Estava pensando que há um vazio que não vem da falta de esforço, pelo contrário, vem do excesso dele. Você faz tudo o que deveria ser feito: estuda, se organiza, tenta de novo, ajusta o caminho, revisa escolhas, engole o medo e continua. Ainda assim, zero resultado. A frustração se instala, um silêncio estranho, como se o mundo não respondesse na mesma língua que você está falando. "Se estou fazendo tudo certo, por que nada acontece?”
Existe uma crueldade nesse processo. Aos poucos, você começa a transformar dedicação em cobrança, esforço em dívida, e espera em punição. O que era projeto vira prova. O que era sonho vira tarefa. E o corpo sente. O sono fica pesado, a mente acelerada, e a sensação de estar “quase lá” perde sua forma. Você não desiste, mas também não chega. E nesse meio-termo, se cansa: perde energia, perde a fé no próprio movimento.
Um fracasso silencioso, que não tem nome, nem evento, nem explicação. Você olha para trás e até vê uma sequência de tentativas consistentes, responsáveis, honestas. E mesmo assim, nada muda. É uma espécie de desencaixe: por fora, você continua sendo alguém que “faz tudo certo”; por dentro, surge a sensação de estar falhando.
A mente tenta encontrar explicações, é incansável. Talvez não seja o momento certo. Talvez falte algo mesmo. Talvez você não tenha feito o suficiente ... e o ciclo recomeça, ainda mais exigente. Nesse ponto, o “fazer mais” deixa de ser solução e vira uma forma de se machucar.
Ainda assim, existe algo importante aí: o fato de que você continuou. Continuou mesmo sem garantia. Continuou mesmo quando seria mais fácil desistir. O que não elimina a dor, mas muda a natureza dela. Nem todo silêncio é ausência, às vezes é apenas um tempo que ainda não respondeu.
É um intervalo difícil de nomear, onde o esforço não encontra resultado.
É um lugar de travessia.
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