fala durante cinquenta minutos e vai embora, e o que permanece não é exatamente aquilo que ela disse. Permanece o que se produziu entre o que ela disse e aquilo que foi possível escutar. Um intervalo. Uma falta. Uma pergunta que não se fecha.

Naquela noite, fiquei pensando que a maturidade não é apenas o momento em que colhemos aquilo que plantamos. É também a época da vida em que conseguimos olhar para o terreno e reconhecer nossas escolhas sem precisar transformá-las em culpa. O que foi plantado está ali. Algumas coisas floresceram. Outras secaram. Algumas deram frutos que não esperávamos. Outras ocuparam espaço demais. Ainda resta algum terreno.

Concluo que a ideia não é perguntar: por que estamos sozinhos? Mas perceber como fomos construindo essa solidão ao longo da vida. E, quando conseguimos olhar para isso com honestidade, surge uma nova pergunta: o que ainda podemos construir de diferente? A porta continua ali. 

sábado, 12 de setembro de 2026

A Arquitetura do Enlouquecimento: quando a casa já não nos abriga mais...


Há algum tempo, escrevi um texto chamado A Arquitetura do Enlouquecimento. Para minha surpresa, ele circulou bastante. Foi lido por mais de mil pessoas, o que, para um texto que nasceu quase como uma reflexão pessoal sobre a mente humana, me fez pensar sobre o que havia ali que encontrava eco em quem lia.


Hoje volto a esse texto.

Não para corrigir o que escrevi, mas para olhar novamente para o que escolhi naquela época. A arquitetura continua me parecendo uma metáfora particularmente potente para pensar o sofrimento psíquico. Afinal, ninguém enlouquece em um único cômodo. A mente também tem corredores. Há portas que permanecem fechadas por anos, quartos onde certas lembranças foram guardadas porque, em algum momento, era impossível permanecer diante delas. Há salas que se tornaram grandes demais para uma pessoa ocupar sozinha e outras tão pequenas que mal permitem respirar. Existem janelas pelas quais conseguimos olhar o mundo e outras que foram fechadas para nos proteger dele. E há casas que foram construídas sobre terrenos difíceis.


Cada sujeito chega à vida com uma história que não escolheu. Algumas experiências funcionam como paredes sólidas, oferecendo abrigo e continuidade. Outras deixam rachaduras que atravessam a construção inteira. Há perdas, abandonos, violências, humilhações, rupturas e silêncios que não desaparecem simplesmente porque o tempo passou. Eles permanecem inscritos na arquitetura. Mas o sofrimento não está apenas no que aconteceu. Está também na maneira como precisamos aprender a viver depois que aconteceu.

Uma pessoa pode passar anos tentando sustentar uma casa que já não consegue abrigá-la. Pode reforçar paredes, consertar portas, limpar incessantemente os mesmos cômodos, enquanto evita entrar justamente naquele lugar onde a estrutura começou a ceder.


Muitas vezes, o que chamamos de sintoma é também uma forma encontrada para continuar morando ali. A ansiedade pode ser uma sentinela que nunca abandona a porta. A culpa pode ocupar um quarto inteiro. A necessidade de controle pode funcionar como uma tentativa desesperada de impedir que o teto desabe. O isolamento pode parecer uma escolha quando, por dentro, é uma forma de proteção. A procrastinação, a compulsão, a raiva, a apatia e tantas outras manifestações podem cumprir funções que nem sempre conseguimos enxergar de imediato. Por isso, compreender o sofrimento psíquico exige mais do que perguntar o que está errado. 


É preciso perguntar como essa casa foi construída. Quem podia entrar. Quem precisava ficar do lado de fora. Quais portas precisaram ser trancadas. Quais espaços nunca puderam ser ocupados. Onde a pessoa aprendeu a se esconder. E, principalmente, em que momento ela deixou de sentir que aquela casa também poderia ser sua.


Há ainda uma dimensão que me interessa particularmente: a arquitetura não é construída apenas de dentro para fora. Vivemos em estruturas sociais que também organizam nossos espaços internos. Família, trabalho, relações, gênero, sexualidade, desempenho, produtividade, expectativas e tantas outras exigências participam silenciosamente dessa construção. O mundo externo também pode nos ensinar quais cômodos podemos ocupar e quais devemos abandonar.


Algumas pessoas passam a vida tentando caber em casas projetadas por outras pessoas.

E isso tem um custo. Talvez uma das tarefas mais importantes de um processo analítico seja justamente permitir que o sujeito comece a reconhecer a arquitetura que recebeu e, a partir daí, possa decidir o que deseja conservar, o que precisa reconstruir e o que já não precisa mais sustentar.


