Escrevi o texto Desencaixe Total! há muitos anos, quando ainda trabalhava como analista de sistemas, imersa no universo da tecnologia, da lógica, dos códigos e dos sistemas que precisavam funcionar. Meu cotidiano era feito de estruturas, regras, relações entre elementos e problemas que exigiam soluções. Era preciso encontrar falhas, compreender variáveis, organizar processos e fazer as coisas se encaixarem.
Mas eu também escrevia. Muito. Lia muito. E compartilhava
minhas ideias aos quatro cantos, como quem precisava colocar no mundo aquilo
que acontecia por dentro. Mesmo vivendo em um universo tão marcado pela lógica,
havia em mim uma inquietação que não cabia em códigos nem se resolvia com
fórmulas. Eu já desconfiava dos encaixes perfeitos, da necessidade de encontrar
respostas para tudo, de ter certeza sobre os caminhos escolhidos e de acreditar
que, em algum momento, todas as peças da vida finalmente ocupariam seus devidos
lugares.
O tempo passou. A vida mudou de direção, ou fui eu que mudei
de direção dentro dela. Tornei-me psicóloga e psicanalista. E hoje, ao retornar
àquele texto, encontro algo curioso: não encontro apenas as palavras de quem eu
era. Encontro perguntas que permaneceram comigo, atravessaram os anos e
ganharam novas camadas, mas que agora posso escutar de outro lugar.
É como reler uma carta escrita por alguém que conhecemos
muito bem, mas que já não somos exatamente nós. Reconhecemos a voz, a
inquietação, certas maneiras de olhar para o mundo. E percebemos que algumas
perguntas estavam ali muito antes de sabermos como formulá-las.
A leitura das obras de Jacques Lacan e o estudo aprofundado
de Freud, Klein e Winnicott ampliaram minha compreensão sobre essas
inquietações antigas. Não porque eu já soubesse, naquela época, aquilo que
viria a estudar depois, mas porque algumas perguntas parecem me acompanhar
silenciosamente, à espera de outras palavras, outras experiências e novas
possibilidades de compreensão.
Hoje, consigo reconhecer naquele texto algo que se aproxima
de uma questão fundamental da psicanálise: a falta.
Não a falta de alguma coisa que perdi e que um dia poderei
encontrar para, finalmente, me sentir completa. Mas uma falta mais profunda,
que não se resolve simplesmente conquistando, acumulando, aprendendo ou
encontrando alguém que prometa preencher todos os nossos espaços.
Com Lacan, compreendi que a falta não é apenas um vazio à
espera de preenchimento. Ela participa da constituição do sujeito e está ligada
ao desejo, à linguagem e àquilo que nunca conseguirei apreender inteiramente
sobre mim mesma. Há sempre algo que escapa, algo que não se deixa capturar por
completo, mesmo quando acredito ter encontrado uma explicação.
É aí que o desencaixe
ganha outra dimensão. Ele nos mantém em movimento.
Queremos saber quem somos, o que queremos, onde devemos
estar. Procuramos relações que nos completem, respostas que nos tranquilizem,
escolhas das quais nunca precisemos nos arrepender. Queremos a segurança de uma
vida em que tudo faça sentido.
Mas a vida não nos oferece esse tipo de garantia.
A certeza absoluta promete encerramento. O desejo, por sua
vez, permanece em movimento, sustentado por aquilo que não se deixa resolver de
uma vez por todas. Na perspectiva lacaniana, a falta participa da própria
constituição do sujeito. Não somos seres completos que, em algum momento,
sofrem uma perda e precisam recuperar o que tinham. Não é simplesmente um
defeito a corrigir, uma peça ausente a localizar ou uma falha de funcionamento
a reparar.
Freud me mostrou que não somos inteiramente donos de nós
mesmos. Há coisas que fazemos sem compreender por que fazemos, palavras que
escapam, sonhos que nos inquietam e histórias que insistimos em repetir, mesmo
quando juramos que não queremos mais repeti-las. Nem sempre sabemos o que nos
move. Nem sempre nossas razões conscientes contam a história inteira.
Klein me ajudou a compreender a profundidade das primeiras
experiências emocionais, os vínculos que construímos desde muito cedo e as
marcas que eles deixam em nossa maneira de amar, temer, desejar e nos
relacionar. As experiências de ausência, perda e reparação participam da
maneira como elaboramos nossos sentimentos e habitamos o mundo.
Com Winnicott, encontrei uma reflexão igualmente importante
sobre a possibilidade de ser. Sobre o que acontece quando encontramos um
ambiente que nos permite existir com espontaneidade e sobre o preço que podemos
pagar quando precisamos nos adaptar demais para sermos aceitos. Às vezes,
aprendemos tão bem a corresponder ao que esperam de nós que acabamos nos
distanciando daquilo que sentimos como verdadeiramente nosso.
