A gente passa boa parte da vida tentando diminuir os riscos. Confere duas vezes a mensagem antes de enviar. Repassa mentalmente uma conversa que nem aconteceu. Imagina todos os cenários possíveis, principalmente os ruins. Faz plano A, B, C... e, se der tempo, inventa até o Z.
É curioso porque quase nunca é o risco que machuca primeiro. O que desgasta é o tempo que gastamos tentando impedir que ele exista.
Tem gente que vive tão ocupada tentando não errar que acaba não vivendo muita coisa. Não porque falta coragem, mas porque a necessidade de ter certeza fica maior do que a vontade de experimentar.
No fundo, viver sempre teve uma cláusula que ninguém conseguiu negociar: não existe garantia. Amar é arriscado. Mudar é arriscado. Ficar também. Dizer o que pensa, pedir ajuda, começar de novo, confiar em alguém... tudo isso envolve algum risco.
Talvez o problema não seja correr riscos. Talvez seja acreditar que existe uma forma de viver sem eles. E, ironicamente, essa costuma ser a aposta mais arriscada de todas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário