Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Quando o trabalho ocupa todos os espaços

Durante muitos anos, o trabalho foi a minha casa. Meu mapa. Meu norte. Eu acordava para ele, organizava meu dia em função dele, e tudo o que não fosse “produtivo” me parecia perda de tempo. Era workaholic, embora eu não usasse essa palavra, para mim, aquela forma intensa de viver era só… normal.

Eu gostava do ritmo, das entregas, da sensação de resolver problemas, de ser necessária. O trabalho era onde eu me sentia competente, reconhecida, útil. Era meu lugar de segurança. E, por isso, foi ocupando todos os outros. Aos poucos, quase sem perceber, deixei que ele fosse tomando espaço das relações, dos afetos, do descanso, da intimidade comigo mesma.

Quando comecei análise, a primeira pergunta da minha analista foi:

“O que o trabalho significa para você?”

E eu respondi, sem pensar:

“Tudo.”

Ela sorriu, sem julgamento, mas como um espelho, e disse:

“Tudo é muita coisa.”

E foi ali, exatamente ali, que minha jornada começou.

Tudo.

Essa palavra ecoou dentro de mim. E foi a primeira vez que me dei conta de que talvez houvesse algo errado, não no trabalho, mas no tamanho que ele tinha na minha vida. No espaço que eu entregava para ele, sem questionar nada.

Porque quando o trabalho vira “tudo”, o resto vira quase nada.

Na época, eu não sabia dizer quem eu era fora daquela lógica de produtividade. Não sabia o que eu gostava de fazer, o que me nutria, o que me descansava. Não sabia sequer onde doía, porque eu não parava tempo suficiente para sentir. Era mais fácil continuar produzindo, cumprindo, funcionando. Era mais fácil seguir em movimento do que admitir que alguma coisa ali estava me escapando.

A análise, aos poucos, muito aos poucos, me permitiu olhar para isso sem culpa. E entender que o trabalho, quando ocupa todos os lugares da vida, não deixa espaço para mais nada viver ali dentro.

É curioso: às vezes, quando tudo está dando errado no trabalho, a gente pensa em mudar. Mas quando tudo está dando certo, promoções, reconhecimento, futuro brilhante, é aí que a escolha fica realmente difícil. Porque exige olhar para o próprio desejo, e isso assusta mais do que qualquer demissão.

Eu precisei encarar que aquela vida que funcionava tão bem por fora estava apertada demais por dentro. E que talvez o sucesso que eu tinha construído não conversasse com aquilo que, silenciosamente, eu queria viver.

Hoje, não conto essa história como quem “superou” algo, porque eu ainda cuido para não cair na armadilha de novo. O trabalho ainda é importante para mim, talvez não é mais tudo. E, pela primeira vez, isso não me parece uma perda. Parece espaço.

Espaço para existir em outras versões.

Espaço para desejar.

Espaço para não saber.

Espaço para viver.

E talvez seja isso que quase ninguém conta: às vezes, reorganizar a relação com o trabalho não é sobre trabalhar menos, porque hoje trabalho muitoooooo, é sobre caber mais em si mesma.

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Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
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