São autores diferentes, com caminhos teóricos próprios, mas
que me ajudam a olhar para uma questão que atravessa tanto minha história
quanto meu trabalho clínico: quantas vezes tentamos nos encaixar a ponto de
deixar de reconhecer a nós mesmos? O que acontece quando tentamos eliminar toda
falta, preencher todo vazio e encontrar um encaixe perfeito para a nossa
existência?
O problema não está em mudar, adaptar-se ou construir novas
formas de existir. Fazemos tudo isso ao longo da vida. O problema começa quando
transformamos o encaixe em obrigação, quando acreditamos que precisamos
eliminar nossas contradições, silenciar nossas dúvidas e organizar cada parte
de nós para corresponder a alguma ideia de perfeição.
Hoje, na clínica, essa questão ganha outra dimensão.
Escutar alguém não é procurar rapidamente uma resposta,
organizar sua história em uma sequência lógica ou identificar uma falha para
corrigi-la. O sofrimento humano não funciona como um sistema que volta ao
normal depois que encontramos o componente defeituoso.
É preciso escutar o que se diz, mas também aquilo que
retorna, o que se contradiz e o que parece não encontrar palavras. É preciso
respeitar os tempos, as ambiguidades e os silêncios. Nem tudo se revela de uma
vez, e nem toda pergunta precisa ser imediatamente encerrada por uma resposta.
A psicanálise me ensinou, entre tantas outras coisas, a
desconfiar das soluções rápidas para questões complexas. A compreender que uma
certeza pode, às vezes, funcionar como abrigo contra a angústia; que uma
repetição pode guardar uma história que ainda não encontrou outro destino; e
que aquilo que parece não fazer sentido merece ser escutado antes de ser
descartado.
Não se trata de transformar o sofrimento em algo bonito, nem
de acreditar que toda dúvida é libertadora. Há angústias que paralisam, perdas
que doem e incertezas que nos deixam sem chão. Reconhecer a complexidade da
experiência humana também significa não reduzir tudo aquilo que nos acontece a
um erro de percurso.
Nem todo desencaixe precisa ser corrigido. Nem todo vazio
pode ser preenchido. Nem toda pergunta exige uma resposta definitiva.
E aqui volto àquela mulher que, anos atrás, trabalhava com
tecnologia e escrevia sobre o desencaixe. Naquele tempo, eu procurava
compreender sistemas para que funcionassem. Hoje, na clínica, não procuro fazer
as pessoas funcionarem segundo um modelo ideal. Procuro escutá-las em sua
singularidade, respeitando aquilo que cada história tem de próprio, inclusive
suas contradições e seus impasses.
Não renego a profissional que fui. Ao contrário, reconheço
naquela trajetória uma parte importante de quem me tornei. A tecnologia, a
leitura, a escrita, a psicologia e a psicanálise não precisam disputar espaço
na minha história. Cada experiência abriu caminhos, apresentou perguntas e me
ofereceu maneiras diferentes de olhar para o mundo.
Voltar a Desencaixe Total! é perceber que aquele
texto não precisava conter uma teoria, antecipar conceitos ou oferecer
respostas que eu ainda não tinha. Sua importância está justamente em ter
registrado uma inquietação. Uma maneira de olhar para a vida que, com o passar
dos anos, encontrou outras palavras para continuar existindo.
Depois de percorrer as obras de Freud, Lacan, Klein e
Winnicott e de levar esses referenciais para minha prática clínica, volto
àquele texto não para corrigi-lo, mas para conversar com ele.
Há algo de bonito nesse reencontro. A gente escreve em
determinado momento da vida sem saber quantas versões de nós mesmos ainda
passarão por aquelas palavras. O texto permanece ali, enquanto nós mudamos. E,
quando voltamos, somos capazes de encontrar sentidos que antes não estavam ao
nosso alcance.
Afinal, também somos feitos daquilo que escrevemos, pensamos
e sentimos antes de compreender inteiramente o que tudo isso significava.
Desencaixe total! Anos atrás, um título. Uma
inquietação que eu tentava colocar em palavras. Hoje, uma reflexão que encontra
ressonância na psicanálise e na experiência de escutar outras histórias, sem
esquecer a minha. Não porque eu tenha finalmente encontrado o encaixe que
procurava, mas porque já não preciso acreditar que exista um encaixe definitivo
à minha espera.
A vida não é um sistema perfeitamente organizado. Somos
feitos de histórias, desejos, perdas, encontros, desencontros e contradições.
Mudamos de ideia, abandonamos certezas, descobrimos coisas sobre nós mesmos e,
às vezes, precisamos deixar para trás aquilo que durante muito tempo
acreditamos ser.
A falta permanece. O desejo se desloca. As perguntas mudam
de forma. E nós seguimos.
