Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Uma segunda-feira qualquer...

Eu tenho pensado muito sobre essa necessidade que a gente criou de transformar tudo em aprendizado. Parece que não basta sofrer. A gente precisa sair do sofrimento com alguma coisa nas mãos: uma lição, uma evolução, um propósito, uma versão melhor de nós mesmos. Como se a dor só pudesse ser legitimada depois de produzir algum resultado. Talvez por isso eu tenha demorado tanto para admitir que, às vezes, eu simplesmente me arrependo. Não de tudo, não o tempo inteiro e talvez nem seja exatamente arrependimento. É mais difícil de explicar do que isso.

Eu larguei um emprego, benefícios, um bom salário, uma área, para me aventurar na Psicologia. E usar a palavra “aventurar” talvez ainda seja uma das formas mais honestas que encontrei para falar sobre essa escolha. Não porque eu não soubesse o que estava fazendo, mas porque existe alguma coisa de muito incerta em abandonar uma carreira relativamente consolidada para começar outra. Eu sabia que queria a Psicologia, sabia que gostava da área, sabia que havia alguma coisa naquela profissão que fazia sentido para mim, mas saber disso não tornou a escolha menos assustadora. Eu deixei para trás uma remuneração, uma imagem, um reconhecimento, um lugar, que, em alguns momentos, faz falta e entrei em uma profissão que exige muito antes de oferecer qualquer sensação real de estabilidade.

Só que a história não termina aí, como talvez fosse mais bonito contar. Eu não estou no meio da graduação, esperando algum dia me tornar psicóloga. Eu já me formei. Tenho meu consultório montado, estou atendendo muitos pacientes, presencialmente e on-line, de muitos outros lugares e, sinceramente, gosto muito do que faço. Gosto da clínica, gosto de estudar, gosto de ler, gosto das perguntas que a Psicologia me provoca e gosto da possibilidade de passar horas tentando compreender alguma coisa que, para outra pessoa, pode parecer apenas uma conversa. Eu construí uma profissão que faz sentido para mim e tenho orgulho disso. Mas isso não significa que todas as manhãs eu acorde pensando que fiz a melhor escolha da minha vida.

Tem segundas-feiras em que eu me arrependo. É sobre escolher uma vida e sentir falta da outra!

E acho importante conseguir dizer isso sem imediatamente transformar a frase em uma grande reflexão sobre coragem, propósito ou realização pessoal. Porque talvez eu simplesmente esteja cansada. Talvez algumas segundas-feiras sejam só segundas-feiras. Talvez nem tudo precise significar alguma coisa.

Existe uma romantização muito grande da mudança profissional, principalmente quando ela pode ser contada depois que as coisas começam a dar certo. A história fica bonita: alguém estava insatisfeito, teve coragem, largou um emprego estável, seguiu um sonho, estudou, se reinventou e hoje trabalha com aquilo que ama. É uma narrativa ótima. O problema é que quase ninguém conta a parte intermediária. Ninguém fala tanto sobre a graduação difícil, sobre as leituras que parecem nunca acabar, sobre a sensação de que sempre existe alguma coisa que você ainda não sabe, sobre a necessidade de continuar estudando mesmo depois de formada, sobre supervisão, cursos, atualização, construção de carreira e, principalmente, sobre a dificuldade de transformar uma profissão que você ama em uma forma sustentável de viver.

A Psicologia tem ainda uma particularidade que talvez torne tudo isso um pouco mais contraditório. É uma profissão que eu escolhi porque gosto de compreender pessoas, de ouvir, de estudar, de pensar. E justamente por isso existe sempre a sensação de que nunca é suficiente. Você se forma e percebe o tamanho do que ainda não sabe. Lê um livro e encontra outros dez. Aprende uma teoria e percebe que existem outras maneiras de olhar para a mesma coisa. Atende um paciente e sai da sessão pensando em uma intervenção, uma palavra, uma pergunta que poderia ter sido diferente. E então estuda mais. Lê mais. Faz mais. Tenta entender mais. Existe uma espécie de movimento infinito de aprofundamento que, ao mesmo tempo em que é uma das coisas mais bonitas da profissão, também é exaustivo.

E existe ainda a realidade de trabalhar como psicóloga hoje. Existe a chamada uberização da Psicologia, a pressão por preços, as plataformas, a necessidade de divulgar o próprio trabalho, produzir conteúdo, responder mensagens, organizar agenda, lidar com faltas, pagamentos, burocracias e, além de tudo isso, estudar e atender. Existe uma ideia muito difundida de que, se você trabalha com aquilo que ama, o restante deixa de importar. Mas não deixa. Amor pela profissão não paga conta. Propósito não substitui estabilidade. E gostar do que eu faço não significa que eu não possa sentir falta da segurança financeira ou de outros tipos de reconhecimento.