Não se trata de demolir tudo. Há partes da construção que foram fundamentais para sobreviver. Defesas que um dia foram necessárias. Estratégias que protegeram quando não havia outra possibilidade. O que um adulto pode reconhecer como limitante muitas vezes foi, em outro momento da vida, aquilo que tornou possível continuar.


Por isso, a clínica não deveria tratar essas estruturas tentando categorizá-las. É preciso escutá-las. Há uma diferença importante entre desmontar uma defesa e compreender por que ela precisou existir. E é aí que a arquitetura deixa de ser apenas uma imagem do enlouquecimento e passa a ser também uma imagem da análise. 


Entramos na casa com cuidado. Percorremos corredores conhecidos e desconhecidos. Abrimos algumas portas. Encontramos objetos esquecidos. Descobrimos cômodos que nunca haviam sido nomeados. Algumas paredes precisam permanecer. Outras podem ganhar uma passagem. Há janelas que podem ser abertas depois de muitos anos. E, pouco a pouco, a pessoa pode começar a perceber que não é apenas aquilo que aconteceu com ela. Ela também é quem pode construir alguma coisa a partir disso.


Volto hoje ao texto que escrevi há alguns anos com a sensação de que a metáfora permanece, mas ganhou outras camadas. O enlouquecimento não me parece apenas o momento em que a arquitetura interna entra em colapso. Ele também pode ser compreendido como o ponto em que uma construção deixa de comportar a vida que precisa acontecer dentro dela.


Nesse sentido, o trabalho não é simplesmente voltar a uma suposta normalidade.

É construir condições para habitar a própria vida.

E é bem difícil: não apenas encontrar um lugar no mundo, mas sentir que se tem o direito de ocupar esse lugar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Sem Culpa não há Reparação

Há uma diferença importante entre querer reparar e querer desfazer.

Desfazer é desejar que aquilo não tivesse acontecido. Reparar é outra coisa: é reconhecer que aconteceu, reconhecer o que foi perdido ou danificado e, ainda assim, encontrar uma maneira de fazer algo com isso.

Na perspectiva de Melanie Klein, a reparação está profundamente ligada à posição depressiva. É quando o sujeito começa a perceber que o outro não é apenas uma extensão de seus desejos, mas alguém inteiro, amado e também capaz de ser ferido. A culpa aparece, então, não simplesmente como condenação, mas como possibilidade de responsabilização.

Sem culpa, não há propriamente reparação. Há, no máximo, tentativa de apagar vestígios.

Isso aparece de maneiras muito discretas na clínica.

Um paciente pode passar anos dizendo que não teve escolha. Que fez o que precisava fazer. Que o outro também errou. Que as circunstâncias eram aquelas. E talvez tudo isso seja verdade. Mas, em algum momento, surge uma frase diferente: “Eu sei que também fiz alguma coisa ali.” Essa frase pode parecer pequena. Não é.

Ela marca uma mudança importante: o sujeito deixa de estar apenas diante daquilo que fizeram com ele e começa a se perguntar sobre aquilo que fez, deixou de fazer ou não conseguiu fazer. Não para assumir uma culpa total pelo acontecido, mas para recuperar alguma participação na própria história. É nesse ponto que a reparação pode começar a operar.

E reparar não significa necessariamente pedir desculpas, voltar para alguém, reconstruir uma relação ou recuperar aquilo que foi perdido. Há perdas que não podem ser desfeitas. Pessoas não voltam. Lugares deixam de existir. Relações terminam. Certos períodos da vida não podem ser recuperados. Há também perdas no trabalho: um cargo, uma posição, uma promoção esperada, um projeto, uma identidade profissional. A reparação, nesses casos, consiste em outra coisa: conseguir reconhecer o valor do que existiu sem precisar permanecer preso àquilo.

Na clínica, às vezes, o movimento mais difícil não é perdoar o outro. É deixar de precisar destruir o outro para sobreviver ao que ele fez. E, em outros momentos, é deixar de destruir a si mesmo pelo que fez ou pelo que acredita ter feito. 

Importante dizer que culpa e reparação caminham juntas, mas culpa e punição não são a mesma coisa. A culpa que não encontra possibilidade de reparação pode transformar-se em autopunição. O sujeito passa a acreditar que sofrer é a única maneira de demonstrar que reconhece o dano. Como se continuar pagando fosse uma forma de manter vivo aquilo que aconteceu. Mas reparar não é pagar uma dívida infinitamente.

