Ah, a vida de um escritor solitário em meio a uma multidão de poucos seguidores! Aqui estou eu, destemidamente mergulhando nas profundezas do desconhecido ciberespaço, publicando textos com uma devoção inabalável e recebendo um retorno tão caloroso quanto um abraço de um boneco de neve. É realmente um caso de amor unilateral entre mim e o vazio silencioso das minhas estatísticas. Talvez eu deva começar a usar hashtags mais dramáticas, como #DesesperoLiterário ou #CadêMeusSeguidoresDeVerdade?
Quando despejo palavras no meu teclado, sinto-me como um
pastor pregando no deserto. Eu me pergunto se as letras dançam na tela apenas
para meu próprio prazer, como se estivesse assistindo a um show privado de
entretenimento exclusivo. Seria eu o artista de um espetáculo solitário, o
único espectador na plateia de meu próprio universo literário?
Ah, as redes sociais, esse lugar mágico onde as fotos de
gatos se tornam virais e as selfies se multiplicam como em uma ilusão de ótica.
Enquanto isso, minhas palavras flutuam no oceano digital como uma garrafa sem
destinatário, navegando sem rumo, esperando ser descoberta por um navegador
curioso. Será que os algoritmos se confundem ou o problema está mesmo com as
minhas mensagens?
Eu me pego sonhando com uma horda de seguidores sedentos,
devorando cada vírgula, ponto e exclamação que saem dos meus dedos frenéticos.
Seria um exército de fãs esperando ansiosamente por meus próximos escritos,
como se eu fosse uma pop star da literatura (mas sem dancinhas nas
plataformas).
Mas, ei, talvez eu esteja olhando para tudo errado. Talvez
eu seja a escritora mais exclusiva do planeta! Afinal, quantos artistas têm a
sorte de ter uma audiência tão seleta? Tenho a honra de ser lida por um grupo
tão íntimo de pessoas, tão íntimo que inclui minhas filhas, minha cachorrinha
sonolenta e um primo distante que só sabe que eu escrevo, porque minha tia
comentou uma vez no almoço de Natal e ele nem sabe que eu sei que ele sabe, kkk).
Então, aqui estou eu, firme e confiante, continuando a
escrever com paixão, mesmo sabendo que minhas palavras podem se perder em algum
lugar entre a vastidão da internet e o caos das timelines. Eu posso não ter seguidores, mas estou aqui para espalhar inspiração e algumas
experiências dolorosas (se você acha que suas experiências são ruins, espere
até ler as minhas!). E se um único leitor encontrar conforto, entretenimento ou
um breve momento de diversão nas minhas palavras, então minha missão estará
cumprida.
E, quem sabe, talvez um dia o mundo descubra a gênia que eu sou e minha legião de seguidores cresça além dos limites da imaginação. E se isso não acontecer, bem, pelo menos posso me gabar de ser a melhor escritora que só eu conheço! Até lá, vou continuar escrevendo para aqueles que me encontrarem, afinal, quem precisa de multidões quando se pode ter alegria em doses homeopáticas? E se você está lendo isso agora, meu caro amigo desconhecido, saiba que você é um dos escolhidos, um dos privilegiados que descobriu essa joia literária. Ou talvez você tenha clicado acidentalmente. De qualquer forma, obrigada por estar aqui, meu caro leitor (ou curioso acidental). Você é demais!
Agora, se me der licença, tenho um encontro marcado com uma
xícara de café e uma tela em branco. O próximo texto está prestes a começar!
Não é de hoje que eu te acompanho, puro interesse em conhecer um pouco do que passar nesta mente brilhante, uma fonte interessante de insights para enfrentar a subjetividade impiedosa das relações humanas. Mas confesso que ainda quero ver muito do que aqui você escreveu transformado em chamadas curtas no Instagran... São poucas as pessoas que param para ler as outras pessoas, elas querem ouvir, querem o pastel que saia mais rápido. Sem maiores delongas para não te atrapalhar na entrega do próximo texto. Abraço!
ResponderExcluir