Eu posso amar a Psicologia e sentir falta do que trabalhava. Posso gostar profundamente da clínica e achar difícil construir uma carreira nela. Posso olhar para o meu consultório e sentir orgulho do que consegui fazer e, em outro momento, pensar que talvez tivesse sido mais fácil continuar onde eu estava. Essas coisas não se anulam. Elas podem existir ao mesmo tempo.

Talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de aceitar quando fazemos uma escolha grande: depois que escolhemos um caminho, continuamos capazes de imaginar todos os outros. Eu poderia ter permanecido naquele emprego. Poderia ter continuado naquela outra área. Poderia ter seguido aquela carreira e talvez hoje estivesse igualmente feliz. Às vezes eu penso nisso. E pensar nisso não significa necessariamente que eu quero voltar. Significa apenas que aquela vida existiu. Ela foi minha durante muito tempo. Tinha coisas boas.Não preciso transformar a minha vida anterior em um erro para justificar a vida que tenho hoje.

Talvez eu também não precise transformar a Psicologia em uma escolha perfeita para justificar ter feito essa mudança. Eu não preciso dizer que foi a melhor decisão da minha vida. Com certeza foi uma decisão importante. Uma decisão que fez sentido para mim naquele momento e que continua fazendo sentido em muitos aspectos, embora também tenha ônus que eu não imaginava completamente quando comecei.

Porque escolher alguma coisa também é abrir mão de outras. E acho que existe uma certa ingenuidade em falar sobre escolhas sem falar sobre renúncias. Quando eu escolhi a Psicologia, eu não ganhei apenas uma profissão. Eu também abri mão de determinadas certezas. Ganhei um consultório, pacientes, estudo, leituras, uma profissão que me interessa profundamente e a possibilidade de fazer um trabalho que considero significativo. Mas também ganhei instabilidade, responsabilidade, dúvidas e uma necessidade permanente de continuar construindo alguma coisa que ainda não está pronta.

E talvez seja justamente isso que me incomoda em tantas narrativas sobre encontrar o próprio propósito. Elas parecem sugerir que, quando finalmente encontramos aquilo que amamos, a dúvida desaparece. A minha experiência mostra que não. Eu encontrei uma profissão de que gosto muito e continuo tendo dúvidas. Eu construí um consultório e ainda sinto receio. Eu me formei e continuo estudando muito e com afinco, como se ainda faltasse alguma coisa. Eu atendo pessoas e continuo sendo uma pessoa com as minhas próprias questões. Eu fiz uma escolha que considero importante e, em determinadas segundas-feiras, ainda penso que talvez tenha sido uma péssima ideia.

E eu não preciso resolver essa contradição.

Talvez a gente tenha uma necessidade excessiva de resolver tudo. Se estou feliz, preciso explicar por quê. Se estou triste, preciso descobrir o que aprendi. Se estou sofrendo, preciso encontrar um propósito. Se mudei de carreira, preciso dizer que foi a melhor decisão da minha vida. Se estou cansada, preciso descobrir qual foi o ensinamento daquele cansaço. Como se toda experiência precisasse produzir imediatamente algum sentido.

Eu não quero mais transformar todo desconforto em crescimento. Às vezes eu quero apenas reconhecer que está difícil. Sem uma grande conclusão, sem uma lição e sem a obrigação de agradecer pelo sofrimento. Porque nem todo sofrimento precisa virar aprendizado.

Talvez algumas coisas simplesmente doam. Algumas escolhas simplesmente custem. Algumas fases simplesmente sejam cansativas. E talvez amadurecer também seja conseguir permanecer diante dessas coisas sem precisar imediatamente transformá-las em uma história bonita.

Eu não sei se fiz a escolha certa todos os dias. Na verdade, em alguns dias eu tenho bastante certeza de que não fiz. Mas também sei que existe uma parte muito grande de mim que gosta de estar aqui. Eu gosto da Psicologia, gosto da clínica, gosto de estudar, gosto dos pacientes que chegam até mim, gosto de efetivamente fazer diferença na vida dos meus pacientes, gosto das histórias que escuto e das perguntas que esse trabalho me obriga a fazer. Tenho orgulho do consultório que construí e da profissão que estou construindo. Isso também é verdade.

Talvez a questão seja justamente aceitar que uma verdade não precisa apagar a outra. Posso estar feliz e cansada. Posso amar o que faço e sentir falta do que deixei para trás. Posso estar orgulhosa e insegura. Posso ter escolhido conscientemente e ainda assim sentir saudade da vida que não escolhi.