É poder olhar para o que foi feito, pelo outro e por si mesmo, sem precisar negar, idealizar ou destruir. É sustentar a ambivalência: amar e ter raiva; sentir falta e reconhecer que não pode voltar; reconhecer o próprio erro sem transformar-se inteiramente em erro. Por isso que a reparação tenha tão pouco de heroico. Ela não costuma acontecer em grandes gestos. Aparece quando alguém finalmente consegue cuidar de alguma coisa que antes abandonava. Quando reconhece um limite. Quando pede desculpas sem exigir absolvição. Quando deixa de repetir uma violência. Quando consegue ocupar um lugar novo sem precisar destruir o lugar antigo.

Reparar é aceitar que algumas coisas não voltarão a ser como eram. E, por isso mesmo, começar a perguntar o que ainda pode ser feito.

O que significa cuidar de alguém sem ocupar o lugar de quem sabe pelo outro?

Há uma parte do trabalho de um analista que quase nunca aparece quando se fala sobre a profissão. Fala-se muito sobre o paciente: seu sofrimento, suas histórias, seus sintomas, suas relações, aquilo que o trouxe até a análise. Fala-se sobre escuta, transferência, interpretação. Mas existe também tudo aquilo que acontece do lado de cá da escuta.

O consultório é um lugar curioso. Há um setting, um horário, uma frequência, uma poltrona, uma porta que se fecha. Há regras que parecem simples, mas que sustentam algo bastante complexo: a possibilidade de alguém falar sem precisar cuidar, naquele momento, de quem está ouvindo.

E isso exige muito do analista. Exige estar presente sem invadir. Acolher sem oferecer respostas prontas. Sustentar o silêncio sem preenchê-lo por ansiedade. Escutar aquilo que é dito, mas também aquilo que aparece na forma de dizer, de faltar, de repetir, de evitar, de voltar. E exige reconhecer que o analista também sente.

Há pacientes que despertam ternura. Outros despertam preocupação, irritação, impotência, identificação. Às vezes sentimos vontade de proteger, de acelerar um processo, de tranquilizar, de dizer que vai ficar tudo bem. Às vezes uma fala permanece conosco depois que a sessão termina.

A contratransferência, nesse sentido, não é simplesmente um problema a ser eliminado. Mas também não é uma autorização para agir a partir daquilo que sentimos. O que o analista sente pode ser material de trabalho, desde que possa ser pensado, elaborado e recolocado a serviço da escuta.

Uma das partes mais difíceis da profissão é justamente essa: aprender a diferenciar o que pertence a mim, o que pertence ao paciente e o que se produz entre nós.

Por isso, cuidar de um paciente não significa estar disponível para tudo. O cuidado também está no limite. Está no horário que começa e termina. Naquilo que não se responde imediatamente. Naquilo que não se pergunta por curiosidade. Na preservação do que é contado. Na supervisão. Na análise do próprio analista. Na capacidade de reconhecer quando aquilo que acontece na sessão precisa ser pensado antes de ser interpretado.

Há uma responsabilidade enorme em receber a intimidade de alguém. O paciente nos entrega histórias que talvez nunca tenha contado daquela maneira a ninguém. Às vezes entrega uma vergonha. Uma raiva. Uma fantasia. Uma perda. Uma contradição. Algo que sequer consegue nomear. E o trabalho não é transformar tudo isso imediatamente em sentido. É simplesmente sustentar aquele lugar até que alguma coisa possa aparecer.

Com o tempo, fui entendendo que ser analista tem menos a ver com saber o que dizer e muito mais com aprender a suportar o que ainda não sabemos. Porque o consultório também nos ensina que: nem tudo precisa ser resolvido, nem toda dor precisa ser rapidamente apaziguada e nem toda pergunta precisa receber uma resposta.

Há algo profundamente cuidadoso em poder dizer, mesmo sem palavras: podemos ficar um pouco aqui. Vamos olhar para isso juntos. E talvez seja essa uma das coisas mais bonitas e mais difíceis  dessa profissão: oferecer presença sem tomar para si a vida do outro. Estar perto o suficiente para escutar. E distante o suficiente para que o paciente continue podendo ser sujeito da própria história.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Por que escrevo aqui? Que blog é esse???

Meu blog é, antes de qualquer coisa, um lugar de passagem.

Alguém chega, percorre algumas linhas, encontra nelas algo que reconhece, questiona uma ideia, fecha a página e continua o seu dia. Mas certas palavras não terminam quando a leitura acaba. Elas permanecem. Uma pergunta que retorna mais tarde. Uma inquietação que ganha outro sentido. Uma lembrança que reaparece. Uma sensação que ainda não encontrou nome.

É por isso que este blog existe. Não exatamente para oferecer respostas, mas para criar um lugar onde algumas perguntas possam permanecer.

Quando comecei a escrever, eu não tinha tão claro o que este espaço representaria. Com o tempo, porém, fui percebendo que os textos, mesmo quando tratavam de assuntos aparentemente diferentes, voltavam sempre para algumas questões fundamentais: quem somos diante das exigências do mundo? O que fazemos com aquilo que desejamos? Por que trabalhamos tanto? O que significa ser reconhecido? Como nos relacionamos com a tecnologia? O que acontece quando aquilo que deveria nos ajudar começa também a nos capturar? Onde termina aquilo que o mundo espera de nós e começa aquilo que, de fato, queremos?

São perguntas diferentes, mas talvez todas estejam falando de uma mesma coisa: o sujeito tentando existir em um mundo que o tempo inteiro lhe diz como ele deveria ser.

E é nesse lugar que este blog permanece. Fico entre a tecnologia e a subjetividade.

Minha trajetória profissional e intelectual sempre esteve atravessada por encontros que, à primeira vista, podem parecer distantes. Tecnologia, trabalho, gestão, desenvolvimento profissional, Psicologia, Psicanálise, relações humanas. Mas, para mim, esses mundos nunca estiveram realmente separados.

A tecnologia transforma a maneira como trabalhamos, nos comunicamos, produzimos e consumimos. Mas ela também transforma a maneira como nos percebemos. O trabalho não ocupa apenas algumas horas do nosso dia: ele participa da construção da nossa identidade. As redes sociais não são apenas ferramentas de comunicação: elas também interferem na maneira como buscamos reconhecimento. A inteligência artificial não é somente uma nova tecnologia: ela nos coloca diante de perguntas antigas sobre criatividade, conhecimento, competência, valor e, principalmente, sobre o que significa ser humano.

É nesse encontro que gosto de pensar. Não me interessa escrever sobre tecnologia apenas como tecnologia. Interessa-me pensar o que a tecnologia faz conosco.

Não me interessa falar sobre trabalho apenas como carreira, produtividade ou sucesso. Interessa-me pensar o que acontece com o sujeito quando sua existência começa a ser medida pela sua produtividade.

Não me interessa falar sobre relações humanas apenas como um conjunto de comportamentos que podemos aprender. Interessa-me pensar o que desejamos, o que tememos, o que repetimos e o que tentamos esconder quando nos relacionamos com o outro.

Essa é a principal característica deste espaço: olhar para aquilo que parece cotidiano e perguntar o que existe por baixo da superfície.

Não escrevo para dar respostas prontas. Vivemos em uma época fascinada por respostas rápidas.

Como ser mais produtivo? Como ter sucesso? Como deixar de procrastinar? Como construir uma carreira? Como lidar com pessoas difíceis? Como ser feliz? Como desenvolver inteligência emocional? Como usar melhor a tecnologia? Como alcançar seus objetivos?

Há uma indústria inteira dedicada a nos ensinar como fazer tudo isso. E por isso, eu tenho cada vez mais interesse pelas perguntas. Porque algumas questões humanas não cabem em cinco passos. Não existe um método universal para compreender o próprio desejo. Não existe uma fórmula capaz de eliminar a angústia. Não existe uma técnica que nos torne definitivamente seguros de quem somos. Não existe uma receita para estabelecer relações sem conflitos. E não existe sequer uma definição definitiva de sucesso.

É claro que conhecimento, ferramentas e estratégias podem nos ajudar. Mas existe uma diferença importante entre aprender a fazer alguma coisa e compreender por que fazemos aquilo que fazemos. É nessa diferença que a minha escrita procura se instalar.

Sempre começo com algo muito simples. Uma conversa. Uma situação no trabalho. Uma mudança tecnológica. Uma experiência cotidiana. Uma frase que ouvi. Um comportamento que me chamou a atenção. E então começo a perguntar. Por que isso me incomodou? Por que tantas pessoas vivem dessa maneira? O que existe por trás desse comportamento? O que estamos tentando conseguir quando buscamos determinada coisa? O que estamos tentando evitar? E, principalmente: o que isso revela sobre nós?

Escrever é uma forma de escutar. Existe uma contradição interessante na escrita. Quando escrevemos, parece que estamos falando. Escrever é uma maneira de escutar. Escutar aquilo que ainda não conseguimos organizar. Uma ideia começa de um jeito e termina de outro. Uma pergunta leva a outra. Uma certeza começa a perder sua força. Algo que parecia evidente deixa de ser. Por isso, não gosto de escrever como quem já sabe exatamente onde quer chegar. Gosto de deixar que o pensamento aconteça durante a escrita.

Isso também significa aceitar que alguns textos não terminem com uma conclusão definitiva. Penso que a melhor conclusão é uma pergunta. Não porque faltou alguma coisa ao texto, mas porque talvez uma pergunta seja capaz de acompanhar o leitor para além dele. Afinal, o texto termina. O pensamento, não necessariamente.

