Introdução

Você dá conta de tudo? Pelo menos é isso que parece. O trabalho anda, as responsabilidades são cumpridas, a rotina segue. Mas existe um cansaço que não passa. Uma sensação de estar sempre em falta, como se nada fosse suficiente. A mente não desliga. O descanso não chega. E, mesmo quando tudo está “sob controle”, algo insiste. Muitas vezes, não é falta de organização, nem de disciplina. É outra coisa, mais silenciosa, mais difícil de nomear. Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta para isso. Para o que não se resolve com produtividade, planejamento ou autocobrança. Não se trata de dar respostas prontas, mas de possibilitar que você escute algo do seu próprio desejo, para além das exigências que te atravessam. Atendo pessoas que vivem sob pressão constante, com dificuldade de se desligar do trabalho, lidando com ansiedade, excesso de autoexigência e uma sensação persistente de insuficiência. Se algo disso te toca, você pode me escrever. Podemos começar por uma conversa.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Sessão

Dizem que o analista não pensa nos seus pacientes depois que a sessão termina.

Eu penso. E muito.

Penso nas palavras ditas e nas que ficaram suspensas no silêncio. No olhar que vacilou, no riso que escondeu a dor, na raiva contida que denuncia algo muito maior. Penso naquilo que se repete sem fim, na luta interna entre construir e destruir, no desejo de pertencimento que nunca encontra pouso.

Escrever me ajuda a organizar essas reflexões. Não para encontrar respostas – porque a análise não é sobre respostas  – mas para dar forma ao que insiste.

Eu me entrego muito ao paciente, sempre preciso de uma descompressão posterior, por isso escrevo. E nesse movimento vou caminhando entre os significantes, até que um significado possa se fazer presente, para mim. Porque é o paciente que chega nos seus próprios.

Segue um trecho: Aqui misturo pacientes, confundo, poetizo, porque o sigilo é algo inegociável

Mas, nesses "Frankenstein" que crio, vou navegando e, de alguma forma, me encontrando. 

Os pacientes leem meus textos, mas não se identificam com um caso específico e, ao mesmo tempo, se reconhecem em vários deles e em nenhum ao mesmo tempo. Então, estou embaralhando muito bem, rs.

=  =  =  =

E a sessão continuava. A analista, com sua calma firme, avisou logo de início: não lhe daria uma pauta. Observava sua irritabilidade transbordando por trás da educação impecável. Internamente, era evidente—uma fúria contida, disfarçada por gestos medidos.

Falou sobre os irmãos, distantes. Estranhos, sem laços reais. E a irmã? Péssima. O relacionamento com a mãe, sempre penoso, culminou em sua morte, que, longe de ser uma tragédia, foi um alívio. Acho que exagero aqui, mas havia um sofrimento aí, não nomeado.

O marido, homem bom, a tratava bem, mas tinha lá suas questões de dependência, às vezes, infantil. 

Na faculdade, era uma aluna excepcional, admirada pelos professores, elogiada com frequência. Mas e daí? Eles seguiam suas vidas, sem impacto real. No fundo, era incrível, mas ninguém parecia querê-la por perto. "Porque não querem sombra", disse a analista. "Por vaidade, pelo inconsciente deles. Isso é do outro."

E a analista continuou dizendo que se fosse outra tipo de pessoa, talvez visse sorte em trabalhar ao lado de alguém assim. Mas para os outros, era uma ameaça. E isso não era sobre ela. O que é do outro, escapa ao seu controle.

Saiu do emprego. Puxaram o tapete, jogaram sujo, e não se importaram. Mas não foi expulsa. Foi ela quem escolheu sair. Corajosa. Saiu de um lugar que a matava. Escolheu viver. Estava atravessando a fantasia. Foi decisão do sujeito (no simbólico), com uma ajudinha do sujeito do inconsciente (no real).

E aqueles que colocou num pedestal? Terra fofa. 

No caminho, adoeceu. Não se vitimizou. Nem por um minuto. "Pera lá", dizia a analista. "Paciência. Paciência histórica." Tudo isso tinha a ver com você, com quem você escolheu ser.

Um ciclo sem fim que se repetia incessantemente. Um roteiro de pertencimento negado. 

Mas o mundo não lhe devia nada. 

A pergunta constante: "Cadê o meu lugar?" E a frustração a posteriori sempre avassaladora.

Vinha de uma família onde era preciso ser "solucionática". Onde as coisas deviam acontecer rápido, serem solucionadas. Quando não aconteciam, críticas, muitas. Mas agora, estava em outra cultura, um novo espaço onde se reconstruía. Isso levava tempo. "É um momento trans", dizia a analista.

Estava em formação. Era um processo, uma travessia. E já fazia o que precisava ser feito. Calma, está tudo bem! Estamos atravessando. Mas não se permitia. Oscilava. Construía, construía… e então destruía tudo. Um ciclo de criação e ruína. Exaustivo. Uma injustiça contra si mesma.

A analista via progressos – muitos. A cada dia, ela se tornava mais forte, mais lúcida, mais dona de si. Mas, no discurso, por vezes, ainda havia aquela menina frágil, que não se reconhecia, que não entendia os reconhecimentos que recebia e as inúmeras sinalizações que a vida lhe dava. Para ela, tudo era normal, tudo era pouco, tudo era esperado mesmo. Tudo. Todo Mundo. Não se via protagonista, geradora do seu sucesso!

Garota excepcional. Dessas que a gente quer ser amiga, e não terapeuta. Dá vontade de estar perto. De conviver. De aprender com ela.

Desse modo, não havia terceirização possível. A resposta que buscava não estava na terapeuta. Porque não era uma terapia. Nunca foi. Era uma análise. Ela havia escolhido a análise. Era a sua análise.

E ... em algum momento ... quando estivesse pronta ... encontraria seu lugar. Melhor: daria a si mesma esse lugar de pertencimento.

Mas que me deu vontade de repetir a famosa frase: "Você não é Todo Mundo!". 

Ah isso deu...

Resiliência Não Se Publica

Resiliência. Uma palavra repetida à exaustão, desgastada pelo uso excessivo. Virou slogan motivacional, enfeite de legenda, uma promessa de superação que chama muita atenção nas redes. Mas a resiliência verdadeira não tem nada de glamourosa. Ela acontece nos silêncios. Nos momentos em que a vida rasga, arranca as certezas e obriga a continuar, sem nenhuma garantia de que algo vá melhorar.

Ela não é um troféu que se exibe, nem um estado de espírito elevado. Ela é um instinto. Acontece quando a vida arranca tudo e você, sem alternativas, continua. Não porque é forte, não porque escolheu ser resiliente, mas porque faz parte da espécie humana lutar pela sobrevivência. Você não conduz, você é levado. Muitos ficam pelo caminho!

A resiliência não é teatral. Não é sobre curtidas, não é acompanhada de trilha sonora inspiradora. Ela mora nos olhos inchados depois da noite mal dormida. No aperto, no desespero que bate antes de levantar da cama. Na coragem de seguir em frente quando nada mais faz sentido.

A resiliência não está na foto bem iluminada de quem superou uma fase difícil e agora ostenta felicidade plena. Ela está no caos, no escuro da madrugada, quando ninguém vê. No cansaço extremo de quem já perdeu demais, mas ainda se arrasta adiante.

O que ninguém diz é que a vida vai te derrubar. Muitas e muitas vezes.

Vai ser quando  você perder alguém sem aviso. Quando a injustiça for tão grande que te sufocar. Quando você perder algo que estruturava sua existência e perceber que ninguém vai te salvar. Vai ser quando o chão sumir, e você entender que o que chamavam de “recomeço” é, na verdade, um longo período de confusão, incerteza e medo.

E a vida vai te testar.