E talvez seja isso que eu queira preservar nessa escolha: o direito de não precisar transformá-la em uma história perfeita. Eu não quero olhar para trás daqui a alguns anos e precisar dizer que largar aquele emprego foi a melhor coisa que me aconteceu. Talvez tenha sido. Talvez não. Talvez tenha sido apenas uma das decisões importantes da minha vida, com coisas muito boas e coisas muito difíceis.

Por enquanto, sigo estudando demais, lendo sem parar, atendendo muitoooooo, construindo meu consultório e tentando aprender a viver de uma profissão que escolhi porque gosto. E, de vez em quando, numa segunda-feira particularmente difícil, provavelmente vou continuar pensando que talvez eu tenha cometido um erro enorme.

Sei que não preciso brigar com esse pensamento. Posso apenas deixá-lo existir. Porque nem todo sofrimento precisa virar aprendizado. Às vezes, um sofrimento é apenas sofrimento.  

Nem todo sofrimento precisa virar aprendizado!

A gente parece ter aprendido que até o sofrimento precisa ser produtivo.

Se uma relação termina, precisamos descobrir o que ela nos ensinou.
Se alguém nos decepciona, precisamos sair “mais fortes”.
Se atravessamos uma fase difícil, precisamos encontrar um propósito.
Se algo deu errado, precisamos tirar uma lição.

Como se sofrer não fosse suficiente. Como se ainda precisássemos fazer alguma coisa com aquilo.

Existe uma espécie de pressa para transformar a dor em crescimento.

“Foi difícil, mas me fez evoluir.”

“Hoje eu agradeço por tudo que passei.”

“Tudo acontece por uma razão.”

Talvez. Às vezes, sim. Mas nem sempre. Às vezes, uma coisa ruim simplesmente foi ruim.

Uma perda pode ser uma perda.
Uma decepção pode continuar sendo uma decepção.
Uma injustiça não precisa necessariamente ter vindo para nos ensinar alguma coisa.

E talvez exista algo de muito humano em poder dizer: isso doeu e eu não sei o que fazer com isso ainda.

Na clínica, essa diferença importa. Porque quando alguém chega sofrendo, nem sempre precisa de uma explicação. Muito menos de uma lição de moral.

Às vezes, precisa de um lugar onde possa falar sobre aquilo sem precisar imediatamente transformar a experiência em alguma coisa bonita.

A psicanálise não parte necessariamente da ideia de que precisamos encontrar um sentido para tudo. Existe um espaço importante para aquilo que ainda não faz sentido.

Para a contradição. Para a raiva. Para a culpa. Para a saudade.

Para aquilo que parece pequeno para os outros, mas que para aquela pessoa não é.

E também para o tempo.

Porque elaborar não é o mesmo que superar rapidamente. Há coisas que só podem ser compreendidas depois de algum tempo. E há outras que talvez nunca encontrem uma explicação completamente satisfatória.

Isso não significa que o sofrimento seja inútil. Significa apenas que ele não precisa justificar a própria existência sendo transformado em aprendizado.

Talvez, em alguns momentos, cuidar de si seja menos sobre perguntar “o que isso veio me ensinar?” e mais sobre conseguir reconhecer: “Isso foi difícil para mim.”

E deixar essa frase existir. Sem pressa de completar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Meu filho faz terapia. Eu tenho o direito de saber tudo?

A resposta depende da idade do filho, do grau de autonomia dele e do tipo de informação envolvida.

O fato de seu filho fazer terapia não significa que você perde o direito de acompanhar a saúde e o desenvolvimento dele, mas também não significa que você tem direito a saber tudo o que é falado dentro da sessão. A terapia precisa ser um espaço de confiança para que ele consiga falar livremente. Se ele acreditar que tudo será contado aos pais, pode deixar de trazer assuntos importantes.

  • Crianças pequenas: os pais ou responsáveis geralmente precisam participar mais do processo, porque a criança ainda depende deles para compreender e organizar muitas questões da vida. O terapeuta pode compartilhar informações gerais sobre funcionamento, evolução, orientações e pontos necessários para ajudar a criança, preservando conteúdos íntimos que não precisam ser expostos.
  • Pré-adolescentes e adolescentes: conforme a criança cresce, aumenta a necessidade de privacidade. O adolescente começa a construir identidade, autonomia e capacidade de reflexão própria. Nessa fase, o sigilo é fundamental para que ele tenha um espaço seguro para falar sobre sentimentos, conflitos, amizades, sexualidade, inseguranças e outros temas. Os pais continuam tendo um papel importante, mas o terapeuta busca equilibrar o direito dos responsáveis ao acompanhamento com o direito do adolescente à privacidade.
  • Adolescentes mais velhos (próximos da maioridade): a preservação da autonomia tende a ser ainda maior. O jovem já possui maior capacidade de tomar decisões sobre si e precisa ser tratado como alguém em desenvolvimento de independência.

