Andréa Ruas Martins - Psicóloga/Psicanalista - CRP 06/231415 - Clínica PsiTech - Psicologia e Tecnologia - Bairro Campo Belo - Cidade São Paulo/SP - Site oficial: clinicapsitech.com.br

Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Desencaixe Total! Anos depois, o texto continua

Escrevi o texto Desencaixe Total! há muitos anos, quando ainda trabalhava como analista de sistemas, imersa no universo da tecnologia, da lógica, dos códigos e dos sistemas que precisavam funcionar. Meu cotidiano era feito de estruturas, regras, relações entre elementos e problemas que exigiam soluções. Era preciso encontrar falhas, compreender variáveis, organizar processos e fazer as coisas se encaixarem.

Mas eu também escrevia. Muito. Lia muito. E compartilhava minhas ideias aos quatro cantos, como quem precisava colocar no mundo aquilo que acontecia por dentro. Mesmo vivendo em um universo tão marcado pela lógica, havia em mim uma inquietação que não cabia em códigos nem se resolvia com fórmulas. Eu já desconfiava dos encaixes perfeitos, da necessidade de encontrar respostas para tudo, de ter certeza sobre os caminhos escolhidos e de acreditar que, em algum momento, todas as peças da vida finalmente ocupariam seus devidos lugares.

O tempo passou. A vida mudou de direção, ou fui eu que mudei de direção dentro dela. Tornei-me psicóloga e psicanalista. E hoje, ao retornar àquele texto, encontro algo curioso: não encontro apenas as palavras de quem eu era. Encontro perguntas que permaneceram comigo, atravessaram os anos e ganharam novas camadas, mas que agora posso escutar de outro lugar.

É como reler uma carta escrita por alguém que conhecemos muito bem, mas que já não somos exatamente nós. Reconhecemos a voz, a inquietação, certas maneiras de olhar para o mundo. E percebemos que algumas perguntas estavam ali muito antes de sabermos como formulá-las.

A leitura das obras de Jacques Lacan e o estudo aprofundado de Freud, Klein e Winnicott ampliaram minha compreensão sobre essas inquietações antigas. Não porque eu já soubesse, naquela época, aquilo que viria a estudar depois, mas porque algumas perguntas parecem me acompanhar silenciosamente, à espera de outras palavras, outras experiências e novas possibilidades de compreensão.

Hoje, consigo reconhecer naquele texto algo que se aproxima de uma questão fundamental da psicanálise: a falta.

Não a falta de alguma coisa que perdi e que um dia poderei encontrar para, finalmente, me sentir completa. Mas uma falta mais profunda, que não se resolve simplesmente conquistando, acumulando, aprendendo ou encontrando alguém que prometa preencher todos os nossos espaços.

Com Lacan, compreendi que a falta não é apenas um vazio à espera de preenchimento. Ela participa da constituição do sujeito e está ligada ao desejo, à linguagem e àquilo que nunca conseguirei apreender inteiramente sobre mim mesma. Há sempre algo que escapa, algo que não se deixa capturar por completo, mesmo quando acredito ter encontrado uma explicação.

 É aí que o desencaixe ganha outra dimensão. Ele nos mantém em movimento.

Queremos saber quem somos, o que queremos, onde devemos estar. Procuramos relações que nos completem, respostas que nos tranquilizem, escolhas das quais nunca precisemos nos arrepender. Queremos a segurança de uma vida em que tudo faça sentido.

Mas a vida não nos oferece esse tipo de garantia.

A certeza absoluta promete encerramento. O desejo, por sua vez, permanece em movimento, sustentado por aquilo que não se deixa resolver de uma vez por todas. Na perspectiva lacaniana, a falta participa da própria constituição do sujeito. Não somos seres completos que, em algum momento, sofrem uma perda e precisam recuperar o que tinham. Não é simplesmente um defeito a corrigir, uma peça ausente a localizar ou uma falha de funcionamento a reparar.

Freud me mostrou que não somos inteiramente donos de nós mesmos. Há coisas que fazemos sem compreender por que fazemos, palavras que escapam, sonhos que nos inquietam e histórias que insistimos em repetir, mesmo quando juramos que não queremos mais repeti-las. Nem sempre sabemos o que nos move. Nem sempre nossas razões conscientes contam a história inteira.

Klein me ajudou a compreender a profundidade das primeiras experiências emocionais, os vínculos que construímos desde muito cedo e as marcas que eles deixam em nossa maneira de amar, temer, desejar e nos relacionar. As experiências de ausência, perda e reparação participam da maneira como elaboramos nossos sentimentos e habitamos o mundo.

Com Winnicott, encontrei uma reflexão igualmente importante sobre a possibilidade de ser. Sobre o que acontece quando encontramos um ambiente que nos permite existir com espontaneidade e sobre o preço que podemos pagar quando precisamos nos adaptar demais para sermos aceitos. Às vezes, aprendemos tão bem a corresponder ao que esperam de nós que acabamos nos distanciando daquilo que sentimos como verdadeiramente nosso.

São autores diferentes, com caminhos teóricos próprios, mas que me ajudam a olhar para uma questão que atravessa tanto minha história quanto meu trabalho clínico: quantas vezes tentamos nos encaixar a ponto de deixar de reconhecer a nós mesmos? O que acontece quando tentamos eliminar toda falta, preencher todo vazio e encontrar um encaixe perfeito para a nossa existência?

O problema não está em mudar, adaptar-se ou construir novas formas de existir. Fazemos tudo isso ao longo da vida. O problema começa quando transformamos o encaixe em obrigação, quando acreditamos que precisamos eliminar nossas contradições, silenciar nossas dúvidas e organizar cada parte de nós para corresponder a alguma ideia de perfeição.

Hoje, na clínica, essa questão ganha outra dimensão.

Escutar alguém não é procurar rapidamente uma resposta, organizar sua história em uma sequência lógica ou identificar uma falha para corrigi-la. O sofrimento humano não funciona como um sistema que volta ao normal depois que encontramos o componente defeituoso.

É preciso escutar o que se diz, mas também aquilo que retorna, o que se contradiz e o que parece não encontrar palavras. É preciso respeitar os tempos, as ambiguidades e os silêncios. Nem tudo se revela de uma vez, e nem toda pergunta precisa ser imediatamente encerrada por uma resposta.

A psicanálise me ensinou, entre tantas outras coisas, a desconfiar das soluções rápidas para questões complexas. A compreender que uma certeza pode, às vezes, funcionar como abrigo contra a angústia; que uma repetição pode guardar uma história que ainda não encontrou outro destino; e que aquilo que parece não fazer sentido merece ser escutado antes de ser descartado.

Não se trata de transformar o sofrimento em algo bonito, nem de acreditar que toda dúvida é libertadora. Há angústias que paralisam, perdas que doem e incertezas que nos deixam sem chão. Reconhecer a complexidade da experiência humana também significa não reduzir tudo aquilo que nos acontece a um erro de percurso.

Nem todo desencaixe precisa ser corrigido. Nem todo vazio pode ser preenchido. Nem toda pergunta exige uma resposta definitiva.

E aqui volto àquela mulher que, anos atrás, trabalhava com tecnologia e escrevia sobre o desencaixe. Naquele tempo, eu procurava compreender sistemas para que funcionassem. Hoje, na clínica, não procuro fazer as pessoas funcionarem segundo um modelo ideal. Procuro escutá-las em sua singularidade, respeitando aquilo que cada história tem de próprio, inclusive suas contradições e seus impasses.

Não renego a profissional que fui. Ao contrário, reconheço naquela trajetória uma parte importante de quem me tornei. A tecnologia, a leitura, a escrita, a psicologia e a psicanálise não precisam disputar espaço na minha história. Cada experiência abriu caminhos, apresentou perguntas e me ofereceu maneiras diferentes de olhar para o mundo.

Voltar a Desencaixe Total! é perceber que aquele texto não precisava conter uma teoria, antecipar conceitos ou oferecer respostas que eu ainda não tinha. Sua importância está justamente em ter registrado uma inquietação. Uma maneira de olhar para a vida que, com o passar dos anos, encontrou outras palavras para continuar existindo.

Depois de percorrer as obras de Freud, Lacan, Klein e Winnicott e de levar esses referenciais para minha prática clínica, volto àquele texto não para corrigi-lo, mas para conversar com ele.

Há algo de bonito nesse reencontro. A gente escreve em determinado momento da vida sem saber quantas versões de nós mesmos ainda passarão por aquelas palavras. O texto permanece ali, enquanto nós mudamos. E, quando voltamos, somos capazes de encontrar sentidos que antes não estavam ao nosso alcance.

Afinal, também somos feitos daquilo que escrevemos, pensamos e sentimos antes de compreender inteiramente o que tudo isso significava.

Desencaixe total! Anos atrás, um título. Uma inquietação que eu tentava colocar em palavras. Hoje, uma reflexão que encontra ressonância na psicanálise e na experiência de escutar outras histórias, sem esquecer a minha. Não porque eu tenha finalmente encontrado o encaixe que procurava, mas porque já não preciso acreditar que exista um encaixe definitivo à minha espera.

A vida não é um sistema perfeitamente organizado. Somos feitos de histórias, desejos, perdas, encontros, desencontros e contradições. Mudamos de ideia, abandonamos certezas, descobrimos coisas sobre nós mesmos e, às vezes, precisamos deixar para trás aquilo que durante muito tempo acreditamos ser.

A falta permanece. O desejo se desloca. As perguntas mudam de forma. E nós seguimos.

 Hoje, entendo que o desencaixe não é necessariamente o oposto de pertencer. Às vezes, é o que nos permite questionar os lugares que ocupamos, as respostas que repetimos e as formas que aprendemos a assumir para sermos aceitos.

Amadurecer pode ser também deixar de exigir que tudo se complete. Aceitar que não teremos todas as respostas, que nem sempre saberemos exatamente quem somos e que mudar de caminho não significa, obrigatoriamente, ter errado o anterior.

Escrevi aquele texto há muitos anos. Volto a ele agora, com outra história, outras leituras e outros ouvidos.

E continuo desconfiando dos encaixes perfeitos.

Porque, entre a falta e o desejo, entre a dúvida e a busca por sentido, a vida não espera que todas as peças estejam no lugar para acontecer.

A vida acontece no intervalo, no movimento, no que falta e no que ainda não sabemos nomear.

O desencaixe não é aquilo que nos impede de viver. É o que nos lembra que ainda estamos vivos.

E então, a fala.

Se a falta nos acompanha, a fala nos oferece uma maneira de contorná-la. Não de eliminá-la, nem de preencher definitivamente aquilo que nos falta, mas de tentar dizer alguma coisa sobre isso. De dar nome ao que sentimos, ao que nos inquieta, ao que insiste em nós mesmo quando ainda não sabemos muito bem o que é.

E aqui preciso voltar a mim mesma.

Antes de me tornar psicóloga e psicanalista, eu já escrevia muito, lia muito. Tinha ideias, inquietações, perguntas. Queria compartilhá-las, colocá-las no mundo, encontrar palavras para aquilo que me atravessava. Mas a linguagem que me interessava estava nas pessoas, nas histórias, nas palavras que escolhemos para contar quem somos e nas tentativas, nem sempre bem-sucedidas, de explicar o que sentimos.

Eu ainda não tinha o repertório teórico que tenho hoje, mas já acreditava na força da palavra. Acreditava que ela era uma maneira de organizar o pensamento, questionar e dar existência às ideias.

Hoje, sei que a palavra não é apenas um recurso que utilizamos para traduzir em voz alta algo que já está pronto dentro de nós. Muitas vezes, é ao falar que começamos a descobrir o que pensamos, o que sentimos e o que ainda não conseguimos compreender.

Há coisas que parecem claras enquanto permanecem em silêncio. Acreditamos saber o que nos aconteceu, por que sofremos, o que queremos e quem somos. Então começamos a falar. Contamos uma história, escolhemos as palavras, voltamos a um detalhe, nos contradizemos, fazemos uma pausa. E, de repente, alguma coisa muda. O que parecia tão evidente já não é exatamente o que pensávamos. A palavra abre caminhos e nos surpreende.

Com Lacan, essa percepção ganhou para mim uma profundidade particular. A linguagem não é simplesmente uma ferramenta que carregamos para expressar nossa identidade. Somos constituídos também pelas palavras que nos precederam, pelos nomes que recebemos, pelas histórias que contaram sobre nós e pelos sentidos que aprendemos a atribuir às experiências. Antes mesmo de podermos falar, já existe uma linguagem à nossa volta, um mundo de palavras no qual começamos a ocupar um lugar. E passamos a vida tentando dizer quem somos a partir delas. Mas nenhuma palavra consegue nos traduzir por inteiro. Nenhuma narrativa dá conta de tudo. Há sempre alguma coisa que escapa entre o que sentimos, o que pensamos e o que conseguimos dizer. Há palavras que nos aproximam de nós mesmos e outras que repetimos durante anos sem perceber o quanto deixaram de nos representar.

Freud sugere prestarmos atenção naquilo que escapa ao controle da consciência. Às vezes, falamos uma coisa e, no meio da frase, surge outra. Esquecemos um nome, repetimos uma história, tropeçamos em uma palavra. Nem todo tropeço tem um significado inconsciente predeterminado, mas nos lembra que não dominamos inteiramente aquilo que dizemos. A fala carrega hesitações, desvios e surpresas. E há algo humano nisso: não somos apenas aquilo que conseguimos explicar sobre nós mesmos.

Com Klein, aprendi a reconhecer a intensidade das emoções que nos habitam e atravessam nossas relações. Com Winnicott, lembro da importância de um ambiente em que possamos existir com espontaneidade, sem precisar nos moldar o tempo inteiro ao que esperam de nós.

E penso na fala como esse lugar possível: onde a pessoa não precisa chegar pronta, saber exatamente o que dizer ou organizar suas contradições para torná-las aceitáveis. Um lugar onde as palavras tropeçam, as certezas perdem a forma e os silêncios ganham voz. Um lugar em que seja possível experimentar palavras, voltar atrás, duvidar e descobrir.