Nessas horas, não há frases motivacionais que deem conta. Só há o dia seguinte. E depois mais um. E outro.

Nessas horas, resiliência não é sobre se levantar com bravura, mas sobre seguir mesmo sem força. Não tem poesia, não tem estética, apenas uma sequência de dias em que você acorda e faz o que dá.

Porque a resiliência não é sobre vencer sempre. É sobre perder, quebrar, cair, duvidar de si mesmo – e, ainda assim, continuar.  

E, pouco a pouco, você muda.

As perdas reconfiguram tudo. O que antes parecia importante se dissolve. O medo de desapontar os outros perde relevância. A busca incessante por reconhecimento se esgota. O que sobra são os poucos e bons amigos - muito poucos, na verdade.

E então, um dia, você olha no espelho e percebe que não é mais o mesmo. Você não quer mais preencher vazios à força. Não quer mais se encaixar no que esperavam de você. Aprende que não há como escapar da falta – porque você é as suas faltas. Elas moldam seus desejos, suas escolhas, sua história.

O desejo nasce da falta, da ausência, e a sua história é feita do que faltou tanto quanto do que sobrou.

O sucesso deixa de ser uma linha de chegada e passa a ser simplesmente existir. Estar ali. Respirando. Sendo.

E no fim das contas, a maior vitória não é nunca ter caído. É ter continuado.

Sem precisar chamar isso de resiliência.

Sem precisar provar nada para ninguém.

Sem precisar publicar nada sobre isso.

Psicologia e Tecnologia

A PsiT.ech nasce da interseção entre dois mundos: a tecnologia e a escuta clínica. Criada por uma profissional com anos de experiência em grandes empresas do setor de tecnologia e formação sólida em Psicologia com abordagem psicanalítica, a clínica oferece um espaço de acolhimento para quem vive (ou sobrevive) no ambiente corporativo.

Aqui, entendemos as pressões, as regras não ditas, as dinâmicas de poder, os jogos emocionais e as violências sutis que, muitas vezes, marcam o cotidiano profissional. A PsiT.ech é um lugar de pausa, onde a escuta é respeitosa, o tempo tem outro ritmo e a subjetividade encontra espaço para se expressar.

Acolhemos especialmente adultos que enfrentam sofrimento emocional relacionado ao trabalho: esgotamento, angústia, sensação de inadequação, injustiças, assédio moral ou mesmo a dificuldade de encontrar sentido em meio a estruturas rígidas e competitivas.

Na PsiT.ech, oferecemos um cuidado que combina sensibilidade clínica, escuta ética e compreensão profunda das engrenagens do mundo corporativo. Porque cuidar da saúde mental é também aprender a se reposicionar diante daquilo que nos atravessa — e, às vezes, nos adoece.

Seja bem-vindo(a). Aqui, sua história tem espaço.

Seja bem-vindo(a) à PsiT.ech

 Boas-vindas da PsiT.ech

Olá!

Seja bem-vindo(a) à PsiT.ech — um espaço de escuta, pausa e cuidado.

Aqui, entendemos que o mundo corporativo nem sempre é leve. Pressões, cobranças, silêncios, injustiças e dinâmicas sutis muitas vezes atravessam a vida profissional e impactam diretamente o bem-estar emocional.

Na PsiT.ech, você será recebido com ética, empatia e discrição. Acreditamos que cada pessoa carrega uma história única — e que poder falar sobre o que sente, sem julgamento, é o primeiro passo para se reconectar consigo.

Se você chegou até aqui, saiba que já começou um movimento importante.

Conte comigo nessa caminhada.

Entre o que foi e o que ainda não se sabe ser!

Recomeçar é muitas vezes visto como um ato de coragem, uma escolha consciente de abandonar o que não faz mais sentido para buscar algo novo. No entanto, poucos falam sobre a parte em que tudo desmorona—o momento em que, depois de tanto esforço, o novo caminho parece estranho, desconectado, como se a identidade tivesse se perdido no meio da travessia.