Os pais têm o direito de saber como o tratamento está acontecendo, se o filho está seguro, se há evolução e quais cuidados podem ajudar em casa. Mas não têm necessariamente direito ao conteúdo de cada conversa. O sigilo não é contra a família; ele é uma ferramenta para proteger o vínculo terapêutico.

Também é importante dizer que existem exceções ao sigilo, independentemente da idade: quando há risco de vida, risco de autoagressão, violência, abuso ou alguma situação em que a segurança do paciente esteja ameaçada, o terapeuta precisa envolver responsáveis ou outras redes de proteção.

No início da terapia com crianças e adolescentes, costuma-se combinar previamente com a família o que será compartilhado e de que forma, para evitar que os pais sintam que estão “no escuro” e para que o paciente saiba que sua privacidade será respeitada.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Arriscado

A gente passa boa parte da vida tentando diminuir os riscos. Confere duas vezes a mensagem antes de enviar. Repassa mentalmente uma conversa que nem aconteceu. Imagina todos os cenários possíveis, principalmente os ruins. Faz plano A, B, C... e, se der tempo, inventa até o Z.

É curioso porque quase nunca é o risco que machuca primeiro. O que desgasta é o tempo que gastamos tentando impedir que ele exista.

Tem gente que vive tão ocupada tentando não errar que acaba não vivendo muita coisa. Não porque falta coragem, mas porque a necessidade de ter certeza fica maior do que a vontade de experimentar.

No fundo, viver sempre teve uma cláusula que ninguém conseguiu negociar: não existe garantia. Amar é arriscado. Mudar é arriscado. Ficar também. Dizer o que pensa, pedir ajuda, começar de novo, confiar em alguém... tudo isso envolve algum risco.

Talvez o problema não seja correr riscos. Talvez seja acreditar que existe uma forma de viver sem eles. E, ironicamente, essa costuma ser a aposta mais arriscada de todas.



Por que algumas pessoas pensam tanto antes de sentir?

Existe um tipo de cansaço que não aparece no corpo.

Ele aparece na mente.

É o cansaço de quem passa horas analisando uma conversa, imaginando possibilidades, tentando prever reações, ensaiando respostas, revisando decisões e buscando uma certeza que nunca chega.

À primeira vista, parece apenas alguém que pensa muito.

Mas, muitas vezes, não é exatamente sobre pensar.

É sobre tentar encontrar, na razão, uma proteção contra aquilo que as emoções carregam de imprevisível.

Nem toda pessoa que analisa demais é excessivamente racional.

Em muitos casos, ela apenas aprendeu que sentir era perigoso.

Quando imaginamos alguém "emocional", normalmente pensamos em alguém impulsivo, que age antes de refletir.

Mas existe outro extremo, muito menos visível.

São pessoas que refletem tanto que acabam adiando a própria experiência.

Antes de dizer "eu gosto", elas querem ter certeza.

Antes de confiar, precisam reunir provas.

Antes de se aproximar, calculam todas as possibilidades de dar errado.

Antes de decidir, tentam prever cada consequência.

E, quando finalmente chegam a uma conclusão, já surgiu uma nova dúvida.

Não porque lhes falte inteligência.

Na verdade, frequentemente acontece o contrário.

Pessoas muito observadoras, sensíveis e capazes de perceber nuances costumam construir raciocínios extremamente sofisticados.

O problema é que nem tudo na vida pode ser resolvido por meio da lógica.

Especialmente aquilo que diz respeito aos vínculos.

Existe uma pergunta que aparece de maneiras muito diferentes ao longo da vida:

"E se eu sofrer?"

Algumas pessoas fazem essa pergunta de forma explícita.

Outras nunca a formulam.

Mas organizam suas escolhas tentando impedir que ela precise ser respondida.

Então procuram garantias.

Garantias de que serão amadas.

Garantias de que não serão rejeitadas.

Garantias de que fizeram a escolha certa.

Garantias de que não irão decepcionar ninguém.

Garantias de que não se arrependerão.

O problema é que nenhuma relação importante oferece esse tipo de segurança.

Nenhuma amizade.

Nenhum casamento.

Nenhuma profissão.

Nenhuma decisão.

Viver implica atravessar um território onde a certeza absoluta simplesmente não existe.

Ainda assim, algumas pessoas continuam procurando por ela.

Não porque sejam ingênuas.

Mas porque, em algum momento da história, a imprevisibilidade foi vivida como algo muito ameaçador.

Há pessoas que cresceram em ambientes onde suas emoções encontravam espaço.

Podiam chorar.

Podiam ficar com raiva.

Podiam errar.

Havia alguém disponível para ajudá-las a compreender aquilo que estavam vivendo.

Nem tudo era perfeito.