Hoje, entendo que o
desencaixe não é necessariamente o oposto de pertencer. Às vezes, é o que nos
permite questionar os lugares que ocupamos, as respostas que repetimos e as
formas que aprendemos a assumir para sermos aceitos.
Amadurecer pode ser também deixar de exigir que tudo se
complete. Aceitar que não teremos todas as respostas, que nem sempre saberemos
exatamente quem somos e que mudar de caminho não significa, obrigatoriamente,
ter errado o anterior.
Escrevi aquele texto há muitos anos. Volto a ele agora, com
outra história, outras leituras e outros ouvidos.
E continuo desconfiando dos encaixes perfeitos.
Porque, entre a falta e o desejo, entre a dúvida e a busca
por sentido, a vida não espera que todas as peças estejam no lugar para
acontecer.
A vida acontece no intervalo, no movimento, no que falta
e no que ainda não sabemos nomear.
O desencaixe não é aquilo que nos impede de viver. É o que
nos lembra que ainda estamos vivos.
E então, a fala.
Se a falta nos acompanha, a fala nos oferece uma maneira de
contorná-la. Não de eliminá-la, nem de preencher definitivamente aquilo que nos
falta, mas de tentar dizer alguma coisa sobre isso. De dar nome ao que
sentimos, ao que nos inquieta, ao que insiste em nós mesmo quando ainda não
sabemos muito bem o que é.
E aqui preciso voltar a mim mesma.
Antes de me tornar psicóloga e psicanalista, eu já escrevia
muito, lia muito. Tinha ideias, inquietações, perguntas. Queria
compartilhá-las, colocá-las no mundo, encontrar palavras para aquilo que me
atravessava. Mas a linguagem que me interessava estava nas pessoas, nas
histórias, nas palavras que escolhemos para contar quem somos e nas tentativas,
nem sempre bem-sucedidas, de explicar o que sentimos.
Eu ainda não tinha o repertório teórico que tenho hoje, mas
já acreditava na força da palavra. Acreditava que ela era uma maneira de
organizar o pensamento, questionar e dar existência às ideias.
Hoje, sei que a palavra não é apenas um recurso que
utilizamos para traduzir em voz alta algo que já está pronto dentro de nós.
Muitas vezes, é ao falar que começamos a descobrir o que pensamos, o que
sentimos e o que ainda não conseguimos compreender.
Há coisas que parecem claras enquanto permanecem em
silêncio. Acreditamos saber o que nos aconteceu, por que sofremos, o que
queremos e quem somos. Então começamos a falar. Contamos uma história,
escolhemos as palavras, voltamos a um detalhe, nos contradizemos, fazemos uma
pausa. E, de repente, alguma coisa muda. O que parecia tão evidente já não é
exatamente o que pensávamos. A palavra abre caminhos e nos surpreende.
Com Lacan, essa percepção ganhou para mim uma profundidade
particular. A linguagem não é simplesmente uma ferramenta que carregamos para
expressar nossa identidade. Somos constituídos também pelas palavras que nos
precederam, pelos nomes que recebemos, pelas histórias que contaram sobre nós e
pelos sentidos que aprendemos a atribuir às experiências. Antes mesmo de
podermos falar, já existe uma linguagem à nossa volta, um mundo de palavras no
qual começamos a ocupar um lugar. E passamos a vida tentando dizer quem somos a
partir delas. Mas nenhuma palavra consegue nos traduzir por inteiro. Nenhuma
narrativa dá conta de tudo. Há sempre alguma coisa que escapa entre o que
sentimos, o que pensamos e o que conseguimos dizer. Há palavras que nos
aproximam de nós mesmos e outras que repetimos durante anos sem perceber o
quanto deixaram de nos representar.
Freud sugere prestarmos atenção naquilo que escapa ao
controle da consciência. Às vezes, falamos uma coisa e, no meio da frase, surge
outra. Esquecemos um nome, repetimos uma história, tropeçamos em uma palavra.
Nem todo tropeço tem um significado inconsciente predeterminado, mas nos lembra
que não dominamos inteiramente aquilo que dizemos. A fala carrega hesitações,
desvios e surpresas. E há algo humano nisso: não somos apenas aquilo que
conseguimos explicar sobre nós mesmos.
Com Klein, aprendi a reconhecer a intensidade das emoções
que nos habitam e atravessam nossas relações. Com Winnicott, lembro da
importância de um ambiente em que possamos existir com espontaneidade, sem
precisar nos moldar o tempo inteiro ao que esperam de nós.
E penso na fala como esse lugar possível: onde a pessoa não
precisa chegar pronta, saber exatamente o que dizer ou organizar suas
contradições para torná-las aceitáveis. Um lugar onde as palavras tropeçam, as
certezas perdem a forma e os silêncios ganham voz. Um lugar em que seja
possível experimentar palavras, voltar atrás, duvidar e descobrir.
É isso que torna a escuta clínica tão diferente de uma
conversa que busca aconselhar, convencer ou resolver. Não se trata de encontrar
a frase perfeita para explicar a vida de alguém. Trata-se de acompanhar o que
essa pessoa consegue dizer, o que ainda não consegue e as histórias que conta.
Enquanto fala, ela pode se surpreender com aquilo que diz, encontrar outro
sentido para uma história que julgava conhecer tão bem.
Porque falar, na verdade, é se ouvir.
E, às vezes, na clínica, é a primeira vez que alguém
consegue ouvir a própria história sem precisar interrompê-la para se
justificar, se defender ou oferecer uma resposta pronta.
Não cabe ao analista dizer ao sujeito quem ele é. É no
trabalho de escuta, no encontro com a própria fala e na possibilidade de
produzir novos sentidos que algo pode se transformar. Não se trata de encontrar
uma verdade definitiva, mas de abrir espaço para que outras leituras de si
mesmo se tornem possíveis.
Hoje, percebo que escrever sempre foi meu jeito de estar no
mundo. Antes, escrevia para dar passagem às ideias, fazê-las ganhar vida.
Continuo escrevendo, mas hoje sei que a palavra não apenas traduz o pensamento:
também o transforma. E revela que até aquilo que julgávamos conhecer ainda
guarda perguntas.
Por isso que voltar a um texto antigo tenha tanta força para
mim. Aquelas palavras foram escritas por alguém que eu fui, mas sou eu, hoje,
quem as lê. O texto permaneceu. Eu mudei. E, entre a escrita de ontem e a
leitura de hoje, abriu-se um espaço para novos sentidos.
A falta e a fala se encontram justamente aí.
A falta me lembra que não somos inteiros, acabados,
definitivos. A fala me permite tentar dizer alguma coisa sobre essa condição,
mesmo sabendo que nunca conseguirei dizer tudo. Uma não anula a outra: há
vazios que palavra alguma preenche e silêncios que, um dia, encontram voz.
Falo porque alguma coisa me move. Porque tento compreender.
Porque quero ser ouvida. Porque há experiências que precisam encontrar um nome
para que eu possa começar a olhar para elas de outra maneira.
Nomear já produz uma mudança. Aquilo que era apenas um
mal-estar difuso ganha contornos. O que parecia confusão começa a se
distinguir. O que permaneceu durante muito tempo sem palavras pode, enfim,
entrar na minha história de uma maneira diferente. Não significa que nomear
resolva tudo. Às vezes, encontrar uma palavra é apenas o começo de uma pergunta
maior. E isso já é um começo.
Volto, novamente, àquela mulher que escrevia, lia e falava,
ainda trabalhando com sistemas que precisavam funcionar. Gosto de
reencontrá-la. Não porque ela já soubesse o que viria depois, mas porque
continuava procurando palavras para aquilo que a inquietava.
Hoje, a psicanálise me oferece outras maneiras de escutar
essa busca. E a clínica me lembra, diariamente, que cada pessoa tem seu tempo,
suas palavras, seus silêncios e sua maneira singular de construir uma narrativa
sobre a própria vida. Continuo acreditando na palavra. Não porque ela possa
dizer tudo, mas justamente porque não diz. Porque deixa espaço para a pergunta,
para a dúvida e para aquilo que ainda está por ser descoberto.
A falta nos move. A fala nos permite dar contorno ao que
nos move.
E, entre uma e outra, sigo tentando nomear a vida, não para encerrá-la em uma definição, mas para torná-la um pouco mais possível de ser compreendida, sentida e vivida.
Desde sempre, continuo escrevendo. Procurando palavras. A
diferença é que hoje sei que minhas palavras não precisam chegar a uma
conclusão para terem valor. Basta que abram espaço para aquilo que ainda não consigo
dizer. A mesma inquietação que antes encontrava expressão na escrita hoje
também encontra lugar na psicanálise.
Volto, então, ao Desencaixe Total!, ao
desencaixe que deu origem a tudo isso: a fala não preenche a falta, mas pode
transformar a maneira como nos relacionamos com aquilo que nos falta.
Esta não é apenas a releitura de um texto antigo, mas o
reencontro com uma inquietação que atravessou o tempo e acompanhou minha
transformação pessoal, intelectual e profissional. Não volto ao passado para
demonstrar que já sabia o que sei hoje. Volto para reconhecer que aquela
inquietação continua viva, embora tenha adquirido outras palavras e outros
sentidos.
Talvez fosse isso que eu tentasse dizer tantos anos atrás,
sem ainda saber como formular a pergunta.
E sigo escrevendo, escutando e procurando palavras. Não para encontrar o encaixe definitivo, mas para continuar aberta ao que ainda não sei, ao que ainda não compreendi e ao que, de alguma maneira, continua me movendo.
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