Muitas pessoas passam anos batalhando por uma mudança significativa. Enfrentam desafios, dedicam-se ao aprendizado, reinventam-se para ocupar um novo espaço. Mas, ao chegarem perto da conclusão dessa jornada, percebem que algo não se encaixa. A dúvida se instala, e aquilo que deveria ser uma conquista começa a parecer um erro.

Essa sensação pode surgir de diversas formas: um trabalho que já não traz sentido, uma mudança de área que parecia promissora, um curso superior que, nos últimos semestres, já não reflete mais quem se é. O sentimento de deslocamento cresce e traz consigo a insegurança: e se todo esse esforço foi em vão? E se o recomeço foi apenas um desvio para um lugar que nunca deveria ter sido o destino?

A maior dificuldade não é apenas questionar a escolha feita, mas encarar a incerteza do que vem depois. Não há garantias, não há mapas que indiquem o próximo passo. O futuro, que antes parecia claro, agora é um campo nebuloso, onde qualquer decisão pode parecer errada.

Muitos acreditam que recomeçar significa encontrar uma nova versão de si mesmo, mas, talvez, seja apenas um espaço de transição—uma zona instável entre o que foi e o que ainda não se sabe ser. E, nesse processo, sentir-se perdido pode não ser um sinal de fracasso, mas um estágio inevitável do crescimento.

Aceitar essa incerteza pode ser o primeiro passo para, enfim, encontrar um caminho que faça sentido.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Feliz Aniversário !

Faz muitos anos que tirei a data do meu aniversário de todas as redes sociais. Lembro bem do dia em que decidi fazer isso. Na época, eu recebia muitas mensagens—dezenas, às vezes centenas—de "parabéns" surgindo no meu feed, nas notificações, nos stories. Mas havia algo estranho, uma sensação incômoda de que tudo era muito automático. Uma enxurrada de felicitações que se apagavam no dia seguinte. Sei lá, um dia intenso, impulsionado pela tecnologia, mas sem carregar verdadeiramente o significado de uma lembrança, do que um aniversário deveria ser.

Entendo que as pessoas são sociáveis e não teriam como guardar todas as datas de aniversário à sua volta. A tecnologia ajuda nisso—ela lembra por nós, evita esquecimentos. Mas acho que, na vida, esquecer faz parte também. E tudo bem. Quando a relação é verdadeira, não é a ausência de um “feliz aniversário” que define o quanto você significa para alguém ou o quanto alguém tem consideração por você.

Não me entendam mal, não acho que as pessoas que enviavam mensagens estavam sendo falsas ou mal-intencionadas. Mas o contexto me fazia sentir que tudo era mecânico, rápido, eficiente—como se alguém visse a notificação, escrevesse “feliz aniversário!” e seguisse o dia adiante. E aí vinha o meu dilema: se a pessoa se lembrou de mim e enviou uma mensagem, eu deveria retribuir no aniversário dela. Então eu precisava salvar a data, me lembrar no ano seguinte, corresponder à expectativa. Mas e se, no dia do aniversário dessa pessoa, eu estivesse atravessando um momento difícil? Ou simplesmente esquecesse?

Ok. Acho legal lembranças espontâneas, sem dia, sem hora, sem obrigação. Lembrar por lembrar, querer falar, sentir falta, querer compartilhar,  porque deu vontade de falar, porque uma memória surgiu, porque um sentimento veio à tona. Sei lá. Sempre senti que essa parte mais burocrática das redes sociais transformava aniversários em um ritual social padronizado, quase um reflexo condicionado do que é lembrar de alguém, do politicamente correto.

