Andréa Ruas Martins - Psicóloga/Psicanalista - CRP 06/231415 - Clínica PsiTech - Psicologia e Tecnologia - Bairro Campo Belo - Cidade São Paulo/SP - Site oficial: clinicapsitech.com.br

Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

E ainda assim, me chama

Quero escrever sobre a minha posição de analista (uso a abordagem psicanalítica), quero dizer sobre como entramos com o nosso corpo na sessão. Às vezes ele pesa, às vezes se agita, às vezes parece querer escapar. Há sono, inquietação, cansaço, atenção, presença. E há aquilo que ainda não sabemos nomear.

Casos muito complicados, casos triviais, problemas disfarçados de objetos, discursos, alguns tímidos ao extremo, outros em que não se consegue interromper, dada a eloquência da fala e a ininterrupção. Mulheres, homens, adolescentes, crianças. Concretos como as crianças, abstratos como outros. Céticos e crédulos.

E você ali, no lugar de suposto saber. Um lugar que o outro lhe oferece. Você tem conhecimento, estudo, experiência, está muito preparada, mas, naquela sessão, precisa suspender a tentação de saber de antemão. O saber, se vier, não é exatamente seu. É algo que se constrói ali, na fala do outro, entre aquilo que ele diz e aquilo que ainda não sabe que está dizendo. 

E, ainda assim, você está ali, no lugar de suposto saber. Totalmente atravessada pelo outro, desconectada da sua própria história, colocando seu conhecimento em suspensão, para estar ali. Com o seu inconsciente. Atenção flutuante e muita cobrança. Lembrando da sua própria análise e do que vai encontrar na supervisão.

Onde há um embaralhamento, o certo é errado, o errado é certo e não tem certo e errado. É o que é. Ouvi a supervisora dizer que quem sabe é quem ali estava e, portanto, sou detentora de um saber que tenho e não sei que tenho.

Nos intervalos, vários relatórios e análises. E ainda mais leitura. Você vai se cercando de montanhas de livros, artigos, anotações, palavras sublinhadas, páginas marcadas para voltar depois. E, quanto mais lê, maior parece ser o território que falta conhecer. Uma palavra leva a outra, um autor a outro, uma pergunta abre uma passagem e, quando você percebe, já está longe de onde começou. Lê para compreender o que ouviu e, às vezes, para suportar o que não compreendeu. Lê e encontra alguma coisa que ilumina, outra que confunde, outra que desmente aquilo que você acreditava ter entendido. E então volta. À análise, à supervisão, ao livro, à sessão. Como se houvesse sempre alguma coisa prestes a se revelar e, ao mesmo tempo, alguma coisa que precisasse permanecer sem nome. Você vai se construindo nesse movimento, entre o que sabe e o que não sabe, entre o que pensa ter entendido e aquilo que insiste em escapar. E continua lendo.

A vida vai mudando bruscamente. E eu, que venho de uma carreira anterior, em exatas, justamente na área de que hoje me afasto, devaneio em algumas comparações. É curioso olhar para trás e perceber o quanto atravessei. Como se tivesse caminhado até o outro lado, para um lugar quase oposto. Antes, tão perto de certezas, de resultados, de respostas. Hoje, tão perto daquilo que escapa, do que não se resolve, do que precisa permanecer em suspenso. Às vezes penso na pessoa que eu era ali e na que sou aqui e parece que não são exatamente a mesma. Mas são. E me intriga: como se chega tão longe e ainda se é a mesma, embora tudo pareça tão diferente.

E quanto o paciente me diz que lembrou do que eu disse, quando ele volta para beber mais na fonte do seu próprio inconsciente, aumenta a pressão, aumenta a autocobrança, você se questiona. Na verdade, estamos juntos atravessando os fantasmas. Entre o real, o simbólico e o imaginário.

A realidade do paciente vai surgindo e a sua realidade fica ali, sem lugar. E você vai, não querendo psicoeducar, mas já psicoeducando. Não exatamente como ele espera. Você não responde, devolve a pergunta. O paciente vai associando. Entre a demanda e a escuta. Entre aquilo que o paciente espera, aquilo que pretende que você faça e aquilo que, inevitavelmente, você acaba fazendo.

E depois você se atém ao seu olhar, ao seu sentido, ao que aconteceu ali, ora sem palavras mesmo para nomear, ora nítido como a luz. E, ainda assim, você desconfia daquilo que pareceu tão claro. Daquilo que você pensou ter visto.

