Durante muitos anos, vivi o cotidiano da tecnologia: prazos curtos, lógica estruturada, entregas contínuas, sprints que pareciam nunca terminar. Eu era analista de sistemas antes de me tornar psicóloga e essa experiência marcou a forma como compreendo o ser humano hoje. Ao fazer minha transição de carreira, entendi algo essencial: a tecnologia transforma o mundo, mas é a subjetividade que transforma a vida. E, no ritmo acelerado da inovação, essa dimensão humana tem sido frequentemente esquecida, ignorada ou tratada como secundária.
Por isso escolhi trabalhar justamente nesse ponto de encontro. Para mim, o cruzamento entre Psicologia e Tecnologia é um convite a resgatar aquilo que é humano em meio ao excesso, à pressa, ao hiperdesempenho e às conexões que acontecem em alta velocidade, mas nem sempre em profundidade.
A experiência no mercado tech me ensinou a olhar para as dores que não aparecem nos dashboards: a ansiedade por alta performance, o medo constante de estar atrasado em relação ao mercado, o burnout silencioso, a solidão de quem vive conectado, mas sente-se distante de si mesmo. E a Psicologia me deu as ferramentas para compreender e cuidar dessas experiências com seriedade, ética e sensibilidade.
Meu trabalho nasce desse lugar híbrido: um pé no universo da tecnologia e outro no campo da escuta, do cuidado e da presença. Eu entendo as linguagens dos dois mundos: os códigos, as entregas, as interfaces e também as emoções, os limites e as narrativas que sustentam (ou desabam) por trás de cada trajetória. Escrevo e atuo porque acredito que tecnologia nenhuma compensa uma subjetividade exausta. Acredito que não há inovação verdadeira sem saúde mental. E acredito que toda pessoa merece um espaço onde possa desacelerar, elaborar, respirar e se reencontrar.
Meu nicho é esse: cuidar de quem vive o impacto da tecnologia por dentro, na rotina, na mente, no corpo, nos vínculos, ajudando a reconstruir pausas, sentido e presença num mundo que corre rápido demais.
Se a tecnologia molda o futuro, a psicologia nos lembra de quem somos enquanto caminhamos em direção a ele.
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