Claro que, depois que desapareci das redes, as notificações também foram sumindo. A cada ano, menos pessoas lembravam, menos notificações, menos mensagens. E tudo bem. Foi interessante até para mim mesma. Racionalmente, eu sabia que aquela enxurrada de mensagens me envaidecia—teve anos em que recebi mais de 200 notificações, e eu pensava: "Nossa, como sou lembrada, como sou querida!" Mas será que aquilo realmente significava alguma coisa? Sim e Não. Sei que ninguém era obrigado a me mandar mensagem, que cada um escolhia fazer isso, existe uma intenção ai. Mas sempre me perguntei: se não houvesse a notificação, quantos realmente se lembrariam? Quantas mensagens seriam enviadas?

E de certa forma, só porque está nas redes sociais, não significa obrigação, sei que as pessoas decidem mandar a mensagem, são lembradas pelas redes, mas poderiam escolher não enviar msg. Então elas "gostam de você". Então sei que tem uma escolha, mas sempre questionei, porque apesar de estar escolhendo mandar e me reconhecer, talvez a lembrança genuína não seria exatamente naquele dia e naquele horário e naquela plataforma e daquela forma. Nao sei se me faço clara o bastante ou parece arrogância e me achar "centro do mundo". Não é! Penso em só liberar as pessoas para lembrarem do que quiserem lembrar e está tudo bem.

Ao longo dos anos, fui me surpreendendo com as poucas pessoas que, mesmo sem lembretes ou notificações, faziam questão de lembrar. Ligavam. Mandavam mensagens longas. Vinham até mim. Pessoas que, no meio da correria da vida, guardavam essa pequena informação sobre mim (a data do meu aniversário) —e escolhiam demonstrar carinho sem depender de alertas, sem ser o politicamente correto a se fazer. Trocando o "eu preciso te mandar uma msg" para o "eu quero aproveitar e te mandar uma msg". Esse gesto sempre me tocou mais do que qualquer avalanche de notificações nas redes.

É uma construção, uma escolha. Prefiro assim. No mundo de hoje, ser diferente quase sempre significa ser visto como estranho. 'Ah, essa pessoa tem baixa autoestima', 'essa pessoa se exclui', 'essa pessoa é exigente demais'... Mas não é nada disso. É apenas um jeito diferente de enxergar as coisas, de liberar as pessoas da obrigação de ter que lembrar.

Curiosamente, ao mesmo tempo em que fui me afastando das felicitações superficiais, percebi algo interessante: as empresas nunca esquecem. O mercado se lembra do meu aniversário melhor do que muitas pessoas. Meu e-mail fica lotado de promoções especiais, cupons de desconto, mensagens genéricas de “feliz dia!” de marcas que sequer interagem comigo o resto do ano. Há uma certa ironia nisso. Num mundo onde as relações humanas são mediadas por algoritmos e lembretes automáticos, é o capitalismo que nunca falha em marcar presença. Transformando qualquer ocasião em "um momento especial" ... ops ... em "uma oportunidade comercial". Fico pensando se o mercado não é o melhor amigo de todos—porque está sempre lá, presente, rápido, preciso. E aquele amigo de carne e osso, cuja ligação você tanto espera? Esse, às vezes, esquece.

Essa percepção me fez querer resgatar o real significado do meu aniversário. Antes, tudo se misturava—os parabéns de quem realmente lembrava e os de quem apenas foi lembrado pela rede social. Eu quis separar as coisas. Quis voltar às raízes. Para mim, um aniversário não deveria ser sobre quantidade, mas sobre significado.

E mesmo que uma pessoa não se lembre—porque esqueceu, porque lembrou e não estava afim, porque lembrou e não teve tempo, porque estava perto demais e esqueceu, ou longe demais e esqueceu também—está tudo certo. Seguem sendo importantes para mim. Tem gente que divide o mundo entre os que lembram da sua data e os que não lembram. Mas, para mim, essa linha é outra. Me arrisco a dizer que algumas das pessoas mais preciosas da minha vida estão no grupo das que nunca lembram o dia certo—e que me fazem rir quando me mandam parabéns muito antes ou muito depois da data, boas risadas coleciono ai.

