Introdução

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terça-feira, 25 de novembro de 2025

O que a tecnologia e a psicanálise têm em comum?

Se há algo que a tecnologia e a psicanálise têm em comum, é que ambas lidam com o desconhecido.

Entre código, desejo e subjetividade: por que tantos profissionais de tecnologia buscam terapia e o que a psicanálise tem a dizer sobre isso

O mundo da tecnologia sempre foi associado ao futuro: inovação, velocidade, soluções inteligentes, criatividade aplicada, automação, eficiência. É um campo que move a economia e organiza aspectos essenciais da vida contemporânea e também um universo que, por trás de toda sua lógica, carrega uma complexidade humana que muitas vezes passa despercebida.

Nos últimos anos, tenho observado um movimento crescente: profissionais de tecnologia procurando terapia. Não como último recurso, não apenas em situações-limite, mas como uma busca legítima por um espaço onde aquilo que não cabe nos algoritmos possa ser, finalmente, dito.

E é justamente nesse ponto que a psicanálise, especialmente a perspectiva lacaniana, oferece algo singular: uma escuta que não se deixa capturar pelos discursos do desempenho, da produtividade ou das soluções rápidas. 

A área de tecnologia opera sob uma lógica específica: o novo sempre está chegando, a atualização é constante, a especialização é quase infinita. É um ambiente que exige flexibilidade, excelência e reinvenção permanente.

Do ponto de vista psicanalítico, essa dinâmica toca diretamente um ponto estrutural do sujeito: o ideal.

Nessas carreiras, há sempre um nível mais alto para alcançar, uma linguagem nova para aprender, uma certificação para obter, uma arquitetura mais eficiente para dominar. O ideal nunca se esgota e por isso pode virar um motor de angústia.

Para muitos profissionais, a pergunta que aparece na terapia não é “como ser melhor?”, mas:

“Até quando vou me medir por isso?”

“O quanto desse ideal é meu, e o quanto é do mercado?”

“Quem eu sou quando não estou performando?”

A carreira em tecnologia se torna, para muitos, um cenário privilegiado onde o sujeito se confronta com o que realmente deseja e com aquilo que cumpre apenas para atender expectativas externas.

Por que os profissionais de tecnologia procuram terapia? 

Não é só pelo burnout. Ele aparece, claro. Mas, diante da escuta clínica, o burnout frequentemente se revela como um sintoma que aponta para questões mais profundas, que não começaram no trabalho, mas ali ganharam forma.

Entre os motivos que surgem com frequência, estão: 

1. A pressão constante por desempenho: Mesmo profissionais altamente competentes relatam a sensação de estar sempre atrasados. É como se a régua subisse mais rápido do que eles conseguem acompanhar. 

2. O esvaziamento do sentido: Em certo momento, muitos dizem algo assim: “Eu sou bom no que faço. Só não sei mais por quê faço.” É a crise do desejo, quando o sujeito percebe que funciona bem, mas já não encontra sentido no movimento. 

3. A solidão do trabalho remoto, o home office trouxe conforto e flexibilidade, mas também um aumento significativo na sensação de isolamento. A ausência do laço cotidiano evidencia questões que antes se diluíam no convívio. 

4. A dinâmica das reorganizações e incertezas: Demissões, reestruturações, fusões, mudanças bruscas. Esses eventos, mesmo quando não atingem diretamente o sujeito, produzem um clima de instabilidade que alimenta ansiedade e antecipação. 

5. A distância entre o sujeito e sua própria vida: Talvez o ponto mais comum seja este: a distância entre quem a pessoa é e o que ela vive no cotidiano vai se tornando tão grande que, de repente, algo não sustenta mais. É nesse momento que o sujeito procura terapia, não para encontrar respostas prontas, mas para abrir um espaço onde possa, finalmente, formular as perguntas certas.

O que a psicanálise tem a ver com isso?

Para Lacan, o desejo não é aquilo que queremos conscientemente.
Não é uma lista de metas, nem um conjunto de objetivos profissionais.
O desejo é o que nos move de forma mais profunda, aquilo que insiste, que retorna, que não se explica por métricas de desempenho.

E é justamente por isso que a psicanálise consegue iluminar questões de carreira de um modo tão singular.
Ela não pergunta: qual plano de carreira você quer seguir?
Ela pergunta: o que você está oferecendo de si quando faz o que faz?
O que você encontra ou perde nesse trabalho?
O que está em jogo para você nessa trajetória?

Muitos profissionais de tecnologia descobrem, ao longo do processo analítico, que seu percurso foi guiado mais pelo ideal do que pelo desejo. A análise permite separar uma coisa da outra e, quando isso acontece, algo muda. Às vezes muda o trabalho; às vezes muda a relação com o trabalho.

Em ambos os casos, quem muda é o sujeito. 

A tecnologia opera por lógica.

A subjetividade opera por falta.

A tecnologia busca eficiência.
O sujeito humano é estruturalmente marcado pela incompletude.

A tecnologia tenta prever.
O inconsciente, ao contrário, surpreende e muito.

O diálogo entre esses dois mundos não é impossível; ele apenas exige uma mudança de perspectiva.

A psicanálise não oferece técnicas de produtividade, não traz atalhos, não corrige bugs emocionais. Ela propõe algo que talvez seja ainda mais radical: uma pausa. Um espaço onde aquilo que se repete, aquilo que insiste, aquilo que transborda, possa ser ouvido e interpretado e quem sabe, elaborado.

No universo tech, onde tudo é rápido, mensurável e escalável, esse tipo de espaço é raro e talvez por isso seja tão necessário. 

No fim das contas, o que faz tantos profissionais de tecnologia buscarem terapia e permanecerem nela é algo simples, mas profundo:

Eles encontram um lugar onde podem existir sem performar.
Sem ter todas as respostas.
Sem precisar provar domínio.
Sem métricas.
Sem sprint.
Sem backlog.

Um lugar onde a vida psíquica pode emergir na sua forma própria, com suas dúvidas, suas dores, seus desejos, suas ambivalências.

E é nesse espaço que algo se reorganiza.
Não como quem atualiza um sistema, mas como quem se reencontra consigo mesmo. 

Se há algo que o mundo da tecnologia e a psicanálise têm em comum, é que ambos lidam com o desconhecido.

A tecnologia olha para o futuro do mundo.
A psicanálise olha para o futuro do sujeito.

E quando esses dois universos se encontram, como na PsiT.ech, forma-se um campo fértil para pensar novas maneiras de existir em meio ao digital, sem perder de vista o humano que sustenta tudo isso.

Talvez a pergunta que fique seja:
Como cada sujeito pode construir um lugar para si em meio a tantas demandas, expectativas e possibilidades?
A psicanálise não responde.
Mas ela sustenta a pergunta e é aí que o trabalho começa.

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Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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