No fundo, este é um blog sobre pessoas. Mesmo quando escrevo sobre tecnologia, estou falando de pessoas. Quando escrevo sobre trabalho, estou falando de pessoas. Quando escrevo sobre carreira, estou falando de pessoas. Quando escrevo sobre inteligência artificial, estou falando de pessoas. Quando escrevo sobre relações, desejo, reconhecimento, produtividade ou identidade, continuo falando de pessoas.

E pessoas são complexas. Nós podemos desejar uma coisa e fazer outra. Podemos reclamar de uma situação e, ao mesmo tempo, ter medo de que ela mude. Podemos desejar liberdade e sentir angústia quando precisamos escolher. Podemos querer reconhecimento e nos incomodar quando passamos a depender dele. Podemos dizer que queremos descansar e nos sentir culpados quando finalmente paramos. Podemos desejar uma vida diferente e continuar repetindo os mesmos caminhos. Essa contradição não é necessariamente um defeito que precisa ser eliminado. É parte daquilo que significa ser humano.

É por isso que a Psicanálise me interessa tanto. Ela nos convida a desconfiar das explicações fáceis sobre nós mesmos. Nem sempre sabemos por que fazemos o que fazemos. Nem sempre aquilo que dizemos querer corresponde exatamente àquilo que desejamos. Nem sempre temos consciência das forças que participam das nossas escolhas. Há algo de libertador em reconhecer isso. Porque reconhecer que não somos completamente transparentes para nós mesmos pode ser o começo de uma investigação.

O mundo mudou, mas algumas perguntas continuam. Estamos vivendo uma transformação tecnológica profunda. A inteligência artificial já participa de atividades que, até pouco tempo atrás, pareciam exclusivamente humanas. Máquinas escrevem, criam imagens, programam, resumem, analisam, conversam. Isso inevitavelmente produz entusiasmo. Mas também produz medo. O que acontecerá com nossas profissões? O que será valorizado? O que ainda será considerado conhecimento? O que significa ser competente quando uma máquina consegue executar determinadas tarefas em segundos? Essas são perguntas importantes. 

Quem somos nós quando aquilo que usávamos para definir nosso valor deixa de ser exclusivamente nosso?

Durante muito tempo, aprendemos a construir nossa identidade a partir daquilo que sabemos fazer. Somos aquilo que estudamos. Somos nossa profissão. Somos nossa capacidade de produzir. Somos aquilo que conseguimos entregar. Mas e quando uma máquina começa a fazer parte disso? Somos obrigados a olhar novamente para nós mesmos. E esse movimento é desconfortável. Porque descobrimos que passamos tempo demais tentando provar nosso valor. Descobrimos que confundimos produtividade com existência. Percebemos que nossa necessidade de reconhecimento nunca foi apenas profissional. Descobrimos que aquilo que parecia uma corrida por sucesso era também uma tentativa de responder a uma pergunta bem antiga: “Eu tenho valor?”

Não é um blog sobre respostas. É um blog sobre perguntas. Essa é a melhor definição que consigo encontrar para o meu blog. Um lugar para pensar. Pensar sobre o trabalho. Sobre tecnologia. Sobre Psicanálise. Sobre relações. Sobre identidade. Sobre o mundo contemporâneo. Sobre aquilo que nos angustia. Sobre aquilo que desejamos. Sobre aquilo que repetimos. Sobre aquilo que ainda não conseguimos compreender.

Não tenho a pretensão de oferecer ao leitor uma verdade definitiva. Até porque não a tenho e mesmo se a tivesse, desconfio das verdades definitivas quando estamos falando de seres humanos. O que posso oferecer é minha companhia para pensar. Um texto que te faça parar por alguns minutos. Uma ideia que te incomode. Uma pergunta que volte à sua cabeça mais tarde. Uma perspectiva diferente sobre algo que parecia conhecido. É pouco? Talvez não seja. Em uma época em que somos constantemente estimulados a passar rapidamente de uma coisa para outra, parar para pensar já pode ser uma forma de resistência.

Para quem é este blog? É para quem se interessa pelo que existe por trás das coisas. Para quem já se perguntou por que o trabalho ocupa tanto espaço na vida. Para quem sente que produtividade não explica tudo. Para quem se interessa pelas transformações provocadas pela tecnologia, mas também quer compreender seus efeitos sobre as pessoas. Para quem gosta de Psicologia e Psicanálise, mesmo sem necessariamente ser especialista. Para quem gosta de refletir sobre relações humanas. Para quem vive as contradições do mundo contemporâneo. Para quem já percebeu que algumas perguntas são mais importantes do que determinadas respostas. E também para quem simplesmente gosta de ler.