E, verdade seja dita, nunca fui alguém que fizesse do meu aniversário uma grande comemoração. Não porque eu ache que a vida não mereça ser celebrada, mas porque acredito que qualquer dia pode ser especial para lembrar de alguém e desejar coisas boas. Sempre me pareceu estranho que, para muitas pessoas, o único dia do ano em que demonstram carinho seja no aniversário. Para mim, felicitações não precisam ter data certa—elas deveriam acontecer no momento em que são sentidas.

Por isso, também não sou alguém que sai distribuindo "feliz aniversário" para todo mundo. Parabenizo um círculo pequeno—pessoas que realmente fazem parte da minha vida no dia a dia, que me tocam profundamente e que são aquelas pessoas as quais eu memorizei o aniversário ... com esforço. Muito esforço, diga-se de passagem, rs. Outras tantas que são igualmente importantes, mas, sinto muito, não consigo memorizar as datas dos seus aniversários. Eu me esforço também, mas sempre falho. 

E se um ano eu me lembrar e no outro não? Tudo bem. Lembro porque lembro, esqueço porque esqueço. Sem pressão, sem cobrança.

Porque, no fim das contas, mais do que lembrar uma data, o que importa é lembrar o afeto, a conexão e o que realmente significa compartilhar a vida com alguém. Tem gente com quem falo muito e não sinto conexão nenhuma. E tem gente com quem quase não falo, mas, quando interajo, sinto uma conexão imensa. Tem pessoas que vejo todo dia e fazem do meu aniversário uma data especial. E tem outras que vejo todo dia e nem sequer sabem quantos anos eu tenho. Tem pessoas e tem pessoas.

Então, se um dia você receber uma mensagem minha, saiba que ela não foi enviada por hábito, por uma notificação ou por uma obrigação social. Foi porque, naquele momento, eu pensei em você com carinho genuíno.

Estou envelhecendo e minha memória já não é a mesma. Se não receber minha mensagem no seu aniversário, entenda: não uso a tecnologia para isso. Pode ser que eu tenha me esquecido mesmo ou pode ser que eu não queira. E tudo bem. 

Tenho certeza de que as pessoas que eu amo e quero por perto não duvidam, sequer por um instante, do que representam para mim.

E, no fim das contas, não é isso que realmente importa?

E essa tal de Psicologia?

Estudar Psicologia é uma jornada que transcende o simples ato de adquirir conhecimento. Desde o primeiro contato com a área, percebemos que não estamos apenas aprendendo sobre teorias, conceitos e abordagens, mas que estamos, inevitavelmente, nos transformando no processo. Psicologia não é um campo que se estuda de fora para dentro. Pelo contrário, ela nos atravessa, nos implica e nos desafia a olhar para dentro de nós mesmos.

Cada ano da graduação traz novas descobertas e, com elas, novas inquietações. O objeto de estudo da Psicologia não é algo externo, distante, que podemos observar sem nos envolver. Estudamos o humano, e, sendo humanos, não há como evitar o impacto dessa imersão. As teorias que aprendemos nos ajudam a compreender os outros, mas também nos colocam frente a frente com nossos próprios medos, desejos e contradições. Assim, a Psicologia nos transforma, moldando nosso olhar sobre nós mesmos e sobre o mundo.

Além do impacto pessoal, estudar Psicologia desenvolve em nós um profundo senso de responsabilidade. Ao nos debruçarmos sobre o sofrimento humano, aprendemos que ele não pode ser reduzido a uma mera patologia ou a um diagnóstico. A saúde mental não é a simples ausência de transtornos, mas um estado dinâmico que envolve história de vida, relações interpessoais, contexto social e tantas outras variáveis. Dessa forma, passamos a enxergar o sofrimento sob outra perspectiva, sem reducionismos, mas com um olhar sensível, atento e, sobretudo, humanizado.

