Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Ausência Estratégica

Aprenda a fazer falta. Vivemos em uma sociedade onde estar disponível o tempo todo parece ser uma virtude. Respondemos mensagens instantaneamente, dizemos “sim” a compromissos sem fim e, muitas vezes, nos colocamos em segundo plano para atender às expectativas alheias. Mas, no meio desse ritmo acelerado, há algo poderoso em aprender a fazer falta.

Fazer falta não significa se ausentar por birra ou manipulação, mas sim entender o seu valor e reconhecer que a sua presença, o seu tempo e a sua energia têm um impacto genuíno na vida das pessoas. Não se trata de se afastar para chamar atenção, mas de construir uma relação onde sua ausência seja sentida porque você contribuiu com algo significativo. Quando você aprende a fazer falta, descobre o valor da sua própria essência e ensina os outros a valorizarem também.

Temos medo de nos afastar, acreditando que seremos esquecidos. Mas, na verdade, é justamente no espaço deixado pela sua ausência que o outro percebe a sua importância. Quando você está disponível demais, o que oferece pode ser tomado como garantido. Por outro lado, quando você equilibra presença e ausência, dá espaço para que os outros percebam o quanto você acrescenta à vida deles — seja com palavras, ações ou simplesmente com a sua energia.

Fazer falta é um exercício de autoconfiança. É dizer para si mesmo: "Eu não preciso estar o tempo todo para ser lembrado, apreciado ou amado." Isso significa que você não precisa se desgastar tentando agradar a todos ou estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Fazer falta é ter coragem de se preservar, de respeitar seus próprios limites e, ao mesmo tempo, de confiar que aquilo que você construiu com os outros não desaparece quando você não está.

Também é um exercício de respeito ao próximo. Quando você se ausenta no momento certo, dá às pessoas a oportunidade de refletirem sobre a importância que você tem. E, ao voltar, a conexão se fortalece. Fazer falta é, de certa forma, ensinar aos outros a diferença entre presença genuína e presença automática.

Aprender a fazer falta não significa se distanciar de tudo e de todos. É, na verdade, sobre qualidade. Sobre dar o seu melhor quando está presente e se retirar quando é necessário, sem culpa, sabendo que a sua ausência também pode ser uma forma de fortalecer laços.

Então, cuide da sua energia. Permita-se descansar, priorizar e escolher onde você deseja estar. A ausência estratégica não é egoísmo — é sabedoria. Porque quem realmente importa sempre sentirá sua falta, e quem não sentir talvez nunca tenha merecido sua presença.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Mais um sonho ... vc percebe o quanto mudou qdo volta a um lugar do passado!

Praticando a interpretação dos sonhos. Mais um caso da clínica ...

Projeções à parte, eu me envolvi muito com esse sonho e sua interpretação. Eu não queria falhar!!! 

Por isso que os analistas têm que estar com nossa análise em dia!!! 

Senão a projeção e a contratransferência os aniquilam. rs 

Foi por pouco !!! rs

===== relato da paciente 👇👇👇

Sonhei que estava de volta na empresa onde trabalhei por mais de 10 anos. Eu estava organizando minha mesa, arrumando minhas coisas e tentando me lembrar de como me encaixar naquele lugar, que, embora parecido, estava diferente. Foi quando alguém se aproximou e me informou que minha mesa não ficaria ali, naquele local, mas no segundo andar. Fui então até lá e, para minha surpresa, o segundo andar parecia um ambiente infantil, com monitores e crianças, como um jardim de infância. Fiquei apavorada e, imediatamente, desci de volta, dizendo que não queria trabalhar com crianças, não queria aquela mudança.

Foi quando um colega de trabalho, um superior que eu costumava admirar muito, me viu e me perguntou: "Você voltou? Que bom, vamos conversar." Fiquei ansiosa para falar, mas ele me disse que agora não poderia, pois precisava atender a uma pessoa que estava na minha frente. Ele me pediu para esperar, e eu, com a sensação de que algo estava prestes a acontecer, peguei uma caixa de papelão (alguém me deu) e comecei a colocar todas as minhas coisas nela, porque eu precisaria me mudar para o segundo andar. Enquanto aguardava, fiquei esperando por aquela conversa, mas ela nunca aconteceu. O tempo passou, e eu acordei.

Como o sonho é sempre do sonhador, ela concluiu o sonho dizendo que estava tudo muito nítido e que a mensagem estava clara. Que ela era invisível e infantil e detalhou:

Você é invisível (falo com você depois)

Você é infantil (aqui é para adultos, vá para o segundo andar)

= = = =

Interpretação do sonho:

É isso mesmo!

O sonho que você teve carrega consigo um simbolismo profundo, refletindo não apenas o seu vínculo com o passado, mas também questões relacionadas ao seu processo de adaptação, identidade e a relação com as mudanças que ocorrem na sua vida. Ao retornarem à empresa onde trabalhou por tantos anos, você parece estar revisitando aspectos de sua história, mas também se encontrando em um espaço que, embora familiar, está marcado por uma sensação de deslocamento.

A mesa e o ambiente familiar e ao mesmo tempo diferente: Ao tentar organizar sua mesa, você demonstra um esforço de reconectar-se com o ambiente e com a sua própria identidade profissional. A mesa, símbolo da sua posição e lugar no mundo do trabalho, representa também o local onde você se expressava, onde realizava suas atividades e onde se sentia inserida em uma estrutura. Contudo, ao perceber que as coisas estão "iguais, mas diferentes", você simboliza uma sensação de desajuste diante de uma realidade que, embora pareça ainda familiar, já não se encaixa mais com quem você é agora. A mudança é evidente: você já não se vê ali da mesma forma.

O segundo andar e o ambiente com crianças: A mudança de lugar para o segundo andar, onde há um ambiente infantil, é um ponto crucial do sonho. Ao se deparar com crianças e monitores, um espaço aparentemente distante do que você havia conhecido, surge o temor e o desconforto. Trabalhar com crianças pode simbolizar uma regressão ou um retorno a uma fase de vida que não faz mais parte do seu processo atual de amadurecimento ou de realização profissional. O sonho pode estar refletindo o medo da impotência ou da falta de controle diante de uma situação que não corresponde às suas capacidades ou desejos atuais. Além disso, a sensação de apavoramento diante dessa mudança sugere um certo receio em relação ao que está por vir, um conflito entre a necessidade de se adaptar às novas circunstâncias e a rejeição de se submeter a uma mudança que parece insignificante ou desvalorizadora.

O colega de trabalho e a espera: O superior que antes você admirava e que agora se recusa a conversar com você imediatamente, alegando ter outras prioridades, pode representar o distanciamento ou a desconexão com aspectos de seu passado profissional. A falta de resposta imediata a uma necessidade de diálogo e a espera que se alonga sem que nada aconteça parece refletir um sentimento de frustração ou de desvalorização, como se, após muito tempo investido e envolvido, você estivesse agora sendo deixada de lado. Esse momento também pode simbolizar um medo de que, apesar de suas tentativas de voltar ao jogo, as oportunidades ou o reconhecimento não virão mais da mesma forma.

A caixa de papelão e a mudança de espaço: A caixa que você recebe e onde começa a colocar suas coisas dentro, associada ao ato de mudar de local e de função, parece indicar o processo de despersonalização ou de deslocamento. A caixa é um símbolo de contenção e mudança, onde você tenta reunir e carregar consigo fragmentos de quem você foi, de seu trabalho anterior. Contudo, o fato de ainda estar "esperando" pela conversa, que nunca acontece, pode revelar uma sensação de impotência ou de estar preso em uma fase de transição, onde as respostas e o fechamento ainda não se concretizaram. Essa espera sem fim pode simbolizar a necessidade de ter clareza sobre a direção a seguir, mas também o temor de que essa clareza nunca chegue.

O sonho parece refletir um período de transição em sua vida, possivelmente relacionado ao seu trabalho, à forma como você se vê em relação ao passado e ao presente, e ao medo das mudanças ou da incapacidade de se adaptar a novas situações. O ambiente familiar, mas ao mesmo tempo transformado, as figuras que não mais se comportam como você esperava e o receio de novas funções podem indicar um desejo de retornar a um lugar de estabilidade e identidade, mas ao mesmo tempo, o reconhecimento de que essa estabilidade talvez já não exista mais da mesma forma. O sonho sugere que você ainda está buscando um novo papel, um novo espaço onde possa se encaixar de maneira confortável, mas, por enquanto, permanece no limbo da espera, sem respostas concretas ou fechamento para esse processo.

Esse sonho, portanto, pode ser visto como um reflexo de um momento de sua vida onde você busca reorganizar-se, encontrar novamente um propósito ou lugar que te dê sentido, mas ainda se sente em dúvida, sem a clareza de como fazer essa transição de forma satisfatória. A sensação de espera, a mudança de espaço e a impossibilidade de dialogar com o que te foi importante no passado refletem não só a necessidade de respostas, mas também o medo de que essas respostas possam não ser o que você esperava ou desejava.

Os 5 Deveres do Psicanalista

Os deveres de um psicanalista envolvem uma profunda responsabilidade ética, técnica e emocional com os pacientes e a prática da psicanálise. Aqui estão cinco deveres fundamentais:

1. Manter o Sigilo Profissional

O sigilo é um dos pilares da prática psicanalítica. O psicanalista tem o dever de garantir que tudo o que o paciente compartilha em sessão seja mantido em absoluta confidencialidade. Esse compromisso não apenas protege a privacidade do paciente, mas também cria um ambiente seguro para que ele possa se expressar livremente, sem medo de julgamento ou exposição.

2. Estabelecer uma Escuta Atenta e Livre de Julgamentos

A escuta psicanalítica requer atenção profunda e imparcialidade. O analista deve estar presente de maneira genuína, captando os conteúdos manifestos e latentes do discurso do paciente, sem impor suas opiniões, crenças ou preconceitos. Essa escuta é essencial para compreender os conflitos inconscientes que emergem na fala.

3. Zelar pela Ética da Relação Analítica

A relação analista-paciente é baseada em respeito e ética. O psicanalista deve evitar qualquer comportamento que possa prejudicar o paciente ou comprometer a neutralidade do processo terapêutico, como envolvimentos emocionais, financeiros ou sociais inadequados. Ele também deve reconhecer seus próprios limites e encaminhar o paciente para outro profissional, se necessário.

4. Buscar Formação e Supervisão Contínuas

A prática psicanalítica exige um compromisso constante com o estudo e o aperfeiçoamento. O psicanalista tem o dever de manter sua formação atualizada, participar de grupos de estudo, supervisões e intervisões, além de realizar sua própria análise, para evitar que questões pessoais interfiram no trabalho com o paciente.

5. Promover a Autonomia do Paciente

O objetivo da psicanálise é ajudar o paciente a compreender seus próprios desejos, conflitos e mecanismos psíquicos, promovendo a autonomia emocional e psíquica. O analista deve evitar a dependência emocional do paciente e atuar como facilitador do processo de descoberta e transformação do indivíduo, respeitando o tempo e o ritmo de cada pessoa.

Esses deveres refletem o compromisso do psicanalista com a ética, o cuidado humano e a profundidade do trabalho psicanalítico.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Depressão, construindo narrativas.

Outro dia, ouvi uma psicanalista dizer que a depressão não é uma desaceleração, mas, na verdade, uma aceleração da velocidade da vida. Essa afirmação ressoou profundamente em mim. Faz todo o sentido quando olhamos para o ritmo frenético que a sociedade moderna impõe. Vivemos correndo, tentando acompanhar prazos, expectativas, demandas e uma enxurrada de informações que chegam sem pausa. A todo instante, somos solicitados a fazer mais, ser mais, entregar mais — e, nesse movimento desenfreado, perdemos a conexão com o que realmente importa: nós mesmos.