Acredito que um bom texto não precisa necessariamente ensinar alguma coisa. Às vezes, ele precisa apenas nos fazer enxergar alguma coisa que estava ali o tempo todo. Continuo escrevendo, porque ainda há muito a pensar. Mais do que nunca. As mudanças acontecem rápido, mas o sujeito continua tendo que lidar com questões bastante antigas. Desejo. Medo. Amor. Reconhecimento. Solidão. Ambição. Insegurança. Perda. Escolha. Conflito. Pertencimento.

A lista é bem grande ...

A tecnologia muda. O mercado de trabalho muda. As formas de relacionamento mudam. As palavras que usamos para descrever o mundo mudam. Mas continuamos sendo seres que desejam, sofrem, amam, competem, fantasiam, têm medo, procuram reconhecimento e tentam encontrar algum sentido para aquilo que vivem. Quero escrever justo nesse intervalo entre um mundo que muda rapidamente e um sujeito que continua tentando compreender a si mesmo.

Meu blog é isso: um espaço para pensar o humano em meio às transformações do nosso tempo. Não apenas o que estamos fazendo, mas por que fazemos. Não apenas para onde a tecnologia está indo, mas o que ela está fazendo conosco. Não apenas como trabalhar melhor, mas o lugar que o trabalho ocupa em nossas vidas. Não apenas como alcançar o sucesso, mas o que estamos chamando de sucesso e para quem. Não apenas como nos relacionarmos melhor, mas o que buscamos quando precisamos do outro.

Não me interessa falar apenas sobre como mudar, mas também compreender aquilo que, dentro de nós, insiste em permanecer.

E te faço um convite: se você chegou até aqui, talvez este blog possa ser também um pouco seu. Não porque eu pretenda dizer exatamente o que você deve pensar. Mas porque gostaria que os textos provocassem alguma coisa em você. Uma identificação ou Uma inquietação.

Talvez você leia um texto e pense: “nunca tinha olhado para isso dessa maneira”.

Talvez pense exatamente o contrário: “não concordo”. Ótimo. Está tudo certo!

Para mim, as duas coisas são interessantes. Você não precisa concordar, só permitir que uma ideia te atravesse antes de decidir o que fará com ela. É por isso que continuo escrevendo. Para investigar aquilo que me inquieta. Para tentar compreender melhor o mundo em que vivemos. Para aproximar tecnologia e subjetividade, trabalho e desejo, cotidiano e Psicanálise. E ... para continuar fazendo perguntas. 

Se alguma coisa neste blog fizer você se perguntar “Por que será que eu faço isso?”, então a escrita já terá cumprido seu papel.

Seja bem-vindo. Este espaço é para pensar. Para pensar junto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Sinceramente

O mundo está cheio de pessoas que não valem a pena. Gente que se aproxima enquanto existe alguma vantagem, enquanto pode ganhar alguma coisa, enquanto você serve para alguma finalidade. Mas basta você precisar delas para desaparecerem como se nunca tivessem feito parte da sua vida.

São pessoas interesseiras, sem consideração, sem lealdade e, principalmente, sem vergonha na cara. Estão sempre por perto quando é conveniente, mas somem justamente quando você mais precisa.

E o pior é que ainda têm a cara de pau de agir como se não devessem nada a ninguém. Como se fossem vítimas. Como se a gente fosse obrigado a aceitar esse tipo de comportamento.

Com o tempo, a gente aprende: nem todo mundo que chega merece ficar. Algumas pessoas só precisam ser reconhecidas pelo que realmente são e deixadas para trás.

Porque caráter não aparece quando tudo está bem. Caráter aparece quando você não tem nada a oferecer e, mesmo assim, a pessoa escolhe permanecer.

O resto é só interesse. E, sinceramente?

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Direito encontra o Criminoso, a Psiquiatria encontra o Doente, já a Psicanálise encontra o Sujeito!

E se o psicótico pudesse responder pelo seu ato?

Há livros que terminamos de ler com algumas respostas. Outros nos deixam com perguntas que continuam trabalhando dentro da gente. Foi um pouco isso que aconteceu comigo ao ler Inimputabilidade Penal e Psicanálise: uma nova visão do criminoso psicótico, de Greta Fernandes Moreira.

O tema, à primeira vista, parece pertencer ao Direito: o que fazer quando uma pessoa com transtorno mental comete um crime? É culpada? Deve ser punida? Deve ser tratada? Pode ser responsabilizada? Mas a autora desloca a questão para outro lugar. A partir da Psicanálise, especialmente de Freud e Lacan, ela questiona a ideia de que a inimputabilidade jurídica possa significar, automaticamente, uma espécie de ausência de responsabilidade subjetiva.