Ao longo da formação, aflora em nós um sentimento de gratidão – seja pelos professores que nos guiam, pelos autores que nos provocam reflexões, pelos pacientes que compartilham suas histórias, ou pela própria possibilidade de ter acesso a um conhecimento valioso. A Psicologia nos ensina a ter humildade diante da complexidade do humano e nos lembra constantemente de que, por mais que estudemos, não se tem todas as respostas.

Independentemente da abordagem teórica com a qual mais nos identificamos, todas compartilham um ponto em comum: lidam com a singularidade do sujeito. Algumas abordagens, como as comportamentais, propõem um olhar mais concreto e focado em recortes específicos do comportamento humano. Outras, como a psicanálise, mergulham nas profundezas do inconsciente e nos desafios da subjetividade. Há, ainda, as abordagens humanistas e existenciais, que nos confrontam com as grandes questões da existência. Embora distintas, todas essas vertentes são científicas e buscam compreender o ser humano em sua totalidade. E, ao estudarmos o outro, inevitavelmente nos deparamos conosco mesmos.

Estudar Psicologia não se trata de acumular conhecimento técnico. É uma experiência de constante transformação. É aprender a reconhecer que o outro é sempre único, que ninguém se reduz a um diagnóstico e que a complexidade do humano exige sensibilidade e escuta. É desenvolver um olhar empático para o sofrimento, compreendendo-o sem julgamentos. É perceber que, enquanto entendemos o outro, também nos descobrimos e nos reinventamos.

E essa jornada não termina com a graduação. Ao contrário, ela continua, a Psicologia não é um saber estático, mas um campo vivo, em constante construção – assim como nós. 

Porque, no fim das contas, estudar Psicologia é, antes de tudo, se permitir ser transformado por ela.

Propósito

Acordar não para trabalhar e sim para manifestar seu propósito. Este é o objetivo da vida, saber quem você é e a partir daí expressar seu eu verdadeiro, compartilhando seus dons sem esforço e sofrimento e sim com alegria e amor. Não é o lugar que determina isso e sim a sua consciência.

Aqui, cuidado emocional e inovação caminham juntos.

Ofereço conteúdo psicológico por meio de textos que tocam o cotidiano, com responsabilidade e sensibilidade. Trago a minha vivência no mundo corporativo de tecnologia atravessada pela psicologia: escrevo sobre luto, ansiedade, carreira, relacionamentos, inteligência artificial, metaverso: sempre com escuta e presença.

Postagem em Destaque

Você passou de fase! Parabéns! 💔 Bem vindo ao Próximo Nível.

Olá Querida , ouvi sua mensagem. Na verdade, ouvi sua mensagem algumas vezes, até estar aqui e responder. Sua mensagem é bonita, é carinhosa...

Um presente

Você é mais do que um irmão, é um amigo, um presente e me acompanha nos momentos alegres e nas aflições. Me dá sempre os melhores conselhos.
Compartilhamos a paixão pelo futebol.💙 Irmã de menino é assim mesmo, junto com as bonecas, a gente vira goleiro, aprende a lavar carros, instalar chuveiro, chef de cozinha. Rs. Trocamos afilhados. E as muitas viagens, nem se fala, as que deram certo e as “roubadas” que nos metemos.
Compartilhamos a mesma casa e a mesma educação, crescemos juntos, vivemos juntos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, por isso, quero que saiba que te amo de todo coração, e que, se precisar de algo, estarei bem aqui para te ajudar, para te dar minha força.
Admiro você, sua família, sua empresa ... sua alma, sua jornada nessa vida!!!!
Você sabe que pode sempre contar e confiar em mim. Estamos unidos para o que der e vier, somos cúmplices, não importa o que aconteça.
Quero lhe desejar tudo de bom neste dia, você merece o melhor! Obrigada pela sua amizade, você é a minha certeza e torço bastante por você. Que estejamos cada vez mais unidos.
Seja muito Feliz! Te admiro muito. Tenha um Feliz Aniversário! 🎁

Postagens Mais Vistas