Mas existia uma experiência importante:

os sentimentos podiam existir sem colocar o vínculo em risco.

Em outras histórias, isso não aconteceu.

As emoções eram minimizadas.

Ridicularizadas.

Ignoradas.

Ou simplesmente não encontravam ninguém disponível para acolhê-las.

A criança aprende muito cedo algo que dificilmente consegue colocar em palavras.

Ela percebe que algumas partes de si parecem não caber naquele ambiente.

Então começa, pouco a pouco, a organizá-las sozinha.

Primeiro tenta controlar o choro.

Depois aprende a esconder a tristeza.

Mais tarde evita demonstrar medo.

Em seguida passa a vigiar até mesmo o entusiasmo.

Sem perceber, deixa de perguntar:

"O que estou sentindo?"

E passa a perguntar:

"O que seria mais seguro sentir?"

É curioso perceber como algumas pessoas transformam a inteligência em uma forma de cuidado consigo mesmas.

Pensam antes de falar.

Pensam antes de agir.

Pensam antes de desejar.

Pensam antes de amar.

Pensam antes de descansar.

Pensam antes de pedir ajuda.

Pensam até sobre o próprio pensamento.

Não porque gostem de viver dessa maneira.

Mas porque descobriram que compreender oferece uma sensação de controle.

Enquanto conseguem explicar tudo, parece que nada poderá surpreendê-las.

Só que existe um limite para aquilo que o pensamento pode fazer.

Ele consegue explicar uma emoção.

Mas não consegue substituí-la.

Pode descrever o medo.

Mas não elimina o medo.

Pode compreender o amor.

Mas não ama por nós.

Pode construir teorias sobre confiança.

Mas não produz confiança.

Há experiências que só acontecem quando aceitamos que não seremos capazes de antecipar todos os desfechos.

Uma das perguntas mais difíceis da vida adulta é surpreendentemente simples:

"O que você quer?"

Parece uma pergunta fácil.

Mas nem sempre é.

Principalmente para quem passou muito tempo organizando a própria vida a partir das expectativas dos outros.

Essas pessoas costumam saber exatamente o que precisam fazer.

Sabem o que esperam delas.

Sabem como evitar conflitos.

Sabem como agradar.

Sabem como serem reconhecidas.

Mas, quando o assunto é o próprio desejo, surge um silêncio.

Porque desejar implica correr um risco.

Quando escolhemos algo por vontade própria, também nos tornamos responsáveis pelas consequências dessa escolha.

Se der certo, ótimo.

Se der errado, não haverá ninguém para culpar.

Talvez seja por isso que tantas pessoas prefiram permanecer analisando possibilidades.

Enquanto tudo permanece no campo das hipóteses, ainda existe uma sensação de proteção.

É quando a escolha acontece que a realidade começa.

Às vezes acreditamos que estamos tentando entender um problema.

Na verdade, estamos tentando não entrar em contato com ele.

É uma diferença sutil.

Imagine alguém que passa semanas tentando descobrir se ama ou não outra pessoa.

Ela faz listas.

Compara relacionamentos.

Analisa conversas.

Relembra acontecimentos.

Procura sinais.

Pesquisa na internet.

Pergunta para amigos.

Busca respostas em livros.

Quanto mais pensa, mais distante parece ficar da resposta.

Talvez porque a pergunta verdadeira nunca tenha sido:

"Será que eu amo?"

Talvez fosse:

"Será que consigo suportar tudo o que esse sentimento pode trazer?"

A dúvida, às vezes, protege.

Enquanto ainda estou tentando descobrir o que sinto, não preciso me comprometer com aquilo que descubro. 

Controlar tudo parece oferecer segurança.

Mas também cobra um preço alto.

Quem tenta prever todas as possibilidades costuma experimentar pouco.

Quem espera a decisão perfeita adia muitas escolhas importantes.

Quem busca garantias absolutas frequentemente perde oportunidades reais.

Não porque seja covarde.

Mas porque aprendeu que errar tinha consequências difíceis demais.

O curioso é que, ao tentar evitar qualquer sofrimento, a pessoa acaba criando outro.

Um sofrimento silencioso.

A sensação de estar sempre assistindo à própria vida em vez de vivê-la.

Como alguém que permanece na margem do rio tentando calcular a temperatura da água.

Enquanto isso, o tempo passa.

Talvez seja importante esclarecer uma coisa.

Pensar não é um problema.

Refletir é uma capacidade preciosa.

A inteligência ajuda a compreender o mundo, tomar decisões e construir relações mais conscientes.

O problema surge quando o pensamento deixa de ser um recurso e passa a ser um esconderijo.

Quando toda emoção precisa ser traduzida em teoria antes de poder existir.

Quando nenhuma experiência parece suficiente sem uma explicação.