A depressão, nesse contexto, não aparece como a ausência de movimento, mas como o resultado de uma vida que corre tão rápido que não nos permite parar e sentir, refletir ou construir significados. Tudo acontece em um ritmo tão intenso que mal conseguimos perceber o que estamos vivendo. Não há tempo para a pausa que transforma uma simples vivência em experiência, para aquilo que realmente dá sentido à vida.

Talvez seja por isso que a depressão, em muitos casos, seja descrita como uma sensação de vazio. Não é que não há nada acontecendo; é que tudo acontece ao mesmo tempo e com tanta pressa que não conseguimos digerir, compreender ou nos apropriar do vivido. É como se a vida fosse uma esteira rolante que nos leva, enquanto tentamos, em vão, alcançar algo que nunca está ao nosso alcance.

Essa reflexão me fez perceber o quanto a aceleração do mundo moderno nos afasta da nossa própria narrativa. Não há espaço para parar, olhar para trás, criar uma história sobre o que vivemos e nos reconhecermos nela. A depressão, então, não seria apenas o sintoma de uma vida sem pausas, mas também a consequência de uma desconexão com o tempo necessário para transformar o caos em ordem, o barulho em sentido.

Nesse ritmo acelerado, acabamos nos tornando espectadores de nós mesmos, como se fôssemos uma história que passa sem protagonista, sem autoria. Por isso, ouvir que a depressão é, muitas vezes, um reflexo dessa aceleração desenfreada mudou minha perspectiva. Mais do que nunca, sinto que precisamos resgatar o tempo da pausa, do silêncio, do sentir — o tempo de simplesmente ser.

Ela dizia que a vivência e experiência são conceitos distintos, embora frequentemente confundidos. Vivenciar algo significa estar presente em um acontecimento, participar de uma situação. Já a experiência transcende a vivência: é quando o vivido ganha significação, torna-se algo que pode ser contado, compartilhado, refletido. É a narrativa que transforma a vivência em experiência, conferindo-lhe um sentido e permitindo que ela se integre à nossa história de vida. Essa diferença é fundamental para compreendermos os impactos do ritmo acelerado da vida contemporânea, particularmente em sua relação com a depressão.

A depressão, diferentemente do senso comum, não é apenas uma redução do ritmo de vida. Pelo contrário, ela surge muitas vezes em um contexto de aceleração extrema. Vivemos em uma época em que o capitalismo nos oferece coisas em uma velocidade vertiginosa, impondo um ritmo frenético de consumo, produtividade e multitarefa. Esse ritmo desumanizador fragmenta nosso tempo e nossas ações, deixando-nos sem espaço para consolidar o que vivemos, sem oportunidade de construir narrativas. Sem narrativa, a vivência torna-se vazia. E é nesse vazio que a depressão encontra terreno fértil.

A narrativa, aqui, deve ser entendida como um dispositivo antidepressivo. É ela que organiza o caos da vivência, que nos permite ancorar o vivido em uma experiência significativa. Contar a própria história — para os outros ou para si mesmo — é um ato que dá consistência à vida, que preenche o vazio existencial com sentido. Quando a narrativa está ausente, a pessoa se perde em um fazer incessante, mecânico, que não reflete quem ela é nem o que ela deseja ser. Tornamo-nos, então, meros executores de tarefas, sem colocar nada de nós mesmos no que fazemos. Nada de nós se reproduz, e o vazio se instala.

Mesmo quem opta por não consumir, quem tenta se desvincular das exigências do mercado, não está imune. Vivemos em uma sociedade de consumo, onde somos bombardeados por propagandas, comparações e padrões inatingíveis. A velocidade não se limita ao ato de consumir; ela marca nossa relação com o tempo, nossas expectativas e a maneira como vivemos o cotidiano. É um movimento que atropela a nossa capacidade de narrar e, consequentemente, de experienciar.

O paradoxo dessa visão em relação à psicanálise é interessante e digno de reflexão. Tradicionalmente, a psicanálise busca esvaziar as fantasias, na medida em que elas alimentam neuroses e criam barreiras para o contato com a realidade. No entanto, no caso da depressão, a fantasia, a imaginação e a capacidade de criar narrativas podem ser um antídoto poderoso. É a fantasia que nos permite ressignificar o vivido, dar cor ao que parece cinza, construir pontes entre o presente e o passado, e projetar futuros possíveis.

A ausência de narrativa na depressão não é apenas uma característica: é uma de suas causas e também de seus sintomas. Sem narrativa, o sujeito não consegue se reconhecer em sua própria vida. É como se ele não fosse o autor, mas apenas um personagem passivo, sem agência, sem voz. A análise, nesse caso, precisa estimular o indivíduo a fantasiar, a imaginar, a construir histórias sobre si mesmo. Trazer à tona as vivências e transformá-las em experiências. Não se trata de negar a realidade, mas de interpretá-la, de dar-lhe significados que permitam ao sujeito se ancorar e se compreender.

É importante lembrar que ninguém nasce depressivo. A depressão é fruto de um contexto, de uma construção que reflete a forma como nos relacionamos com o tempo, com os outros e, sobretudo, conosco mesmos. E, da mesma forma, ninguém nasce com uma narrativa pronta. Construir uma narrativa sobre si é um trabalho constante, um processo de recontar, reinterpretar e dar novo sentido às vivências. É um exercício de subjetivação que nos ajuda a preencher os vazios que a velocidade do mundo contemporâneo insiste em criar.

Nesse sentido, a narrativa não é apenas uma forma de expressão, mas uma forma de resistência. Resistência ao vazio, à aceleração, à desconexão. Narrar-se é tomar posse da própria vida, é se reconhecer como sujeito da própria história. É um ato de coragem e de criação, que nos permite transformar o fazer incessante em ser, e o vazio em sentido.

O Teatro da Vida Moderna

Vivemos em um palco, onde as cortinas nunca se fecham e os personagens raramente abandonam suas máscaras. Este mundo teatral, onde o "parecer" vale mais que o "ser", transformou a autenticidade em uma moeda rara, quase extinta. Somos espectadores e atores, desempenhando papéis que nem sempre escolhemos, enquanto os bastidores da realidade se tornam cada vez mais distantes.

O jogo das aparências ganhou força, e nele, a bajulação virou a moeda de troca mais valiosa. Não importa o que você sabe ou quem você é — importa quem você agrada e o quanto você é capaz de dobrar a própria essência para caber no molde que esperam de você. Muitos se anulam para manter as luzes do palco acesas, diminuem seus valores e se tornam sombras de si mesmos, tudo em nome de uma aceitação efêmera.

Nas redes sociais, o espetáculo é ainda mais cruel. Likes, comentários e seguidores se tornaram a nova métrica de valor humano. É um jogo dos desesperados, onde cada post é uma jogada, cada story é uma peça nesse tabuleiro. As pessoas competem para mostrar vidas perfeitas, momentos felizes e conquistas grandiosas, enquanto por trás das câmeras, o vazio grita. A comparação constante e a necessidade de validação corroem a autoestima e transformam todos em prisioneiros de um jogo que nunca termina.

A tragédia é que, nesse cenário, as conexões reais se perdem. A empatia dá lugar à inveja má (não a que te impulsiona, mas a que te evoca desejo de destruição), e a autenticidade é esmagada pela busca por aprovação. Poucos são os que se despem das máscaras e têm coragem de mostrar suas fraquezas, suas falhas, sua humanidade. A verdade foi substituída pela performance, e o palco da vida real se tornou um terreno escorregadio, onde só os que jogam o jogo conseguem permanecer de pé.

Há uma saída? Há sempre a opção de abandonar o papel imposto, de dizer "não" à farsa e buscar uma vida fora dos holofotes. É possível ser autêntico, mesmo que o preço seja a solidão inicial. Porque, no final, as conexões que realmente importam não são aquelas baseadas no que aparentamos ser, mas no que realmente somos. E esse é o maior ato de coragem: tirar a máscara, recusar o roteiro e escrever sua própria história, sem aplausos obrigatórios.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Clínica Psicanalítica: Novas Perspectivas da Atualidade

A clínica psicanalítica, nascida dos trabalhos pioneiros de Sigmund Freud, permanece uma prática viva e em constante transformação. Se no passado ela estava fortemente ancorada na exploração do inconsciente por meio da associação livre e da análise dos sonhos, a contemporaneidade trouxe novas perspectivas que dialogam com as demandas e complexidades da sociedade atual.