É isso que torna a escuta clínica tão diferente de uma conversa que busca aconselhar, convencer ou resolver. Não se trata de encontrar a frase perfeita para explicar a vida de alguém. Trata-se de acompanhar o que essa pessoa consegue dizer, o que ainda não consegue e as histórias que conta. Enquanto fala, ela pode se surpreender com aquilo que diz, encontrar outro sentido para uma história que julgava conhecer tão bem.

Porque falar, na verdade, é se ouvir.

E, às vezes, na clínica, é a primeira vez que alguém consegue ouvir a própria história sem precisar interrompê-la para se justificar, se defender ou oferecer uma resposta pronta.

Não cabe ao analista dizer ao sujeito quem ele é. É no trabalho de escuta, no encontro com a própria fala e na possibilidade de produzir novos sentidos que algo pode se transformar. Não se trata de encontrar uma verdade definitiva, mas de abrir espaço para que outras leituras de si mesmo se tornem possíveis.

Hoje, percebo que escrever sempre foi meu jeito de estar no mundo. Antes, escrevia para dar passagem às ideias, fazê-las ganhar vida. Continuo escrevendo, mas hoje sei que a palavra não apenas traduz o pensamento: também o transforma. E revela que até aquilo que julgávamos conhecer ainda guarda perguntas.

Por isso que voltar a um texto antigo tenha tanta força para mim. Aquelas palavras foram escritas por alguém que eu fui, mas sou eu, hoje, quem as lê. O texto permaneceu. Eu mudei. E, entre a escrita de ontem e a leitura de hoje, abriu-se um espaço para novos sentidos.

A falta e a fala se encontram justamente aí.

A falta me lembra que não somos inteiros, acabados, definitivos. A fala me permite tentar dizer alguma coisa sobre essa condição, mesmo sabendo que nunca conseguirei dizer tudo. Uma não anula a outra: há vazios que palavra alguma preenche e silêncios que, um dia, encontram voz.

Falo porque alguma coisa me move. Porque tento compreender. Porque quero ser ouvida. Porque há experiências que precisam encontrar um nome para que eu possa começar a olhar para elas de outra maneira.

Nomear já produz uma mudança. Aquilo que era apenas um mal-estar difuso ganha contornos. O que parecia confusão começa a se distinguir. O que permaneceu durante muito tempo sem palavras pode, enfim, entrar na minha história de uma maneira diferente. Não significa que nomear resolva tudo. Às vezes, encontrar uma palavra é apenas o começo de uma pergunta maior. E isso já é um começo.

Volto, novamente, àquela mulher que escrevia, lia e falava, ainda trabalhando com sistemas que precisavam funcionar. Gosto de reencontrá-la. Não porque ela já soubesse o que viria depois, mas porque continuava procurando palavras para aquilo que a inquietava.

Hoje, a psicanálise me oferece outras maneiras de escutar essa busca. E a clínica me lembra, diariamente, que cada pessoa tem seu tempo, suas palavras, seus silêncios e sua maneira singular de construir uma narrativa sobre a própria vida. Continuo acreditando na palavra. Não porque ela possa dizer tudo, mas justamente porque não diz. Porque deixa espaço para a pergunta, para a dúvida e para aquilo que ainda está por ser descoberto.

A falta nos move. A fala nos permite dar contorno ao que nos move.

E, entre uma e outra, sigo tentando nomear a vida, não para encerrá-la em uma definição, mas para torná-la um pouco mais possível de ser compreendida, sentida e vivida. 

Desde sempre, continuo escrevendo. Procurando palavras. A diferença é que hoje sei que minhas palavras não precisam chegar a uma conclusão para terem valor. Basta que abram espaço para aquilo que ainda não consigo dizer. A mesma inquietação que antes encontrava expressão na escrita hoje também encontra lugar na psicanálise.

Volto, então, ao Desencaixe Total!, ao desencaixe que deu origem a tudo isso: a fala não preenche a falta, mas pode transformar a maneira como nos relacionamos com aquilo que nos falta.

Esta não é apenas a releitura de um texto antigo, mas o reencontro com uma inquietação que atravessou o tempo e acompanhou minha transformação pessoal, intelectual e profissional. Não volto ao passado para demonstrar que já sabia o que sei hoje. Volto para reconhecer que aquela inquietação continua viva, embora tenha adquirido outras palavras e outros sentidos.

Talvez fosse isso que eu tentasse dizer tantos anos atrás, sem ainda saber como formular a pergunta.

E sigo escrevendo, escutando e procurando palavras. Não para encontrar o encaixe definitivo, mas para continuar aberta ao que ainda não sei, ao que ainda não compreendi e ao que, de alguma maneira, continua me movendo.

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Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

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