Quando compreender passa a substituir viver.

Existe uma diferença entre pensar sobre o que sentimos e usar o pensamento para impedir que o sentimento aconteça.

Nem sempre essa diferença é fácil de perceber.

Mas ela transforma profundamente a maneira como nos relacionamos conosco e com os outros.

Talvez amadurecer emocionalmente tenha menos relação com encontrar respostas definitivas e mais relação com suportar algumas perguntas abertas.

Nem toda escolha virá acompanhada de certeza.

Nem todo amor começará com convicção absoluta.

Nem toda amizade permanecerá para sempre.

Nem toda decisão será perfeita.

Ainda assim, seguimos vivendo.

Porque viver nunca foi eliminar completamente o risco.

Foi aprender que algumas experiências importantes só acontecem quando aceitamos não controlar todos os seus desfechos.

Talvez a pergunta mais transformadora não seja:

"Como posso ter certeza do que sinto?"

Talvez seja outra.

"O que em mim precisa de tanta certeza antes de permitir que eu simplesmente sinta?"

Às vezes, essa pergunta abre um caminho mais honesto.

Não porque responda tudo.

Mas porque desloca o olhar.

Em vez de tentar controlar a experiência, começamos, aos poucos, a escutá-la.

E talvez seja justamente aí que algo novo possa nascer.

Não da ausência de medo.

Mas da possibilidade de continuar vivendo mesmo sem todas as garantias.

Quando você passa a vida tentando não incomodar ninguém, quem cuida de você?

Existe um tipo de sofrimento que quase nunca chama atenção.

Ele não faz grandes escândalos.
Não costuma aparecer em crises dramáticas.
Muitas vezes é visto como maturidade, responsabilidade ou até força.

É o sofrimento de quem aprendeu muito cedo que sentir demais podia ser um problema.

São pessoas que cresceram ouvindo frases como:

"Não exagera."

"Você é muito sensível."

"Isso não é motivo para chorar."

"Tem gente com problemas muito piores."

Ou, às vezes, nem era preciso ouvir essas frases.

Bastava perceber.

Perceber que a mãe já tinha preocupações demais.

Que o pai estava sempre cansado.

Que havia contas para pagar, conflitos em casa, dificuldades que pareciam maiores do que qualquer tristeza infantil.

Então, quase sem perceber, a criança aprende uma regra silenciosa:

"Não vou dar mais trabalho."

E essa decisão muda muita coisa.

Ela continua crescendo.

Vai bem na escola.

Ajuda quando pode.

Aprende a resolver os próprios problemas.

Se torna independente antes da hora.

Os outros costumam descrevê-la como madura.

Mas existe uma diferença enorme entre independência e solidão emocional.

Porque uma criança que aprende cedo a cuidar de si mesma também aprende que talvez ninguém vá cuidar dela.

E isso não desaparece quando a pessoa vira adulta.

Apenas muda de forma.

A pessoa passa a pedir muito pouco.

Ou então pede de maneiras tão indiretas que nem percebe que está pedindo.

Diz que está tudo bem quando não está.

Responde "relaxa" quando gostaria que alguém insistisse.

Aceita migalhas de atenção porque aprendeu que qualquer demonstração de cuidado já é um privilégio.

Ao mesmo tempo, desenvolve uma habilidade impressionante para perceber o outro.

Sabe quando alguém está triste antes mesmo dessa pessoa falar.

Percebe mudanças mínimas de humor.

Lembra do aniversário de todo mundo.

Pergunta se chegaram bem em casa.

Escuta.

Acolhe.

Resolve.

Cuida.

E faz tudo isso com sinceridade.

O problema é que, muitas vezes, ninguém percebe que quem está cuidando também gostaria de ser cuidado.

Existe uma exaustão silenciosa em viver sempre atento ao estado emocional dos outros.

É como se a pessoa estivesse constantemente monitorando o ambiente.

Quem está bravo?

Quem ficou magoado?

Será que falei algo errado?

Será que decepcionei alguém?

Será que vão se afastar?

Esse monitoramento constante não costuma nascer da insegurança simplesmente.

Ele frequentemente nasce da experiência.

Quando crescemos em ambientes onde o afeto era imprevisível, aprendemos que observar é uma forma de sobreviver.

Antecipar conflitos parece proteger.

Controlar as próprias emoções parece evitar rejeições.

Pensar antes de sentir parece mais seguro.

Só que existe um preço.

A pessoa passa tanto tempo tentando entender os outros que, pouco a pouco, perde contato consigo mesma.

Quando alguém pergunta:

"Mas o que você quer?"

A resposta demora.

Às vezes não vem.

Porque a pessoa sabe muito mais sobre o desejo das outras pessoas do que sobre o próprio.

Isso aparece em relacionamentos de maneiras curiosas.

A pessoa se adapta.

Muda hábitos.

Muda opiniões.

Muda planos.

Aprende rapidamente o que o outro gosta.

Mas, depois de algum tempo, surge uma sensação difícil de explicar.

Como se estivesse vivendo uma vida que não reconhece como sua.

Como se dissesse "sim" tantas vezes que esquecesse quais eram seus próprios "nãos".

Muitas pessoas confundem isso com falta de personalidade.

Não é.

Na maioria das vezes, é uma estratégia construída ao longo de muitos anos.

Uma estratégia que funcionou.

Porque, em algum momento da vida, adaptar-se significava manter os vínculos.

Significava evitar conflitos.

Significava preservar algum tipo de amor.

O problema é que aquilo que protege uma criança pode aprisionar um adulto.

Existe outro aspecto importante.

Quem aprendeu a cuidar muito dos outros frequentemente sente culpa quando começa a cuidar de si.

Descansar parece preguiça.

Colocar limites parece egoísmo.

Dizer "não" parece agressividade.

Pedir ajuda parece fraqueza.

Receber cuidado gera desconforto.

Como se existisse uma dívida invisível.

Como se amar fosse sempre algo que precisasse ser merecido.

Então surge um paradoxo.

A pessoa deseja intimidade.

Quer relações profundas.

Quer ser conhecida.

Mas, quando alguém realmente se aproxima, aparece um medo enorme.

Porque ser visto significa correr o risco de decepcionar.

Significa mostrar partes imperfeitas.

Significa descobrir que talvez o outro não permaneça.

Por isso, muitas vezes, controlar parece mais seguro do que confiar.

Entender tudo parece mais seguro do que sentir.

Pensar infinitamente parece mais seguro do que experimentar.

Só que nenhuma relação importante acontece completamente protegida.

Existe sempre alguma vulnerabilidade envolvida.

Alguma possibilidade de perda.

Alguma chance de frustração.

Não porque amar seja sofrer.

Mas porque amar implica deixar de controlar totalmente o que acontece.

Talvez uma das perguntas mais difíceis da vida adulta não seja:

"Quem vai cuidar de mim?"

Talvez seja outra.

"Eu consigo permitir que alguém cuide de mim?"

Porque aceitar cuidado também exige coragem.

Exige acreditar, aos poucos, que não é preciso merecer atenção através do desempenho.

Nem através da perfeição.

Nem através da utilidade.

Nem sendo sempre a pessoa forte da relação.

Existe uma frase do psicanalista Donald Winnicott que diz que é no ambiente suficientemente bom que uma pessoa pode, finalmente, existir de forma espontânea.

Talvez essa seja uma das experiências mais transformadoras que alguém pode viver.

Descobrir que pode ser acolhido mesmo quando não está resolvendo nada.

Mesmo quando não está produzindo.

Mesmo quando não está forte.

Mesmo quando simplesmente existe.

Porque, no fim das contas, talvez o cuidado mais difícil de aprender seja justamente este:

acreditar que você também pode ocupar um lugar onde não precisa conquistar afeto o tempo inteiro para continuar sendo amado.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que significa viver em uma época que parece nunca permitir que o tempo pare.

Terminei de ler o livro O Tempo e o Cão - Maria Rita Kehl e resolvi escrever algumas poucas palavras, porque essa obra me impactou, ela coloca de maneira estruturada e embasada o que eu acredito em relação a depressão, que não temos fórmulas mágicas e cada depressão é única e que sempre há que se considerar o componente social.

A ideia principal de O tempo e o cão pode ser resumida assim: a depressão não é apenas uma doença do cérebro ou um problema individual; ela também revela algo sobre a forma como a sociedade contemporânea nos faz viver o tempo, trabalhar e desejar.

O tempo acelerado: Kehl observa que vivemos em uma cultura que exige velocidade o tempo todo. É preciso produzir, responder mensagens, aprender coisas novas, manter uma vida social ativa e ainda parecer feliz. 

Nessa lógica, parar parece um defeito.

Ela argumenta que a pessoa deprimida, de certa forma, "sai desse ritmo". Enquanto o mundo corre, ela sente que não consegue acompanhar. O tempo dela parece mais lento.

Não significa que a depressão seja uma forma de resistência consciente. Mas esse descompasso faz aparecer uma pergunta importante: será que o ritmo que a sociedade considera "normal" é realmente saudável?

 A obrigação de ser feliz: Segundo Kehl, hoje não basta viver. Existe uma expectativa constante de demonstrar felicidade, sucesso e realização.

É como se a mensagem fosse: seja produtivo; cuide do corpo; viaje; tenha uma carreira de sucesso; seja interessante; nunca reclame.

