Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que significa viver em uma época que parece nunca permitir que o tempo pare.

Terminei de ler o livro O Tempo e o Cão - Maria Rita Kehl e resolvi escrever algumas poucas palavras, porque essa obra me impactou, ela coloca de maneira estruturada e embasada o que eu acredito em relação a depressão, que não temos fórmulas mágicas e cada depressão é única e que sempre há que se considerar o componente social.

A ideia principal de O tempo e o cão pode ser resumida assim: a depressão não é apenas uma doença do cérebro ou um problema individual; ela também revela algo sobre a forma como a sociedade contemporânea nos faz viver o tempo, trabalhar e desejar.

O tempo acelerado: Kehl observa que vivemos em uma cultura que exige velocidade o tempo todo. É preciso produzir, responder mensagens, aprender coisas novas, manter uma vida social ativa e ainda parecer feliz. 

Nessa lógica, parar parece um defeito.

Ela argumenta que a pessoa deprimida, de certa forma, "sai desse ritmo". Enquanto o mundo corre, ela sente que não consegue acompanhar. O tempo dela parece mais lento.

Não significa que a depressão seja uma forma de resistência consciente. Mas esse descompasso faz aparecer uma pergunta importante: será que o ritmo que a sociedade considera "normal" é realmente saudável?

 A obrigação de ser feliz: Segundo Kehl, hoje não basta viver. Existe uma expectativa constante de demonstrar felicidade, sucesso e realização.

É como se a mensagem fosse: seja produtivo; cuide do corpo; viaje; tenha uma carreira de sucesso; seja interessante; nunca reclame.

Quando alguém não consegue corresponder a esse ideal, pode sentir que fracassou.

A autora critica essa lógica porque ela transforma emoções difíceis, tristeza, luto, cansaço, dúvida, em algo que deve ser eliminado rapidamente.

O deprimido não é simplesmente "preguiçoso". Uma das críticas de Kehl é à forma como a sociedade interpreta quem está deprimido. Muitas vezes ouvimos frases como: "Falta força de vontade." "É só reagir." "Você precisa pensar positivo."

Para ela, isso ignora o sofrimento real da pessoa. O deprimido não escolhe perder o interesse pela vida. Existe uma alteração profunda na relação com o desejo, com o tempo e consigo mesmo.

Para Kehl, quem está deprimido vive um tempo diferente do tempo acelerado da sociedade.

O desejo na psicanálise: na psicanálise, desejo não significa apenas querer alguma coisa.

É a força que nos move para viver, criar, amar e fazer projetos. Na depressão, essa força parece enfraquecida.

Por isso tarefas simples, como levantar da cama, tomar banho, conversar, podem exigir enorme esforço.

Não porque a pessoa seja fraca, mas porque aquilo que normalmente impulsiona a ação perdeu intensidade.

A crítica à sociedade contemporânea: Kehl não afirma que a sociedade "causa" toda depressão.

Ela diz que certas características do mundo atual podem favorecer o sofrimento psíquico: excesso de competição; culto permanente ao desempenho; pressão para produzir sempre mais; consumo como promessa de felicidade; pouco espaço para elaborar perdas e frustrações.

Em vez de perguntar apenas: "O que há de errado com essa pessoa?"

ela propõe também perguntar: "O que há na nossa forma de viver que produz esse tipo de sofrimento?"

A tristeza tem uma função: um aspecto interessante do livro é a defesa de que nem toda tristeza precisa ser tratada como um erro. Perder alguém, fracassar em um projeto ou atravessar mudanças importantes costuma exigir tempo para elaboração.

Kehl distingue essa experiência da depressão clínica. A tristeza pode ser uma resposta saudável a acontecimentos difíceis, enquanto a depressão envolve um sofrimento mais profundo e persistente. Confundir uma com a outra pode levar à medicalização de experiências humanas comuns.

Imagine uma esteira rolante andando cada vez mais rápido. A maioria das pessoas tenta correr para não cair. Uma pessoa deprimida simplesmente não consegue acompanhar.

A sociedade olha para ela e diz: "Corra mais."

Kehl pergunta: "E se o problema também for a velocidade da esteira?"

Essa imagem resume bem a proposta do livro. Em vez de olhar apenas para o indivíduo, ela amplia a análise para incluir as condições sociais, culturais e históricas em que esse sofrimento acontece.

Por isso, busca-se compreender a depressão tanto como experiência subjetiva quanto como um fenômeno que dialoga com o modo como vivemos hoje.

Uma ideia que considero especialmente rica é que Kehl desloca a pergunta. Em vez de perguntar apenas: 

"Por que essa pessoa está deprimida?"

ela também pergunta:

"Que tipo de sociedade transforma a lentidão em doença?"

Esse deslocamento muda bastante a perspectiva. Ela não nega a realidade clínica da depressão nem o papel dos tratamentos. O que ela questiona é a tendência de interpretar todo sofrimento apenas como um problema individual, desconectado do contexto em que a pessoa vive.

Outro ponto que me chama atenção é a forma como ela trata o tempo subjetivo. O tempo do relógio é o mesmo para todos, mas a experiência do tempo não é. Quando estamos apaixonados, uma hora passa voando; quando esperamos uma notícia importante, cinco minutos parecem intermináveis. A depressão altera profundamente essa experiência: o futuro perde força, o presente pesa e o tempo parece não se mover. Kehl sugere que essa vivência entra em choque com uma cultura que valoriza velocidade, inovação e produtividade contínuas.

Também acho interessante a crítica que ela faz ao ideal contemporâneo de autonomia. Hoje, espera-se que cada indivíduo seja o gestor da própria vida: saudável, eficiente, feliz, empreendedor de si mesmo. Quando algo não vai bem, a explicação tende a recair sobre a pessoa, ela não se organizou, não teve disciplina, não desenvolveu a "mentalidade certa". Kehl mostra que essa forma de pensar pode invisibilizar fatores sociais e históricos que também moldam o sofrimento.

Há ainda um aspecto ético na obra que considero muito forte. Na clínica psicanalítica, o objetivo não é devolver rapidamente a pessoa ao ritmo esperado pela sociedade. É escutar o que aquele sofrimento significa para aquele sujeito. Isso contrasta com uma lógica em que o sucesso do tratamento seria apenas fazer alguém voltar a produzir o quanto antes.

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Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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