Entre 1900 e hoje, algo mudou, mas talvez nem tanto.
Victor Tausk, psicanalista contemporâneo de Freud, descreveu pacientes que acreditavam estar sendo controlados por um “aparelho de influenciar”: uma máquina capaz de inserir pensamentos, manipular sensações e comandar o corpo. Na época, isso foi lido como delírio.
Hoje, cercados por algoritmos, notificações e sistemas que antecipam nossos desejos, a pergunta se desloca: o que exatamente ainda nos pertence?
A psicanálise não diria que estamos “loucos”, mas nos convida a uma torção mais incômoda: o sujeito sempre foi atravessado por forças que não domina.
A tecnologia não cria isso, ela materializa e intensifica. Entre o desejo e o comando, entre o clique e a captura, talvez o ponto não seja se somos influenciados, mas como consentimos com aquilo que nos determina sem que percebamos.
O problema não é sermos influenciados - é quando a influência se apresenta como se fosse desejo próprio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário