A resposta depende da idade do filho, do grau de autonomia dele e do tipo de informação envolvida.
O fato de seu filho fazer terapia não significa que você
perde o direito de acompanhar a saúde e o desenvolvimento dele, mas também não
significa que você tem direito a saber tudo o que é falado dentro da sessão. A
terapia precisa ser um espaço de confiança para que ele consiga falar
livremente. Se ele acreditar que tudo será contado aos pais, pode deixar de
trazer assuntos importantes.
- Crianças
pequenas: os pais ou responsáveis geralmente precisam participar mais
do processo, porque a criança ainda depende deles para compreender e
organizar muitas questões da vida. O terapeuta pode compartilhar
informações gerais sobre funcionamento, evolução, orientações e pontos
necessários para ajudar a criança, preservando conteúdos íntimos que não
precisam ser expostos.
- Pré-adolescentes
e adolescentes: conforme a criança cresce, aumenta a necessidade de
privacidade. O adolescente começa a construir identidade, autonomia e
capacidade de reflexão própria. Nessa fase, o sigilo é fundamental para
que ele tenha um espaço seguro para falar sobre sentimentos, conflitos,
amizades, sexualidade, inseguranças e outros temas. Os pais continuam
tendo um papel importante, mas o terapeuta busca equilibrar o direito dos
responsáveis ao acompanhamento com o direito do adolescente à privacidade.
- Adolescentes
mais velhos (próximos da maioridade): a preservação da autonomia tende
a ser ainda maior. O jovem já possui maior capacidade de tomar decisões
sobre si e precisa ser tratado como alguém em desenvolvimento de
independência.
Os pais têm o direito de saber como o tratamento está
acontecendo, se o filho está seguro, se há evolução e quais cuidados podem
ajudar em casa. Mas não têm necessariamente direito ao conteúdo de cada
conversa. O sigilo não é contra a família; ele é uma ferramenta para proteger o
vínculo terapêutico.
Também é importante dizer que existem exceções ao sigilo,
independentemente da idade: quando há risco de vida, risco de autoagressão,
violência, abuso ou alguma situação em que a segurança do paciente esteja
ameaçada, o terapeuta precisa envolver responsáveis ou outras redes de
proteção.
No início da terapia com crianças e adolescentes, costuma-se
combinar previamente com a família o que será compartilhado e de que forma,
para evitar que os pais sintam que estão “no escuro” e para que o paciente
saiba que sua privacidade será respeitada.