E é justamente aí que o livro começa a me incomodar, no melhor sentido da palavra.

O Direito precisa criar categorias. Culpado ou inocente. Imputável ou inimputável. Pena ou medida de segurança. Essas categorias são necessárias para que o sistema jurídico possa funcionar. Mas talvez exista um problema quando começamos a acreditar que a categoria consegue dizer tudo sobre a pessoa.

No caso da inimputabilidade, a pergunta jurídica está relacionada à capacidade do sujeito, no momento do ato, de compreender o caráter ilícito de sua conduta ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. O artigo 26 do Código Penal brasileiro estabelece justamente esse critério. A obra de Greta parte dessa construção jurídica para interrogá-la a partir da Psicanálise.  

Há algo que me parece fundamental nessa discussão: o sujeito jurídico não é necessariamente o mesmo sujeito da Psicanálise.

Para o Direito, é preciso estabelecer se alguém pode ou não ser responsabilizado penalmente.

Para a Psicanálise, a questão da responsabilidade passa por outro lugar: pelo sujeito, pela sua relação com o próprio ato, com seu desejo, com sua história e com aquilo que, muitas vezes, ele próprio não consegue compreender.

É uma diferença aparentemente pequena, mas que muda completamente a pergunta.

Não apenas: “Ele pode ser responsabilizado pelo que fez?”

Mas também: “O que esse ato representa para esse sujeito?”

Uma das questões que mais me chamou atenção na proposta do livro é justamente essa tentativa de não deixar desaparecer o sujeito atrás do diagnóstico. Quando alguém é chamado de “criminoso psicótico”, existe uma tendência quase inevitável de juntar duas coisas: o diagnóstico e o ato.

O sujeito passa a ser visto pelo crime. Depois, pelo diagnóstico. E, finalmente, pela categoria jurídica. Mas onde fica a pessoa? Taí uma contribuição que a Psicanálise pode oferecer a esse debate: lembrar que existe um sujeito ali, mesmo quando ele está tomado por uma experiência psíquica que rompe com aquilo que costumamos chamar de realidade.

A autora não propõe simplesmente substituir a pena pelo tratamento ou afirmar que todo criminoso psicótico deve ser considerado responsável juridicamente. Sua proposta é mais incômoda: revisitar a própria ideia de inimputabilidade e pensar as consequências que determinadas classificações produzem para o sujeito e para o Estado. E isso me parece muito importante.

Porque declarar alguém inimputável pode proteger esse sujeito de uma determinada resposta penal. Mas também pode produzir outro efeito: retirá-lo da posição de alguém que pode falar sobre aquilo que fez.

Como se disséssemos: “Você não pode responder por isso porque não estava em condições de responder.” Mas será que não existe uma diferença entre não responder juridicamente da mesma maneira e não poder responder subjetivamente de maneira alguma?

É aqui que Lacan aparece como uma espécie de provocador dessa conversa. A Psicanálise não trabalha com a responsabilidade como simples sinônimo de culpa. Essa distinção é fundamental.

Culpa pode ser uma categoria jurídica. Responsabilidade, na perspectiva psicanalítica, diz respeito à posição do sujeito diante daquilo que lhe acontece e também diante daquilo que faz.

A obra percorre justamente esse caminho: apresenta a constituição do sujeito na Psicanálise, discute a responsabilidade subjetiva e depois entra na psicose, passando por Freud, Lacan, o Nome-do-Pai e a foraclusão, antes de chegar à passagem ao ato.  É um percurso denso.

E, em alguns momentos, tive a sensação de que o livro poderia ir ainda mais longe. Porque existe uma questão que me parece permanecer aberta: como transformar a ideia de responsabilização subjetiva em uma prática concreta sem correr o risco de simplesmente recolocar o sujeito dentro de uma nova forma de julgamento? Esse é, para mim, um dos pontos críticos. Se o Direito reduz o sujeito à categoria de inimputável, a Psicanálise não pode simplesmente substituí-la pela categoria de “sujeito responsável” e imaginar que o problema está resolvido. A escuta psicanalítica exige justamente o contrário: sustentar a singularidade.

Outro ponto interessante do livro é a discussão sobre a passagem ao ato na psicose. Aqui o crime deixa de ser pensado apenas como uma conduta que pode ser classificada juridicamente e passa a ser interrogado como um acontecimento na economia subjetiva daquele que o praticou.

