Tenho pensado muito sobre o ritmo das coisas. Sobre como a vida parece ter entrado num modo automático, onde todos falam, mas quase ninguém diz nada; onde estamos cercados de gente, mas a sensação de vazio só aumenta; onde corremos tanto que, quando percebemos, já nem sabemos mais exatamente para onde estamos indo.
Nos últimos tempos, tenho sentido um cansaço que não é só físico, é um cansaço da alma. Um cansaço de conversas rasas, de opiniões copiadas, de encontros que não encontram. É como se estivéssemos todos esgotados e, por isso mesmo, tentando preencher essa fadiga com excesso: de palavras, de tarefas, de telas, de urgências inventadas.
E, no meio disso tudo, vou percebendo o quanto tenho desejado o contrário: silêncio, pausa, presença. Coisas simples, mas que parecem cada vez mais raras. Talvez porque desacelerar seja quase um ato de resistência, um jeito de dizer “não” para um mundo que insiste em exigir produtividade até dos nossos afetos.
Mas não é fácil. Quando desaceleramos, enxergamos mais. E, nessa visão ampliada, aparece também o incômodo: a convivência com pessoas que não conseguem estar de verdade, que se alimentam de superficialidades, que se protegem da própria profundidade evitando a dos outros. Pessoas vazias, não porque nasceram vazias, mas porque o ritmo que sustentam não permite que se preencham de algo que realmente importe.
E aqui faço um cuidado: não falo de cima, não falo com arrogância. Falo de dentro, porque eu também me pego presa nesse mesmo ciclo, repetindo hábitos que me afastam de mim. Eu também sinto que estou tentando me encontrar em meio ao barulho. Talvez por isso esse texto exista: como um pedido de respiro, um lembrete de que ainda é possível escolher outro movimento.
Tenho buscado um lugar, onde as conversas tenham alma, onde o olhar faça diferença, onde estar junto signifique algo mais do que dividir o mesmo ambiente. Um lugar onde a vida seja vivida, e não apenas administrada.
E, enquanto não encontro, vou criando pequenas ilhas de presença: desligar o celular, respirar fundo, ouvir alguém de verdade, permitir que o silêncio exista sem precisar ser preenchido. Pequenas resistências, quase invisíveis, mas que me devolvem a sensação de existir.
Talvez desacelerar seja isso, não uma fuga, mas uma forma de voltar. Voltar para nós mesmos, para o que importa, para o que ainda é vivo. E, quem sabe, encontrar nesse retorno outros que também estejam procurando um pouco de verdade num mundo tão barulhento.
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