Depois de cinco anos de graduação, muitos estágios, supervisões, leituras, encontros e desencontros, chego ao último mês do curso de Psicologia. Às vezes me surpreendo com a sensação de que tudo passou rápido; outras vezes sinto como se eu tivesse vivido umas três vidas nesse caminho. Talvez eu tenha mesmo.
Essa é a minha segunda graduação. Antes da psicologia, eu vivi muitos anos no universo da computação, mergulhada em lógica, sistemas, tecnologia, resolução de problemas, tudo aquilo que faz o mundo funcionar enquanto ninguém está vendo. Trabalhei, programei, liderei, aprendi e, por muito tempo, achei que era ali que eu ficaria. Até que, silenciosamente, começou a nascer um desejo. Uma pergunta que primeiro sussurra, depois insiste: é isso mesmo?
Com o tempo, percebi que meu entusiasmo pelo humano, pelo que não cabe em algoritmos, pelo que escapa da lógica, era maior do que qualquer linha de código. A decisão não foi simples, nem rápida. Mas veio e com coragem: pedi demissão no último ano de psicologia para me dedicar integralmente à formação clínica. E aqui estou.
Agora, às vésperas da formatura e com o CRP chegando, estou abrindo oficialmente minha clínica: a PsiT.ech — Psicologia e Tecnologia. Falta pouco! Mas, diferente do que pode parecer, a PsiT.ech não nasce agora. Ela vem sendo construída desde o primeiro semestre da graduação, nos textos que escrevi, nas reflexões que compartilhei, nas experiências que acumulei, nas conversas com profissionais da psicologia e da área tech e nos atravessamentos que fizeram essa ponte ganhar forma. O que nasce agora é apenas a sua fase clínica, profissional, madura.
Por que trabalhar com profissionais de tecnologia?
Porque eu conheço esse mundo por dentro.
Sei o ritmo acelerado, o burnout disfarçado de “alta performance”, os sprints que viram madrugada, a pressão por excelência, os lutos silenciosos da carreira meteórica, a ansiedade das metas, a solidão do home office, as reorganizações repentinas, as demissões em massa. Sei também a criatividade, a potência, o brilho nos olhos de quem ama construir o futuro.
E, ao mesmo tempo, sei o que acontece quando o sujeito se perde no meio disso tudo.
A psicanálise lacaniana, que escolhi como orientação clínica, me oferece um modo de escutar aquilo que não aparece nas redes sociais, aquilo que não se resolve com produtividade, nem com métricas, nem com atualizações de versão. É uma forma de acompanhar cada pessoa na construção singular de seu desejo, longe das soluções prontas, perto do que faz sentido para cada um.
E agora nasce a clínica. Falta pouco.
Pequena, cuidadosa, feita à mão, mas cheia de projeto. Um espaço de escuta, pesquisa, ética e acolhimento, com especial atenção aos profissionais de tecnologia e às singularidades desse campo.
E daqui pra frente?
Agora eu sigo construindo.
Sigo estudando, escutando, abrindo espaço para o novo.
Sigo apostando nesse encontro entre psicologia e tecnologia, um encontro que, para mim, não é apenas profissional, mas existencial.
Se você trabalha com tecnologia, já trabalhou ou está pensando em migrar de carreira, talvez esse espaço também seja para você.
A clínica PsiT.ech abrirá suas portas em breve, depois de cinco anos de gestação, e é um prazer poder compartilhá-la com você.
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