A autora recorre a casos como Aimée, as irmãs Papin, J.C. e Louis Althusser (casos que me despertaram tanto interesse, que estudei em profundidade e depois vou escrever textos sobre cada um deles) para pensar diferentes formas de relação entre psicose, ato e responsabilização. E essa parte me fez pensar em algo que ultrapassa bastante o tema jurídico. Nós vivemos em uma época em que temos uma enorme necessidade de explicar comportamentos. Diagnosticar. Classificar. Encontrar uma causa. Dar um nome. Porque o nome nos dá a sensação de que entendemos. Mas compreender um diagnóstico não significa necessariamente compreender um sujeito. E compreender um ato também não significa encontrar sua causa definitiva. A Psicanálise, nesse sentido, parece fazer um movimento contrário ao da explicação rápida. Ela não elimina o enigma. Ela o sustenta.

Mas há um risco nessa proposta. É justamente aqui que eu faria minha crítica ao livro. A ideia de responsabilização subjetiva é potente, mas precisa ser manejada com muito cuidado. Existe um risco de que a noção de responsabilidade seja romantizada ou transformada em uma espécie de solução universal. Afinal, responsabilizar não é simplesmente dizer ao sujeito: “você fez isso, portanto responda”. Se fosse assim, estaríamos novamente no território da culpa. A responsabilidade subjetiva, para fazer sentido psicanaliticamente, precisa estar articulada à possibilidade de o sujeito produzir alguma relação própria com aquilo que aconteceu. E isso não pode ser imposto de fora.

Não se pode obrigar alguém a subjetivar seu ato da mesma maneira que se aplica uma pena. Essa é uma das dificuldades de levar a Psicanálise para dentro do campo jurídico: a Psicanálise trabalha com o singular, enquanto o Direito precisa trabalhar com regras gerais. São discursos diferentes.

Por isso, para mim, o diálogo entre Direito e Psicanálise seja tão fértil e tão perigoso.

O que fazemos com aquele que não pode responder como esperamos? No fundo, talvez essa seja a pergunta que ficou comigo depois da leitura. Quando alguém comete um crime em uma experiência psicótica, queremos saber rapidamente o que fazer com ele. Punir? Tratar? Internar? Proteger a sociedade? Proteger o próprio sujeito?

Mas a Psicanálise acrescenta outra pergunta: podemos escutá-lo? Não para justificar o crime. Não para negar a vítima. Não para transformar sofrimento psíquico em desculpa. E menos ainda para afirmar que todo ato precisa necessariamente receber uma resposta penal. Mas para não perder de vista que, antes de ser um diagnóstico, antes de ser um criminoso e antes de ser um inimputável, existe ali um sujeito.

Acho esse o maior mérito da obra de Greta Fernandes Moreira: deslocar nosso olhar do ato para aquele que o praticou. E, ao fazer isso, ela nos coloca diante de uma contradição difícil. Às vezes, aquilo que parece uma forma de proteção pode também ser uma forma de apagamento. Declarar alguém incapaz de responder pode ser necessário juridicamente. Mas será que precisamos, junto com isso, retirar dele a possibilidade de construir algum sentido sobre o próprio ato? Para mim, responsabilizar é também devolver uma palavra.

Fiquei pensando nisso depois de terminar de ler o livro. Talvez a principal questão não seja escolher entre punição e tratamento. Mas perguntar o que acontece quando, em nome de uma classificação, deixamos de escutar. A Psicanálise não oferece uma resposta simples para o crime, para a psicose ou para a inimputabilidade. Ela nos lembra que há algo que escapa. Escapa ao diagnóstico. Escapa ao código penal. Escapa à explicação psiquiátrica. Escapa até mesmo ao próprio sujeito. E é nesse espaço de não saber que uma escuta pode começar.

O livro de Greta não resolve esse impasse e minha impressão é que ele nem tinha essa intenção. Sua maior contribuição está justamente em produzir o desconforto necessário para que continuemos perguntando: quando dizemos que alguém é inimputável, estamos apenas reconhecendo um limite jurídico ou estamos, sem perceber, dizendo que não há mais nada a escutar naquele sujeito?

Eu acredito que responsabilizar não é apenas atribuir culpa. Em alguns casos, responsabilizar pode significar devolver ao sujeito a possibilidade de ter uma palavra sobre aquilo que fez.

Terminei de ler o livro com mais perguntas do que tinha quando comecei. Saí com algumas respostas, é verdade, mas também com a sensação de que, quando falamos de loucura, crime e responsabilidade, as respostas mais importantes são justamente aquelas que não encerram a pergunta. O livro me fez pensar no quanto é fácil transformar um sujeito em um diagnóstico, em um crime ou em uma categoria jurídica. O que fica dessa leitura é a necessidade de não perdermos de vista o sujeito que existe por trás de tudo isso. Fechei o livro, mas a discussão continuou em mim. E penso que esse é o melhor tipo de leitura: aquela que termina na última página, mas não termina dentro da gente.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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