É uma profissão perigosa. Sim. Acredito nisso. E sempre me pergunto: perigosa para quem? Para o analista? Para o paciente? Para o narcisismo? Para as certezas? É uma profissão solitária também e, ao mesmo tempo, lotada de pensadores e autores, de abordagens. Lendo, lendo e lendo. Se construindo e desconstruindo.

E quando termina o dia, após várias sessões, já em casa, já em outros papéis, você quer se recolher. Não cabe mais nada. O silêncio é necessário. Mas não seria justo com os seus, que chegam falando muito, te solicitam, te buscam. E você está ali, querendo estar e também querendo desaparecer um pouco. Eles chegam com a vida que continua, e você ainda tentando sair de tantas outras vidas que passaram por você.

Você se olha e se pergunta se é uma farsa ou se realmente é sua escolha, é o seu desejo. Se haver com meu desejo. Comecei assim e estou aí nesse ponto, me havendo com ele, dia após dia, entre arrependimentos e comemorações. Me sentindo abençoada por ter "vencido na vida" e estar podendo estar aqui e, ora, me lamentando pela falta de raciocínio crítico e por uma idealização gigante, por ser tão idealista de achar que desejo é para ser vivido em intensidade. Custe o que custar.

Sabendo que dinheiro não compra tudo. Mas igualmente me havendo com a falta dele.

Complicado demais.

O desejo se move constantemente

Há uma hora em que a gente percebe que passou tempo demais tentando caber.

Caber na família. No trabalho. Na expectativa de alguém. Na ideia de sucesso que nos ensinaram. Na versão de nós mesmos que parece mais fácil de explicar.

E o mais estranho é quando, finalmente, conseguimos. A vida se organiza. O trabalho chega. O dinheiro começa a entrar. As coisas parecem estar no lugar. Há uma certa estabilidade. Uma espécie de silêncio depois de tantos anos de tempestade. Mas alguma coisa continua fora do lugar.

É difícil explicar. Porque, de fora, parece que está tudo bem. Esse é o problema.

Há vidas que são construídas como quem monta uma casa seguindo uma planta que recebeu pronta. Cada cômodo no lugar, cada parede obedecendo ao desenho. Até que um dia você entra e percebe que não sabe onde fica você.

É isso que o desejo costuma fazer: ele desarruma um pouco a casa. Ele aparece onde não deveria. Insiste onde já havíamos decidido não olhar. Faz barulho. Interrompe planos. Desconfia das certezas. E nem sempre sabemos o que fazer com ele.

Passamos anos confundindo desejo com conquista. Achamos que querer é chegar. Que felicidade é finalmente possuir aquilo que faltava. Que, quando todas as peças estiverem no lugar, alguma coisa dentro de nós finalmente descansará. Mas o desejo não parece funcionar assim. Ele se move.

É por isso que algumas pessoas se sentem mais vivas justamente quando tudo parece incerto. Em uma cidade nova. Em um palco. Em um encontro inesperado. Em uma escolha que ninguém ao redor entende. Não porque o sofrimento seja desejável. Mas porque, em determinados momentos, existe uma estranha sensação de presença quando já não é possível viver apenas para corresponder.

Há algo de muito solitário em descobrir que a vida que esperavam de nós não é necessariamente a vida que queremos. E há algo ainda mais difícil: perceber que já não são apenas os outros que nos prendem. As vozes deles ficaram dentro. Foram incorporadas por nós.

A gente aprende a se vigiar. A antecipar o julgamento. A diminuir o próprio desejo antes que alguém precise fazê-lo. Aprende a chamar de prudência aquilo que talvez seja medo. De maturidade aquilo que talvez seja renúncia. De estabilidade aquilo que, silenciosamente, virou prisão. Então talvez a pergunta não seja: “O que eu quero?” A pergunte é anterior: “O que, em mim, ainda consegue querer?”

Porque existe uma parte de nós que sabe. Mesmo quando não sabemos explicar. Ela aparece no corpo. Num cansaço que não passa. Numa vontade que retorna. Numa tristeza sem nome. Num sonho que insistimos em esquecer. Numa frase que escapou sem querer. Num lugar onde respiramos diferente.

A psicanálise é, entre outras coisas, um lugar para prestar atenção nessas pequenas fugas. Não para descobrir uma resposta definitiva. Mas para escutar. Escutar aquilo que ficou abafado pela pressa, pela expectativa, pelo desempenho, pela necessidade de dar certo.

Até que, pouco a pouco, uma pergunta deixa de parecer tão impossível: Que vida pode ser minha?

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

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