Hoje, a clínica psicanalítica precisa lidar com questões que ultrapassam os limites do consultório tradicional. Vivemos em um mundo marcado por transformações tecnológicas, mudanças nas configurações familiares, questões relacionadas à identidade de gênero e à diversidade, além de crises globais, como pandemias e desastres ambientais. Todos esses fatores impactam a subjetividade e, consequentemente, o trabalho clínico.

Uma das grandes mudanças na prática psicanalítica é a ampliação de seu espaço de atuação. Se antes a clínica era majoritariamente associada ao ambiente presencial, hoje a psicanálise tem se adaptado a novos formatos, como o atendimento online. Embora desafiador, o ambiente virtual permitiu que a prática se tornasse mais acessível, rompendo barreiras geográficas e alcançando indivíduos que, de outra forma, não poderiam se beneficiar desse processo terapêutico.

Outro aspecto relevante é a necessidade de pensar a clínica em relação à diversidade. As novas perspectivas exigem que o psicanalista esteja atento às especificidades culturais, sociais e históricas dos sujeitos que atende. A prática clínica não pode ser universalizada; ela deve reconhecer as diferentes formas de sofrimento psíquico e as singularidades de cada história. Questões como racismo, desigualdade social e preconceitos demandam que o psicanalista atue com sensibilidade e abertura, não apenas como ouvinte, mas como alguém que compreende o impacto dessas forças estruturais na subjetividade.

Além disso, a contemporaneidade traz novos modos de sofrimento psíquico. Termos como "burnout", "ansiedade generalizada" e "depressão digital" emergem como expressões de uma sociedade altamente exigente, conectada e, muitas vezes, alienante. A psicanálise precisa acolher esses fenômenos sem perder sua essência investigativa, mas também sem ignorar o contexto em que surgem. A interlocução com outras áreas do saber, como a neurociência, a sociologia e a filosofia, torna-se um recurso valioso para enriquecer a compreensão do psiquismo humano.

Por fim, as novas perspectivas da clínica psicanalítica destacam a importância de um olhar mais colaborativo e menos hierárquico no trabalho com o paciente. A posição clássica do analista como uma figura distante e neutra vem sendo substituída, em algumas correntes, por uma postura que enfatiza a co-construção do processo terapêutico, respeitando a autonomia do sujeito em análise. Essa abordagem é especialmente importante em tempos em que a saúde mental é amplamente debatida e há maior conscientização sobre a necessidade de práticas éticas e empáticas.

A clínica psicanalítica da atualidade é, portanto, um espaço dinâmico, que precisa se manter fiel às suas raízes enquanto se abre às novas demandas e desafios da sociedade. Essa flexibilidade é o que garante a relevância da psicanálise como prática transformadora, capaz de acompanhar e acolher as transformações do sujeito e do mundo.

Para aquilo que você se propôs, você está “achada” em seu caminho

Quando nos propomos a algo, a jornada deixa de ser apenas um percurso físico e se transforma em uma busca de propósito. Estar “achada” em seu caminho não significa que todas as respostas já foram encontradas, mas que você se reconhece no que está fazendo. É aquela sensação de alinhamento entre o que você é e o que você está construindo.

Esse “achar-se” não é sobre perfeição, mas sobre perceber que o esforço faz sentido, que as escolhas refletem a sua verdade e que, mesmo diante dos desafios, há uma direção clara que ressoa com quem você deseja ser. É um processo de pertencimento à própria história, onde cada passo dado reafirma sua essência.

E, se você sente que está “achada” em seu caminho, celebre isso. Porque não é apenas sobre chegar a um destino, mas sobre estar em paz com o trajeto, com as mudanças que ele provoca em você e com a força que o movimento carrega. Que essa jornada continue sendo um encontro constante com o melhor de si mesma!

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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