Quando alguém não consegue corresponder a esse ideal, pode sentir que fracassou.

A autora critica essa lógica porque ela transforma emoções difíceis, tristeza, luto, cansaço, dúvida, em algo que deve ser eliminado rapidamente.

O deprimido não é simplesmente "preguiçoso". Uma das críticas de Kehl é à forma como a sociedade interpreta quem está deprimido. Muitas vezes ouvimos frases como: "Falta força de vontade." "É só reagir." "Você precisa pensar positivo."

Para ela, isso ignora o sofrimento real da pessoa. O deprimido não escolhe perder o interesse pela vida. Existe uma alteração profunda na relação com o desejo, com o tempo e consigo mesmo.

Para Kehl, quem está deprimido vive um tempo diferente do tempo acelerado da sociedade.

O desejo na psicanálise: na psicanálise, desejo não significa apenas querer alguma coisa.

É a força que nos move para viver, criar, amar e fazer projetos. Na depressão, essa força parece enfraquecida.

Por isso tarefas simples, como levantar da cama, tomar banho, conversar, podem exigir enorme esforço.

Não porque a pessoa seja fraca, mas porque aquilo que normalmente impulsiona a ação perdeu intensidade.

A crítica à sociedade contemporânea: Kehl não afirma que a sociedade "causa" toda depressão.

Ela diz que certas características do mundo atual podem favorecer o sofrimento psíquico: excesso de competição; culto permanente ao desempenho; pressão para produzir sempre mais; consumo como promessa de felicidade; pouco espaço para elaborar perdas e frustrações.

Em vez de perguntar apenas: "O que há de errado com essa pessoa?"

ela propõe também perguntar: "O que há na nossa forma de viver que produz esse tipo de sofrimento?"

A tristeza tem uma função: um aspecto interessante do livro é a defesa de que nem toda tristeza precisa ser tratada como um erro. Perder alguém, fracassar em um projeto ou atravessar mudanças importantes costuma exigir tempo para elaboração.

Kehl distingue essa experiência da depressão clínica. A tristeza pode ser uma resposta saudável a acontecimentos difíceis, enquanto a depressão envolve um sofrimento mais profundo e persistente. Confundir uma com a outra pode levar à medicalização de experiências humanas comuns.

Imagine uma esteira rolante andando cada vez mais rápido. A maioria das pessoas tenta correr para não cair. Uma pessoa deprimida simplesmente não consegue acompanhar.

A sociedade olha para ela e diz: "Corra mais."

Kehl pergunta: "E se o problema também for a velocidade da esteira?"

Essa imagem resume bem a proposta do livro. Em vez de olhar apenas para o indivíduo, ela amplia a análise para incluir as condições sociais, culturais e históricas em que esse sofrimento acontece.

Por isso, busca-se compreender a depressão tanto como experiência subjetiva quanto como um fenômeno que dialoga com o modo como vivemos hoje.

Uma ideia que considero especialmente rica é que Kehl desloca a pergunta. Em vez de perguntar apenas: 

"Por que essa pessoa está deprimida?"

ela também pergunta:

"Que tipo de sociedade transforma a lentidão em doença?"

Esse deslocamento muda bastante a perspectiva. Ela não nega a realidade clínica da depressão nem o papel dos tratamentos. O que ela questiona é a tendência de interpretar todo sofrimento apenas como um problema individual, desconectado do contexto em que a pessoa vive.

Outro ponto que me chama atenção é a forma como ela trata o tempo subjetivo. O tempo do relógio é o mesmo para todos, mas a experiência do tempo não é. Quando estamos apaixonados, uma hora passa voando; quando esperamos uma notícia importante, cinco minutos parecem intermináveis. A depressão altera profundamente essa experiência: o futuro perde força, o presente pesa e o tempo parece não se mover. Kehl sugere que essa vivência entra em choque com uma cultura que valoriza velocidade, inovação e produtividade contínuas.

Também acho interessante a crítica que ela faz ao ideal contemporâneo de autonomia. Hoje, espera-se que cada indivíduo seja o gestor da própria vida: saudável, eficiente, feliz, empreendedor de si mesmo. Quando algo não vai bem, a explicação tende a recair sobre a pessoa, ela não se organizou, não teve disciplina, não desenvolveu a "mentalidade certa". Kehl mostra que essa forma de pensar pode invisibilizar fatores sociais e históricos que também moldam o sofrimento.

Há ainda um aspecto ético na obra que considero muito forte. Na clínica psicanalítica, o objetivo não é devolver rapidamente a pessoa ao ritmo esperado pela sociedade. É escutar o que aquele sofrimento significa para aquele sujeito. Isso contrasta com uma lógica em que o sucesso do tratamento seria apenas fazer alguém voltar a produzir o quanto antes.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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